We deserve better than us

Se uma pessoa importante da sua vida de te magoou, briga com ela. Grita, berra, exige atenção. Pode incomodar a pessoa sim, não importa se ela acha que não é para tudo isso. Porque tem que ser tudo isso sim. Ou uma hora, acaba.

Quem magoou tem que saber que magoa. Porque só assim corrige, só assim melhora. “Eu não gosto quando você fala assim comigo” pode vir com a resposta de “Me desculpe” e tudo sara, tudo cura, tudo corrige. O que não dá é pra escutar MAIS UMA VEZ a pessoa falar com você DAQUELE JEITO e você aguentar calado, só nutrindo mágoa, ressentimento ou como falam no manual da internet moderna, RANÇO.

Não deixe sua magoa ser unilateral. Pelo menos se odeiem em conjunto.  Porque só FALANDO existe espaço por perdão. Ou pro ódio, vai que vocês são mesmo INCAPAZES de se manterem juntos e só tão se mutuamente fazendo sofrer em vão?

Senão é só um relacionamento fingido, não sincero, um tentando não incomodar o outro mas aguentando mais do que tem obrigação de aguentar.

Ninguém se magoa por querer. Ninguém (quer dizer, fora os psicopatas) é genuinamente mal. Duvido que alguém acorde com o objetivo do dia de te fazer sofrer. É toda essa humanidade, essa nossa vaidade, esse nosso egoísmo que sem querer derrapa a fere os outros (ou se deixa ferir).

Então BORA CONVERSAR. TER DR. ME ESCUTA AQUI, DESGRAÇA, BORA FALAR SOBRE A GENTE!!!

Porque uma hora os sentimentos não falados se tornam insustentáveis e vem o inesperado (porém se você pensar bem, super previsível) momento de rompimento. E o outro (que pode ser você) fica ali com cara de besta sem entender porque fulana saiu do grupo, porque não foi convidado pro casamento, porque de repente o a gente deixou de existir.

BORA QUEBRAR O PAU.

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Scott Fitzgerald manda a dica:

In my younger and more vulnerable years my father gave me some advice that I’ve been turning over in my mind ever since. “Whenever you feel like criticizing any one,” he told me, “just remember that all the people in this world haven’t had the advantages that you’ve had.”

― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

Those broken peaces, I picked up

Meu pai tem uma filha que eu não conhecia. Ele me disse faz uns meses que essa menina parecia comigo, e isso me incomodou muito. Com uma criança que eu não conheço vai ter minha cara?

Quando essa menina nasceu, meu pai escondeu da gente. Ele era casado com a mãe dela já, não era nenhuma traição. Mas contou meses depois, introduziu com um "vocês vão ficar bravas comigo, eu tive uma filha" e disse "é que a Juju (Deus me livre se você que tá lendo tem apelido de Juju, que apelido RIDÍCULO) não queria vocês envolvidas no processo".

Não sei se a maldita da Juju quis ou não quis a gente envolvidas no processo de gravidez dela e nascimento do bebê, mas sei que quando descobri isso, eu me senti abandonada. Meu pai fez uma outra família e sem ter razão real escolheu esconder da gente. Eu nunca fiz questão de conhecer a criança, e meu pai não teve menor vontade de nos fazer parte da vida dela.

Ele deixa claro que reconstruiu a vida e que tem outra família. Mau pai não nos dá apoio emocional ou financeiro, e diz que é pelo recomeço de vida. Vai ver que na cabeça dele uma pessoa de 32 anos não precisa mais de pai.

A minha irmã nova tem 4 anos e meu pai a levou pra nos conhecer. Ele fez isso da maneira mais absurda e ridícula possível, como só ele mesmo poderia ter feito. Não perguntou se a gente queria, se aceitava. Não deixou a gente preparar a cabeça e muito menos o coração. Só chegou aquela menina lá, que afinal de contas nem tem tanto assim minha cara, mas uma parte importante dos meus sobrenomes. Só não fomos embora por causa dela. Dos traumas paternos, bastam os meus. Imagina crescer com a imagem das suas irmãs mais velhas saindo correndo putas do restaurante depois de te conhecer.

A gente ficou e ela sabe que somos irmãs.

Em determinado momento ela soltou:
– Quem chama Alice aqui, levanta a mão.

Então minha irmã de 4 anos também sabe quem sou e o meu nome. O nome dela é Angelina.

Não significou absolutamente nada esse encontro, porque ele não significa que ela vá existir nas nossas vidas. Quem sabe uma vez por ano quando meu pai decidir sentir culpa por ter ignorado nossa existência nos últimos 11 meses, ele leve a criança em um novo encontro?

2018

Eu nunca tinha morado em um lugar com mar. E olha que eu já morei em muitos lugares. Eu já fui pra longe e perto. E então finalmente cheguei ao mar.

Quando eu conto que fui, me perguntam quem eu tinha lá. Tinha eu. “Que corajosa”, dizem. Sou mesmo.

Chorei um mar em 2017. Buscando a mim mesma, encontrei solidão. Mesmo com coragem, tive medo. Mas 2018 vem com a certeza de companhia. E mais coragem.

Que em 2018, quando me perguntem quem eu tinha, comentem “que amada”.

Meu desejo pra 2018 é que todo mundo vá me visitar na Bahia.