Cabe o meu sorriso

Como estou em época muito loser e chorosa, fiz um esforço de elaborar uma lista de felicidade. Abaixo estão coisas boas desse 2016. E pensar em cada um desses itens me fez sorrir.

  1. Fui em cidades praianas 4 vezes esse ano. Como mineira que sou, o mar me causa emoção profunda.
  2. Meu amorzinho passou meu aniversário e o carnaval comigo.
  3. Meu amorzinho passou nosso aniversário de namoro comigo.
  4. Meu amorzinho vem passar o aniversário dele, o natal e o ano novo comigo.
  5. Consegui ir na academia pelo menos 3x por semana quase o ano inteiro.
  6. Como malhei o ano inteiro, minha perna, mesmo com o ligamento rompido, está em ótima forma e quase não sinto dores.
  7. Tenho uma assistente muito legal, que eu gosto muito e tenho muita vontade de ensinar.
  8. Comprei todas as coisas que queria comprar e não me embananei financeiramente mesmo assim.
  9. Consegui viajar com a minha mãe quatro vezes, sendo uma em família e outras três, só nossas.
  10. A minha casa é muito lindinha e eu sou bem feliz lá. É uma delícia amar onde você mora.
  11. O Peri, o gatinho, depois de ter desaparecido por 55 dias, foi achado e se recuperou bem e agora é só MUITO fofo.
  12. A Pequi, a outra gatinha, sabe ser amada do jeitinho frio dela.
  13. Minha irmã foi chamada para o concurso e até já começou a trabalhar (hoje!).
  14. Descobri que não sou tímida, dando entrevistas em jornais e na televisão.
  15. Descobri que sou destemida, fazendo coisas até mesmo estúpidas.
  16. Voltei a amar meu cabelo.
  17. Na maior parte do ano, não cultivei uma relação de ódio com meu próprio corpo.
  18. Fiz amizade com um grupo maravilhoso de mulheres que me fazem bem diariamente.
  19. Reafirmei cada vez mais minha atuação como feminista e consegui com o a Grupa levar para todos os jornais o discussão do machismo no futebol.
  20. Fui reconhecida positivamente muitas vezes no trabalho.
  21. Consegui contar para a minha mãe um dos maiores segredos da minha vida.
  22. Fiz cursos relacionados à minha área de trabalho e me tornei mais qualificada.
  23. Me descobri extremamente fiel aos meus valores e leal aos meus amigos, e gostei de sê-lo.
  24. Minha admiração pela minha chefe cresceu exponencialmente nesses momentos de crise.
  25. Fui a campo ver o Galo todas as vezes que quis ver e nunca me faltou companhia de qualidade.
  26. Estou bem boa em idealizar pequenas coisas e concretiza-las, como uma parede de posteres no meu quarto.
  27. Pude ajudar mais financeiramente mais em casa.
  28. Fui às paraolimpíadas e vivi um pouquinho o meu sonho olímpico.
  29. Voltei a apoiar causas e movimentos que eram importantes para mim antes.
  30. Fiz um pen drive com as músicas que eu mais gosto e sou muito feliz com isso, porque toda vez que escuto, peço que é um afago meu a mim mesma.
  31. Li mais que o ano passado.
  32. Fiz o melhor possível na minha vida profissional. Fui inteira em tudo que fiz e tive o máximo do meu comprometimento.
  33. Me reaproximei de todos os meus tios de parte materna.
  34. Tive momentos extremamente felizes com meus amigos.
  35. Tenho orgulho de ser a mulher que me tornei.
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My persuasion can build a nation

Estamos revisando o orçamento para fazer o ano que vem fechar positivo. Isso significa que estamos comprometendo a operação e entregas em nome de um superávit financeiro. O que também é traduzido em demissões. Foram 20 pessoas desde o início de dezembro. Ainda vão uns 20 nos primeiros meses de 2017. Dez dessas, minhas.

Ontem briguei com o meu diretor querendo manter uma pessoa até maio, enquanto ele queria março. Fechamos em abril. No meio do caminho o chamei de antiético por não cumprir as entregas e ele me chamou de rígida e inflexível, o que eu acho que sou na vida mesmo. Tenho valores e os tento defender. Mesmo que a resposta à defesa me machuque.

