Oh, we will panic

Fiz uma viagem à trabalho. Uma das muitas que faço. Viajar é normal para mim. Dormi noites tranquilas no hotel depois de dias pesados de trabalho. Eis que no último dia, depois de chegar de um evento às 22:00, fui dormir exausta à meia noite. Três horas da manhã sou acordada pela campainha. Já acordo em pânico.

Pergunto “quem é?”  é ninguém responde. Repito a pergunta, e silêncio. Minha mente vai no recente estupro de uma mulher em um hotel. Passo o trinco na porta.  Batem de novo na companhia. Putaquepariu. Quem bate na campainha definitivamente escutou minha pergunta. Pânico. Ligo na recepção e mandam um segurança.

Não havia ninguém. Mas não durmo mais. Sempre esperando algum barulho,  batida. Taquicardia. Não teve mais mais campainha.  Mas eu me assustando com o barulho do vento. Chorosa. Levo horas para me tranquilizar e conseguir dormir.

De manhã tive medo de sair do meu quarto. Olhei para a campainha, tão do lado da porta. Andei no corredor vigiando ao redor. Um dia a mais sendo mulher. Não pensei que era alguém errando o quarto. Não tentei racionalizar que podia ser só uma peça de traquinagem. Fiquei com medo de verdade.

Ser mulher é uma bosta. Sempre com medo. Será que era o garçom do restaurante? O cara que me olhou esquisito no elevador? Lembrei de um peão na fábrica em que eu estava a noite que não parava de me encarar e mesmo andando à frente, olhava para trás me seguindo no caminho. Não tinha como ele saber que era o meu quarto. Tinha?

E depois me perguntam porque preciso do feminismo. Porque ter medo tem que parar de ser normal.

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One thought on “Oh, we will panic

  1. que post arrebatador. eu vi essa reportagem sobre a moça estuprada no hotel e me doeu de uma forma que nem sei.

    eu tenho viajado muito a trabalho também. dia desses, quase à meia-noite tocaram a campainha do quarto. eu prontamente abri e era uma senhora, participante de uma excursão de igreja, que tinha errado o número – achou que era o quarto da amiga.

    eu não senti medo. eu esqueço com frequência de passar o trinco. eu nem perguntei quem era antes de escancarar a porta.

    eu sou homem.

    e por isso mesmo dou meu total apoio a qualquer luta de igualdade.

    *abraça*

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