E acordei nesse mundo marginal

Outro dia minha tia tava aqui em casa e minha irmã a convenceu a nos explicar nossa nobre linhagem materna. Com muita confusão e sendo elaborada uma árvore genealógica com alcunhas ao invés de nome, tenho: um par de bisavós bravas, uma delas diretora de grupo escolar em uma épocas que mulheres não trabalhavam, um bisavô tropeiro, também padeiro e alfaiate, sendo que um dos casais de bisavó era irmãos de parte de pai (!!!) e vieram do Rio fugidos/escondidos para BH. O outro casal era mais simples. Ela era filha de um português com uma negra e o seu marido era filho de uma cigana adolescente comprada que se casou com o filho de um padre árabe (!!!), obviamente sem largar o hábito.

Pois é.

 

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Deve ter sido eu

Um dia desses uma colega de trabalho dizia que queria ganhar o mesmo tanto que eu. Bocuda como sou, disse “você nem sabe quanto é. Quer saber? É 700 reais a mais. Fim”.

Isso tem mês. Não liguei.

Ontem vieram me contar que ela chegou na sala do diretor pedindo um salário igual ao meu e dizendo que eu falei meu salário no meio do corredor, que ela escutou, sem nenhum pudor.

Meu sangue ferveu. Nego botando meu nome em fofoca. Falando mal de coisas que fiz sem maldade. E pedindo meu salário sendo que Ó: EU GANHO É POUCO A MAIS PRO TANTO QUE FAÇO MAIS.

Tô com uma enorme vontade de tirar satisfação, mas sei que não faz qualquer sentido. Agora o aprendizado:

DEIXA DE SER TROUXA, ALICE

Se sou eu ainda jovem passando por cima de tudo

Hoje estava descendo do ônibus e vi meu pai na mesma calçada em que eu estava. Fazia mais de um ano que eu não o via, ele agiu normalmente como se fosse a coisa mais normal do mundo me encontrar por aí. Não teve nenhuma pergunta importante e nenhuma menção de encontro em qualquer futuro.

Ontem eu decidi contar para minha mãe uma situação de abuso sexual que aconteceu comigo há 20 anos. Ela não falou nada além de “porque você não me contou antes?”. Imagino que doa nela também, mas não tem muita expressão de dor, sentimento, preocupação.

A vida tem muito de seguir sozinha.

We can’t rewind, we’re locked in time

Num projeto aconteceu um erro de comunicação e como consequência, escopo e orçamento foram mal desenhados. Quando descoberto o buraco, a solução dele estourava o orçamento do projeto, mas propus que arcaríamos com metade dos custos, e a empresa parceira não aceitou e disse que faria tudo ela mesmo.

Daí a minha contraparte não tava me ligando mais, não mandava mais email e andava furando nos dias de reunião de monitoramento. Achei que a nossa relação tava saturada e que ela tava #chati fui perguntar pra equipe operacional: “ela tá muito brava comigo?”.

Fiquei sabendo que menina tá grávida, passando altos perreguens e quase não indo na empresa. Ou seja, ausência não tem nada a ver comigo, com o projeto, ou qualquer coisa assim.

Minha sensação que quase sempre eu tô levando as coisas pro pessoal mesmo.

Cadê aquela Alice moleca, Alice descolada*, aquela que recebeu alta na terapia… a que sabe que as pessoas não fazem nada contra a gente porque estão ocupadas demais vivendo a própria vida para ficarem pensando em como te magoar mais.

Estou precisando melhorar.

 

*O cérebro é tão forte que eu tinha escrito deslocada ao invés de descolada.

Eu sei bem onde fica toda dor.

Os dias insanos não param, mas a vontade de chorar varia.

Hoje mandei embora a pessoa do post abaixo. Sofri muito antes de fazê-lo. Foi por telefone e durou 10 minutos. Ela me disse que iria para qualquer outra cidade porque adora trabalhar aqui. Contei para a minha chefe e a mesma disse que quem sabe ela assume Fortaleza?

Daí a vontade de chorar passou.

Quarta eu tenho um evento até 22h. Vou ter trabalhado 13 horas nesse dia. Na quinta-feira tenho um vôo cujo embarque é às 05:40 da manhã. No muito muito longe aeroporto de Confins. Volto domingo na hora do almoço, depois de ter tido treinamento sábado o dia todo.

Aí quando eu lembro disso, a vontade de chorar volta. Estamos no modo “sofrer por antecipação” ligadíssimo!