Te mando um monte de notícias

Minha vida na Bahia em 6 atos.

(eu fazia esse tipo de post no meu início em Washington. :))

I

Viemos de carro desde BH. Meu carro novo é usado, e rapidamente comecei a ficar desesperada com ele e tive que gastar vários dinheiros com concertos, ainda em BH. Definitivamente, não sei comprar carro usado e meu coração dói toda vez que eu penso que todo meu FGTS foi nele.

A parte importante é que ele anda, e mais essencial ainda, me trouxe para Lauro de Freitas numa emocionante viagem de 20h. Demos ao coitadinho o mineirinho nome de Ora-pro-nóbis. Minha mãe quis dividir a jornada e três trechos para chegarmos aqui de dia. Até a chegada, achei que a precaução era em vão, porém o Google Maps, esse enorme amigo, nos apontou o ponto errado da minha rua e eu comecei achando que ia morar no meio da favela.  Se fosse a noite ia ser bem pior. Ainda bem que mamãe está aqui.

Cansada com os três dias de viagem, e emocionalmente exausta com uma mudança de cidade – dormi a última noite em BH chorando por todas as saudades antecipadas – chorei uma vez mais ao não achar o condomínio. Mas acabou que depois encontramos meu prédio que fica meio de galpões e uma rua estranha. O condomínio tem garagem coberta, piscina e academia. Resolvi morar aqui mesmo.

II

Quis voltar para casa várias vezes e desistir de tudo. O número de vezes dessa vontade diminui à medida que os dias passam, mas sempre dá uma aumentada quando pego um trânsito muito ruim. Rapaz, a galera aqui dirige mal demais. É assustador. Minha mãe tem sido essencial para eu não surtar. Mas fora o trânsito, e a cidade, que é feia, estou conseguindo me ajeitar e vou findar essa semana com todas as minhas burocracias solucionadas. Meu contrato de aluguel tá quase pronto, aluguei um apê mobiliado com uma estrutura legal. Gastei vários dinheiros comprando coisas pra casa, mas acho que vai dar pra ser feliz aqui.  O mais essencial, que é a internerd, tá instalada. Consegui ver jogo do Galo e a “não renuncia” do Temer. Mamãe fica até dia 1º. Já tô com saudades. Namorado chega dia 15. Tô com muitas saudades.

III

Ainda não fomos à praia. Maio é um mês extremamente chuvoso no famoso recôncavo baiano (que eu nem sabia o que era – e é impressionante minha ignorância com relação à Bahia), e o único dia de sol era justamente cheio de compromissos marcados. Porém já comi acarajé e moqueca. Aqui o inverno tem sempre acima de 22 graus. 30 é normal. Bom que no verão, quando for mais quente, vou estar escolada. Mesmo chovendo, faz sol e calor na Bahia. Espero que mamãe consiga ir à praia antes de ir embora. Mas em agosto ela volta, ao menos.

Nessa época do ano o sol aqui se põe radicalmente cedo. Mas já vi que no verão teremos dias deliciosamente um pouco mais longos.

IV

Tive um epicentro da minha crise de “quero voltar para casa!”, quando no shopping me dei conta que meu celular, que eu tinha levado na mão (irresponsabilidade tremenda), não estava comigo. Chora, grita, volta na loja, procura. Padastro foi no carro checar nas sacolas que tínhamos guardado no carro, mamãe volta nas lojas e eu só falo (tal qual criança mimada que estou sendo) “ODEIO ESSE LUGAR EU QUERO IR PRA CASA!!!”. Não achado o celular, fomos numa loja no mesmo shopping, compramos chip com DDD 71 e celular novo. Praticidade da minha mãe, porque eu queria era correr para BH.

Chego em casa já de celular novo quando EIS QUE o celular tava em uma das sacolas. Escrevendo essas linhas, dias depois, ainda quero matar o marido da minha mãe.

(Menos mal, não perdi o celular. Mas resolvi manter o número e cancelar o outro mesmo).

V

Já fui no cartório, nos correios, em gráficas, em 6 supermercados (socorro), em shopping, no banco, em órgãos da prefeitura. Já contratei internet, já tenho telefone daqui, já tenho até mesmo endereço. Começo a reconhecer as ruas e entender a cidade. Conheci até agora pouquíssimos baianos, então meu mineirês tá quentíssimo. Meus vizinhos de andar abrem a porta quando faz calor e são fáceis de conversar.

Segunda começo a trabalhar.

VI

Estou ansiosa e animada com o início das minhas atividades.  Uma colega de trabalho se ofereceu para me encontrar no meio do caminho e me guiar até a fábrica! E eu, que fiz uma mala pensando no calor de Salvador, já tenho uma viagem marcada para São Paulo em junho na qual vou apenas ser apresentada ao presidente mundial do meu trabalho e também morrer congelada.

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One thought on “Te mando um monte de notícias

  1. dia desses, eu estava conversando com uma amiga justamente sobre como eu admiro e acho foda as pessoas que encaram a vida em outra cidade, estado ou país.

    (ela é de são paulo, como eu, e já morou em londres.)

    desejo que seja um começo leve, e que você consiga se encontrar. mudanças são assustadoras, mas você já deu um passo que exige coragem e determinação enormes.

    boa sorte e manda notícias! :)

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