E eu vou torcer pra ser você e eu

De longe. Tão longe que pareceu seguro. E eu fui abrindo um coração que tava fechado há anos. E mesmo longe, às vezes perto, uma certeza de amor.

Amar e ser correspondida. Das mil dúvidas, somente a certeza tinha amor ali.

Em 10 dias elas acabam: na minha casa vai ter eu e você.

E ela vai passar a ser nossa.

tumblr_o9cy9rYenN1sufurvo1_1280.jpg Ao meu lado.

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A mí me gustaba que escribían poesías

Duas pessoas talentosas e incríveis da minha juventude se mataram nos últimos 15 dias. Meu coração está apertado. Não impera um senso de injustiça, mas de impotência. Porquê essa escolha?

Dá vontade de falar pra todo mundo: se cuida. Leva suas dores a sério. Não deixa viver ficar insustentável. Pede ajuda.

Eu, egoisticamente, queria ter tido a oportunidade de exercer mais carinho e admiração . Mas sei que nada que ninguém tivesse feito evitaria o caminho.

Tanto futuro. Tanta pena. Estou arrasada duas vezes.

Someone’s gotta give, someones’s gotta break

Quando eu entrei na firma, tive logo em seguida o desafio de participar de uma reunião com executivos de fora do país e reportar resultados que ninguém tava controlando até então. Então me mandaram ligar pra ela. Luiza.

Liguei, peguei os resultados e passei a me relacionar com frequência. Tudo okay.

Em meados de outubro, 5 meses já de firma, a conheci pessoalmente. Reunião empolgante sobre o projeto. Devo ter repetido Luiza inúmeras vezes.

Tudo okay.

Nos emails seguintes, reparei na assinatura de e-mail com o nome errado. Faltava um a ali. Mas eu continuei a mandar e-mails “Luiza”, “Luiza”, “Luiza”…

Até que me mandaram um e-mail que o ponto focal do relacionamento tinha mudado e era outra pessoa. Tudo ainda okay.

Ontem, antes de dormir me deu uma curiosidade sobre uma data do nosso projeto. Entrei no site para checar. Aparece o nome do responsável pelo projeto: sem a. Era Luiz. Not okay.

Me deu um incômodo. Ponho no Facebook. É Paul. É trans. É ele.

Um adesivo de invisibilidade trans na foto do Facebook já me alerta: eu sou uma das que não vê.

Nunca pensei que o Luiz não podesse ser Luiza, nunca pensei que aquela pessoa era qualquer coisa além de cis gênero. As roupas e o estilo? Lésbica mais masculina, porque eu teria problema com isso? Eu me recusei a ver.

Eu morri de vergonha. Eu morri de tristeza. É tão importante para mim, eu sou tão solidária à luta.

Quero me desculpar sem parecer que é sobre mim. Não é minha consciência que tem que ter um alívio. É uma existência onde o outro te nega o direito de ter o gênero reconhecido mesmo que a assinatura de e-mail evidencie ele.

Shame on me. :(