Respira, respira, respira

Fui ao médico e ele disse que foi “só” uma entorse que vai passar sozinha e que é normal meu joelho sem ligamento falhe às vezes.  Lembrei-me desse poeminha do Cacaso e só não o segui a risca porque não tô em condições de dança – ainda.

Vida e Obra – Cacaso

Você sabe o que Kant dizia?

Que se tudo desse certo no meio também
Daria no fim dependendo da idéia que se
Fizesse de começo.

E depois – Para ilustrar – saiu dançando um
Foxtrote


Minha chefe me avisou por whatsapp que vamos ter que fechar outra operação e que vou mandar embora gente que prometi que ia manter. Tá fueda essa crise. É um coração partido depois do outro. Sinto orgulho de criar emprego, não em tira-los.


Perguntei ao médico se ele já queria operar meu ligamento. Nem verbalizei que tava querendo operar só ano que vem, porque tá difícil de sair do trabalho e tô com medo de não estar tão andante no fim do ano e ter que abrir mão da minha aventura em terras bolivianas.

Meu médico me disse “se você perdeu 10 kg em 6 meses, perde mais 10 nos próximos 6 e aí eu te opero”.

 

VISH.

 

 

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Enamorada de la vida aunque a veces duela

Meu monero veio me ver para comemoramos dois anos juntos e eu caí da escada. Teve dois dias inteiros de amorzinho entre os fatos, mas essa foi a sequência lógica. Eu tive uma crise de pânico porque fiquei com medo de ter fodido mais meu joelho (e confesso que passadas 9h horas não estou ainda conseguindo pisar direito e com dor – ansiedade) e enquanto ele me abraçava, ele disse que me amava e que sempre vai cuidar de mim.

Daí hoje eu acordei e resolvi trabalhar de casa, com medo de piorar meu joelho ainda mais, e deixei ele dormindo. E é tudo tão terno que mesmo ontem eu tendo chorado, tremido, engasgado, provavelmente babado e provado que sou inapta para descer escadas, ele me disse “você não tá sozinha nunca, vou cuidar de você para sempre”.

Minha vontade é entrar lá no quarto e pergunta se dá para o para sempre começar agora.

 

Porque eu tô cansada de ser louca assim sozinha

Eu tô em um momento tenso no trabalho. Tô cantando esse momento têm semanas, sabia que ia chegar. Ei-lo. O  desesperador momento que todos os projetos estão ou começando juntos ou sendo executados em fase crucial juntos. Sério. Tenho 4 investimentos novos, fim de um projeto, série de demissões, metodologia nova para aplicar, contratações, negociação nova com um potencial parceiro e 3 projetos em momento crucial. E eu.

Eu tenho uma lista que fico atualizando com coisas que tenho que fazer e às vezes eu não sei por onde começar. Mas vontade de chorar mesmo eu fico quando eu trabalho trabalho trabalho e não tem nada da lista para cortar. É desolador. A porra da lista só cresce.

Tenho tentado seriamente não fazer hora extra e só sofrer no trabalho. Mas hoje fiquei MUITO ansiosa, tanto que o chefe da minha chefe ficou me mandando mensagens motivacionais e me prometeu um bônus se eu conseguir fazer tudo (RÁ).

O pior de tudo é que eu, no auge da minha ansiedade, cheguei em casa e disparei “me prometeram um bônus” e ninguém me respondeu. Me senti absolutamente ultrajada e decidi não falar mais com a minha família. Que obviamente não liga bulhufas pro meu silêncio.O que me faz programar mais tempo de silêncio.

Sempre me surpreende como eu posso ser tão adulta e tão criança no mesmo dia.

The battle with the body isn’t easily won

Baixei um app para controle de fluxo menstrual. Fiz porque uma amiga me mostrou e achei legalzinho. Tanta gente baixando app para controlar conta de banco, porque não controlar a nós mesmas? A coisa em si parece bem simples, e eu aos meus 31 anos, achava que sabia tudo de mim. Eis que em dois meses já descobri padrões que não conhecia e tenho me divertido preenchendo detalhes diários de como está minha pele e meu cabelo (hoje eu tenho espinhas horrendas, mas meu cabelo tá lindão), humor e vontade de comer doce (estou ansiosa e todos os dias quero comer doce. TODOS. Independente do dia do mês. Uma derrota para a dieta).

Daí ele também te mostra seus dias férteis, o que é meio desesperador. A fertilidade é algo muito assustador, vocês não acham? Daí tem o dia mais fértil de todos e eu fico olhando pra ele “ugh!”. Esse também vai ser internacionalmente conhecido como o dia do não me toque!

(se você é um rapaz e não gosta do tema menstruação, get over it).

Treat her better

Tenho brigado muito com a minha mãe por posições politicas. Tenho sido ativa em critica-la e bater de frente, coisa que eu não fazia antes. Acontece que no dia da votação do impeachment da Dilma no Congresso, minha mãe riu quando o Bolsonaro falou do Ustra. E isso acionou um gatilho. Eu não vou aceitar que alguém ache graça em apologia à tortura dentro da minha própria casa. Mesmo que a casa nem sequer seja minha.

Eu brigo com a minha mãe sobre racismo, machismo, cultura do estupro. Brigo com a minha mãe por elitismo, falta de empatia, visão parcial da realidade. Minha mãe me acusou de não saber aceitar a opinião alheia. Mas eu não quero aceitar. Porque eu acho que eu estou certa mesmo. E então me vejo que sou prepotente também.

Eu tenho me percebido muito brava com muita coisa. Tenho sido excessivamente impositiva. Minha mãe me mostrou uma foto do Temer fazendo uma mesóclise num discurso e eu perguntei “se você valoriza tanto isso, porque casou com uma pessoa que fala errado?”. Eu não precisava ser tão grosseira.

Talvez seja hora de dar um passo atrás e só respirar fundo. Talvez eu consiga mudar o mundo sem passar pela minha própria mãe.