Then sing it on the long walk

No fim do ano passado escrevi um monte de meta pra 2016. Dentre várias, existia uma de “viver mais o feminismo”.

Pensei em criar uma conta no Medium e só escrever textão reflexivo do porque precisamos tanto de ser feminismo. Pegar todas essas notícias absurdas da vida e escrever o a+b de “mana, vamos entrar pra essa luta, olha como o mundo é”. Mas não o fiz.

O que eu fiz foi me envolver, ainda em fevereiro, com um grupo diverso de meninas atleticanas que decidiram escrever um manifesto contra ao desfile do uniforme esse ano (que tinha, mais um ano seguido, mulheres só com camisa e suas bundas de fora). Acontece que gente foi tão execrada, tão condenada, tão perseguida… que dali nasceu a sororidade mais incrível que já vivi.

Da adversidade veio a Grupa. Um montão de minas atleticanas que só querem tornar o futebol um ambiente melhor. Mais seguro, menos machista, menos homofóbico, menos racista.  Um monte de garotas diferentes que se valorizam e torcem juntas pro Galo.

Minha prática feminista agora tá colada numa das minhas maiores paixões, que é o Atlético. No fim das contas, cumpri uma das metas de ano novo.

E a grupa acabou sendo a coisa mais importante desse difícil 2016.

and I really wanna make you disappear

Tenho uma birra histórica e sem fim a minha ex chefe mirim. Quando entrei aonde trabalho calhou dela estar no meu caminho como… minha gestora. Mais nova e menos experiente que eu, brigávamos muito. Eu disse muito. Ela era autoritária e eu era cheia de razão (rs). Eu chorei, sofri, passei raiva e alimentei por anos um rancorzinho nada saudável. Tem post aqui no blog pra isso. VÁRIOS. Isso que em três meses ela já tinha deixado de ser minha chefe.

Esse ano cheguei no trabalho e tarra lá chefe mirim. Fiz um escândalo. Disse que ia pedir demissão. Pedi nada e ela foi embora três meses depois. Ano que vem ela deve voltar. Eu só finjo que ela não existe. E evito ficar no mesmo ambiente que ela.

Ela fica meio que permeando a minha vida. Pede autorização em redes sociais de tempos em tempos, sempre negada. De repente é melhor amiga de gente que eu conheço. E agora tá se inscrevendo pra um projeto que eu já participei e tenho ainda algum envolvimento. A parte imatura em mim quer ir lá e falar “cês tão é loki de aceitar um diabo desses”. A parte de mim que tem mais o que fazer veio só aqui escrever esse post e enfatizar que, quatro anos depois, ainda a detesto. DETESTO.

Quero ver nascer de novo aqui

No final das contas, consegui tirar a segunda via (que já chegou na minha casa), minha mãe fez a cirurgia (e está em plena recuperação) e a vida segue, apesar dos dramas, das dores, dos medos…

Namorado vem passar Natal comigo, o que significa que eu não vou passar Natal com ele na Bolívia. Perdendo a gente vai ganhando. Superando a gente via vivendo. Do jeito que dá. Do jeito que deu.

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If you’re having problems I feel bad for you

Perdi minha carteira de motorista. Fora os mais de 70 reais envolvidas no custo da renovação, beleza. Entrei no site do DETRAN para pedir segunda via. Fala que eu já tenho um pedido em aberto. Vou consultar esse pedido. É de 2014.

Vou ao DETRAN. Número 132 e tava na senha 90. Cerca de trinta minutos depois, chamam minha senha. Só fazem segunda via com o BO. “Mas na internet não exige BO”, e me responde “só que pessoalmente sim”.

No trabalho, tento fazer o BO online. Não preciso dizer que deu errado. Falam que tem que ser pessoalmente. Vou na delegacia. O sistema está fora do ar.

Pego o telefone irada e ligo para minha mãe para chorar as pitangas. Esbravejo. Depois que dou meu show, ela diz: “deixa eu compartilhar meu drama com você. O plano de saúde não autorizou minha cirurgia”. Minha mãe tem síndrome de carpo e ia operar a mão amanhã. Ela não consegue mover muito os dedos e nem dorme de tanta dor.

Nada como alguma perspectiva.

It is Thursday, I am angry

Vamos falar sobre o fato da Marcela Temer ter milhões de reais sob sua gestão de maneira voluntária e o tanto que isso é ofensivo para pessoas como eu, que são profissionais da área social?

1) ela não tem qualificação acadêmica ou prática para o exercício da função, além do “ser mãe”, “mulher dedicada”, “esposa perfeita”. Faz parecer que para trabalhar na área, basta ser “dadivoso”.

2) ela é voluntária! Isso reforça a crença da “caridade” e faz que qualquer pessoa que queira ser remunerado por seu trabalho árduo e pautado em boas práticas seja “pior”.

SOCORR