Na hora do almoço chorei igual uma criança. Coração partido, dor de tudo isso. Dia desses reclamei em um grupo de whatsapp de “amigos” que tava pesado. Alguém que nunca fez nada parecido, nunca foi chefe de ninguém disse “mas é fato da vida, para de reclamar”. Não é fato da vida. E não é sem dor. Ao menos eu não faço sem dor. É ônus de ser gestor. Mas dói sim.

Uma amiga minha vai para Paris. Foi, aliás. Nesse grupo  do whatsapp citado acima, um “ser” postou print  dela dizendo que ia viajar e ficou falando de inveja e que queria aquela vida fácil. Eu falei que não era fácil, que ele não conhecia a vida dela e o que foi bancar essa viagem. Falei que foi dinheiro de rescisão. Ele e a amiguinha que me mandou “parar de reclamar”, falaram que queriam a vida fácil dela. Falei para parar. Pedi para parar porque era minha amiga. Falaram que era problema meu. Saí do grupo. Na vida. Não quero essas pessoas perto de mim. Estou bem definitiva na vida.

Não bastasse todo esse contexto, inventei de ser voluntária de um programa de liderança que já fiz. Tô tentando ajudar pessoas de Guiné, Síria e Serra Leoa conseguirem visto para o Brasil. O evento é nas primeiras semanas de janeiro e estou esbarrando na burocracia brasileira. Meus amigos diplomatas não conseguem me ajudar porque tudo é extremamente separado lá dentro. Continuo tentando.

Em casa contei pra minha mãe tudo isso. Obviamente é mais importante o fato de eu ter brigado com  o diretor. Eu chamei ele de “antiético”. Ele minimizou meu trabalho. Eu tô chorando fácil. Não tinha chorado ainda. Que dia difícil. Eu bati no peito: sou corajosa e burra. Minha mãe me disse que eu sou destemida. E que nem sempre isso é bom porque eu ajo antes de pensar.

A noite  fiquei pensando e perguntei ao maravilhoso google o que é ser destemido. Acho que me descobrir destemida é uma libertação. Talvez seja uma conclusão importante de 2016: o ano que me obrigou a não ter medo.

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2017, treat me better

Esse ano eu não fui a melhor filha e nem a melhor irmã. Não fui a melhor funcionária e nem a melhor namorada. Passei longe de melhor chefe, porque onde já se viu boa chefe que demite tanta gente?

Esse ano eu não fui convidada para dois casamentos. Eu não resolvi nenhuma das coisas que mais magoa o meu coração. Eu não fui mais madura que nos anos anteriores. Eu praticamente não vi o meu pai. Eu não saí muito. Eu não consegui emagrecer tudo que havia me proposto. Eu não fui mais feliz que nunca. Eu não fui melhor que sempre.

2016 foi o ano que eu não fui quase nada do que eu queria ser.

I keep taking everything to be a sign

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Mandei um monte de gente embora e desenhei um plano de mandar mais um monte. Um financiador não renovou o melhor projeto. Senti um soco no estômago e minha cabeça tonta inúmeras vezes. Quis fugir. Fiquei com dor de estômago e sofri de culpa, odeio muito essa crise financeira. Pedi para me mandarem embora e ninguém aceitou. Vou ter aumento.

Daí caiu o avião e a incrível perspectiva meio que acalentou.  A vida é fudida mesmo, mas ela acaba fácil. Chorei muito pela Chape, parte porque eu vivo muito o futebol, parte porque MEU DEUS QUEM NÃO CHOROU?! Quero ir pra Colômbia. Pelo menos todo mundo que eu mandei embora recebeu 40% do FGTS e tá viva.

Viver tem sido tão difícil que pedi férias da academia. Prefiro ficar na minha cama vendo Netflix deitada em posição fetal.

Vi Gilmore Girls e me senti alentada da vida da Rory ser tão bosta. Até a minha vida é melhor que a da Rory. Fora que o meu avô não foi nenhum milionário.

Meu salário já caiu, parte do décimo terceiro também, esse mês ainda tem férias, Roger e outra parcela de décimo terceiro.  Comi uma panela de brigadeiro.