Aqui, eu sou assim

Eu tenho um defeito muito grande, que é não saber ficar feliz direito.

Quando coisas boas acontecem, eu não fico o tempo todo histérica-radiante-risonha, mas começo a racionalizar as mudanças e ficar preocupada em como me preparar.

As pessoas perguntam “mas você  não tá feliz?” e embora eu esteja sim, eu fico preocupada com tanta coisa em aberto.

Olha só, não é que eu não queira sair por aí gritando e festejando e gargalhando e oprimindo as pessoas com a minha felicidade. É que eu nem sei como as coisas vão ser.

Daí tem um monte de gente que, com  a notícia da minha mudança, pergunta: “e aí, quando você vai fazer uma festa de despedida pra gente?” . Tenho que negociar meu contrato novo, fazer toda a parte contábil,  decidir meu cronograma, achar onde morar, comprar um carro e transferir um monte de coisa, mas realmente deixa eu parar aqui e planejar como eu vou gastar dinheiro fazendo uma festa para um monte de gente que nem no eu aniversário foi.

Eu realmente tenho um defeito muito grande, que é que a minha felicidade não é suficiente para as pessoas.

 

(e um pouco de amargura e rancor, mas isso são outros defeitinhos)

Em cada letra estampado um coração

Mandei um versinho pro namorado depois de muito choro ontem, muito choro hoje (antes das oito!).

Melhor versinho, desses que a gente tromba sem querer e magicamente fala justamente  com a nossa alma. Obrigada, poetisa, por me traduzir sem me conhecer.

Amar
profundamente
mas testar volta e meia
se ainda dá pé

Ana Martins Marques

(para mandar o verso e fazer sentido, tive que traduzir o poema. Minha vida é essa, uma enorme tradução de sentimentos)

 

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Se decidir bater asa

Eu não costumo emprestar livros. Se eu empresto, é porque eu acho que a pessoa precisa de ler aquilo pra ser melhor. Incrivelmente, quis a vida que dois dos meus livros favoritos fossem emprestados para pessoas com as quais rompi relações justamente quando elas aí da estavam com eles.

O primeiro caso foi ridículo. O cretino tinha emprestado o meu livro amado para outra garota e não tinha coragem de pedir se volta. A loca *eu* mandou depoimento no Orkut para pedir o livro. A menina tava em Porto Alegre e mandou por correios para Belo Horizonte. Meu Persepolis maravilhoso.

Já nesse caso de agora, meus livros lindos do Liners já estavam há anos com uma pessoa. Rompida a relação, pedi para uma amiga em comum pegar de volta. Demorou mais de um ano para vê-los retornarem.

Livro devolvido depois de briga dá uma sensação de orgulho recuperado. Nunca deixem seus livros pra trás, crianças.

Esse é meu conselho de hoje.

Passo 1

Num ato de coragem, ou covardia, fui buscar no meu pai ajuda financeira para minha tão próxima mudança. Enquanto eu pisava no meu orgulho – e quem sabe até fazia valer meus direitos como filha – meu pai quis me mostrar foto da filha que ele tem… e que eu não conheço. Nas fotos da menina, uma foto minha criança no meio: “é para mostrar para as pessoas o tanto que ela parece com você”. É meio assustador como, na ausência do meu pai, ele veja alguém todos os dias que se pareça cada dia mais comigo. É absurdo o tanto que eu me reconheci nessa criança que nem nunca conheci, que o nascimento significou o abandono do pai que compartilhamos . Ela, com esses olhos, boca e nariz que vejo no espelho todos os dias.