My persuasion can build a nation

Estamos revisando o orçamento para fazer o ano que vem fechar positivo. Isso significa que estamos comprometendo a operação e entregas em nome de um superávit financeiro. O que também é traduzido em demissões. Foram 20 pessoas desde o início de dezembro. Ainda vão uns 20 nos primeiros meses de 2017. Dez dessas, minhas.

Ontem briguei com o meu diretor querendo manter uma pessoa até maio, enquanto ele queria março. Fechamos em abril. No meio do caminho o chamei de antiético por não cumprir as entregas e ele me chamou de rígida e inflexível, o que eu acho que sou na vida mesmo. Tenho valores e os tento defender. Mesmo que a resposta à defesa me machuque.

Na hora do almoço chorei igual uma criança. Coração partido, dor de tudo isso. Dia desses reclamei em um grupo de whatsapp de “amigos” que tava pesado. Alguém que nunca fez nada parecido, nunca foi chefe de ninguém disse “mas é fato da vida, para de reclamar”. Não é fato da vida. E não é sem dor. Ao menos eu não faço sem dor. É ônus de ser gestor. Mas dói sim.

Uma amiga minha vai para Paris. Foi, aliás. Nesse grupo  do whatsapp citado acima, um “ser” postou print  dela dizendo que ia viajar e ficou falando de inveja e que queria aquela vida fácil. Eu falei que não era fácil, que ele não conhecia a vida dela e o que foi bancar essa viagem. Falei que foi dinheiro de rescisão. Ele e a amiguinha que me mandou “parar de reclamar”, falaram que queriam a vida fácil dela. Falei para parar. Pedi para parar porque era minha amiga. Falaram que era problema meu. Saí do grupo. Na vida. Não quero essas pessoas perto de mim. Estou bem definitiva na vida.

Não bastasse todo esse contexto, inventei de ser voluntária de um programa de liderança que já fiz. Tô tentando ajudar pessoas de Guiné, Síria e Serra Leoa conseguirem visto para o Brasil. O evento é nas primeiras semanas de janeiro e estou esbarrando na burocracia brasileira. Meus amigos diplomatas não conseguem me ajudar porque tudo é extremamente separado lá dentro. Continuo tentando.

Em casa contei pra minha mãe tudo isso. Obviamente é mais importante o fato de eu ter brigado com  o diretor. Eu chamei ele de “antiético”. Ele minimizou meu trabalho. Eu tô chorando fácil. Não tinha chorado ainda. Que dia difícil. Eu bati no peito: sou corajosa e burra. Minha mãe me disse que eu sou destemida. E que nem sempre isso é bom porque eu ajo antes de pensar.

A noite  fiquei pensando e perguntei ao maravilhoso google o que é ser destemido. Acho que me descobrir destemida é uma libertação. Talvez seja uma conclusão importante de 2016: o ano que me obrigou a não ter medo.

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