Eu mereci

A pior parte de discutir estupro é que nos obriga a pensar no que já aconteceu com a gente. Sem a gente ter dito que “guenta 5”, sem a gente ir no baile funk, sem a gente usar drogas, sem a gente frequentar favela, sem a gente ter sido dopada, sem a gente ter tido filho. Aconteceu com a gente rezando, lendo livro, vendo tv em casa, voltando do trabalho, voltando pra casa cedo de taxi, convivendo com parente, com o amigo, com o namorado.

Se eu mereci, ela mereceu também. A culpa é da vítima. Porque entre eu abusada e ela estuprada, só tem o fato de você querer que a culpa tenha sido nossa, não em quem resolveu (quens, no caso dela) que podia fazê-lo. Culpabilização da vítima.

A pior parte dessa gente esperando ela ser bem feia, ela ser bem culpada, ela ser bem errada para falar “tá vendo, ela mereceu”, tá na gente ter merecido também. Mereceu porque aos 10 anos você já espertinha e deixou ele te tocar. Mereceu porque você tava de decote no táxi voltando sozinha em casa.

Se eu mereci, ela mereceu também. Tendo ido na casa do namorado de 3 anos ou estando numa orgia com outros caras, somos todas merecedoras porque não nos cuidamos mais. E nem com todo o contexto do universo você vai escapar de ter merecido. A culpa é sempre sua. Não existe respeito às minas.

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Meu trabalho compartilhou a logo da ong com “Eu luto contra a cultura do estupro”. Daí meu pai postou embaixo (esse mesmo pai com quem eu não falo há meses, mas o meu “daddy issues” a gente deixa pra outro post – ou será que eu merecia essas coisas todas porque meu pai não me ama suficientemente?) isso aqui que me fez pensar muito:

O discurso pertinente à cultura do estupro parte do pressuposto da necessidade de se despertar o olhar da sociedade para se desmitificar o tabu: estupro. Qual o seu significado? De quem é a culpa?
Nesse sentido, faz-se o uso de estupro das seguintes formas:
a) como expressão da masculinidade;
b) como indicação de mulheres enquanto conceito de propriedade;
c) como mecanismo de controle social para manter as mulheres na condição de objetos de cama e mesa.

Porque será que abusaram/estupraram a gente?

I got this

Eu sou aquela que chora de soluçar até de dormir pensando se eu a pior pessoa do mundo para alguém escolher me cortar de uma lista de casamento. Eu também sou aquela que viaja pra fechar um projeto de milhares de reais, desenha a proposta, faz ponte-área, desenha processo e segue a vida.

Eu sou aquela que fica mandando snapchat pro namorado enquanto escova os dentes. Eu também sou aquela que tem que mandar 4 pessoas embora sabendo que tem uma crise financeira e as pessoas dependem tanto desse emprego.

Vou sobrevivendo. Aos trancos e barrancos. Corações partidos,  coração cheio porque eu ando me sentindo tão amanda, choros antes de dormir, sorrisos auto-orgulhosos, vergonha alheia-própria.  Vou vivendo, com subidas e descidas.

Depois de sábado vai ser mais fácil. Depois de agosto vai ser mais fácil.

God help the girl

Fiz uma promessa, uma vez, que se o Atlético não caísse pra série B, eu emagreceria 10 quilos. Depois, prometi que se o Galo vencesse um jogo de quartas-de-final da Libertadores, eu ficaria até o fim do ano sem comer chocolate. Esse ano prometi no jogo de oitavas não comer chocolate, de novo, por um mês* e no jogo contra o São Paulo, essa semana, prometi absurdamente mais 10 quilos e não comer qualquer coisa doce  ou álcool por um mês inteirinho. Pela primeira vez, os céus, o destino ou a sorte não contribuíram. Caímos.

 

Hoje comi dois pães de mel.

 

* talvez tenha sido uma promessa fraca, por isso caímos nas quartas?!

Something that I should never had to share

Você pergunta se eu não fico feliz porque você se orgulha.

Respondo que não, porque é um processo difícil e não o faço porque você se orgulha, ou irei deixar de fazer para te decepcionar.

Você diz, então, que eu não posso me orgulhar de você.

Digo que, nesse caso, a briga é minha, a dor a minha… e não pode ser sua.

Você diz que não quer mais conversar.

Argumento que é porque dói, é porque é feio, como é que vou misturar tanta insegurança com você?

Então você diz que nada meu pode ser seu.

Eu digo que não é assim, mas como é que eu vou misturar o meu amor próprio com você, se ele tem que ser tão meu?

Você diz que não quer mais conversar porque não quer me machucar.

Eu já me machuquei.

Esquece – importa

Tem uns dias que parecem de super-heroína: você faz mil coisas no trabalho e ainda emenda a academia. Que vitória.

Cheia das pretensões, planejei ontem o dia de hoje: acordo cedo, entro no trabalho uma hora mais cedo, ralo muito, vou direto pra academia, corro em casa, tomo banho e vou pro campo ver o Galo. Pareceu fácil.

Acordei e voltei a dormir. Cheguei no trabalho 30 minutos depois do planejado e SENHOR, como parece difícil encaixar a academia antes de ir pro estádio.

Tem dias que eu já começo derrotada.