Those broken peaces, I picked up

Meu pai tem uma filha que eu não conhecia. Ele me disse faz uns meses que essa menina parecia comigo, e isso me incomodou muito. Com uma criança que eu não conheço vai ter minha cara?

Quando essa menina nasceu, meu pai escondeu da gente. Ele era casado com a mãe dela já, não era nenhuma traição. Mas contou meses depois, introduziu com um "vocês vão ficar bravas comigo, eu tive uma filha" e disse "é que a Juju (Deus me livre se você que tá lendo tem apelido de Juju, que apelido RIDÍCULO) não queria vocês envolvidas no processo".

Não sei se a maldita da Juju quis ou não quis a gente envolvidas no processo de gravidez dela e nascimento do bebê, mas sei que quando descobri isso, eu me senti abandonada. Meu pai fez uma outra família e sem ter razão real escolheu esconder da gente. Eu nunca fiz questão de conhecer a criança, e meu pai não teve menor vontade de nos fazer parte da vida dela.

Ele deixa claro que reconstruiu a vida e que tem outra família. Mau pai não nos dá apoio emocional ou financeiro, e diz que é pelo recomeço de vida. Vai ver que na cabeça dele uma pessoa de 32 anos não precisa mais de pai.

A minha irmã nova tem 4 anos e meu pai a levou pra nos conhecer. Ele fez isso da maneira mais absurda e ridícula possível, como só ele mesmo poderia ter feito. Não perguntou se a gente queria, se aceitava. Não deixou a gente preparar a cabeça e muito menos o coração. Só chegou aquela menina lá, que afinal de contas nem tem tanto assim minha cara, mas uma parte importante dos meus sobrenomes. Só não fomos embora por causa dela. Dos traumas paternos, bastam os meus. Imagina crescer com a imagem das suas irmãs mais velhas saindo correndo putas do restaurante depois de te conhecer.

A gente ficou e ela sabe que somos irmãs.

Em determinado momento ela soltou:
– Quem chama Alice aqui, levanta a mão.

Então minha irmã de 4 anos também sabe quem sou e o meu nome. O nome dela é Angelina.

Não significou absolutamente nada esse encontro, porque ele não significa que ela vá existir nas nossas vidas. Quem sabe uma vez por ano quando meu pai decidir sentir culpa por ter ignorado nossa existência nos últimos 11 meses, ele leve a criança em um novo encontro?

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