[TW] But my mind has fucked me over more times than anyone could ever know.

Depois de postar esse texto, pensei em deleta-lo inúmeras vezes. Me perguntei se eu precisava me expor tanto, se alguém do meu convívio pessoal realmente precisa saber desses detalhes.

Porém não vou deletar. Porque vou vencer esse silêncio.

O posto abaixo é forte. E se você não quiser saber dele, é só não ler.

 

Eu fui abusada sexualmente quando era criança. Foi dentro de casa por uma pessoa da minha família. Quando isso aconteceu, eu não sabia o que era sexo. Então eu não entendi muito bem, mas senti que era errado. Senti porque eu sabia que minhas partes íntimas não deveriam ser tocadas. Mas não fiz nada quanto a isso. Nem mesmo resisti de maneira agressiva. Um tio me falou “me toca assim”, “deixa eu te tocar assim”, e eu deixei.

Receosa, mas deixei. Era uma pessoa do meu convívio com quem eu, como criança, mantinha uma relação de confiança. Ele morava na minha casa e tomava conta de mim quando minha mãe não estava. Não chorei, não esperneei e nem contei pra minha mãe, mas não quis deixar acontecer com a minha irmã, que é 4 anos mais nova que eu. Isso aconteceu uma única vez.

Quando eu descobri o que era sexo, anos depois, tive noção que era aquilo que tinha acontecido comigo. Quando eu descobri o que era estupro, um pouco depois, eu descobri, de verdade, o que me aconteceu.

E quando isso aconteceu (a descoberta) eu tive vergonha. E me culpei. E não contei para ninguém. Não contei para minha mãe, não contei para nenhuma amiga, nunca contei para as terapeutas que eu passaram pela minha vida anos depois. Meu namorado, hoje, ainda não sabe.

Eu tinha vergonha. Vergonha de ter acontecido comigo. De alguém ter me tocado daquele jeito. Eu tive nojo. De mim e do meu corpo. Eu tive raiva do meu tio.  Para minha sorte, não tive depois disso muito com ele. Obrigada destino, Deus, universo, e o acaso, por isso.

Minhas terapeutas, caso houvessem sabido dessa situação de abuso, explicariam muitas coisas de mim. Mas nenhuma delas jamais chegou perto de saber. Perdi a virgindade mais tarde do que a maior parte das pessoas e sempre tive problemas com o sexo oposto, mas sempre pareci só “boba” e “gordinha”.

Melhor ser boba e gordinha do que ter sido abusada sexualmente, sinceramente.

Só que daí esse ano tive um estalo. E a coisa saiu da minha garanta. Contei para a minha mãe. E tô escrevendo aqui nesse espaço tão público. Posso contar para quem quiser. Para quem eu puder.

E acho que a maioria das mulheres tem histórias assim. Talvez não estupros concretos. Mas essas situações de sexualização precoce que algum homem te pôs e a gente nunca teve a coragem de abrir a boca a respeito. Um tio que te tocou onde não devia, um amigo do seu pai que te olhou de maneira errada.

Eu tenho 31 anos e 20 anos depois, tive coragem de reconhecer para alguém, além de mim mesma, que fui estuprada.

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