If the sun don’t shine on you today

Essa é uma carta para você que está bem triste:

Eu tenho uma mania de fazer as coisas sobre mim, mas isso seria injusto porque nunca estive triste assim. Dias difíceis vem e vão, mas me acomete mais ansiedade do que vontade de morrer. A ansiedade parece mais vontade de implodir enquanto existo do que vontade de morrer propriamente. Então não tenho nem lugar de fala. Mas essa fala é sobre você e estar só.

É muito difícil construir um lugar feliz quando se está sozinho. A solitude só é bonita na plenitude, então não dá muito bem para encarar a solidão de peito aberto em um momento de incerteza. Porém a vida não se importa muito se é o momento certo ou errado, ela só acontece.

Eu não sei se você tem medo de isso nunca passar ou vontade que não passe mesmo, porque isso que deve ser a vontade de morrer, achar que é melhor não existir e nem ter esperança que as coisas passem. Eu tenho sempre esperança que vou ser feliz, e é por isso que não sei dizer sobre ser triste assim.

Não existe receita pra melhorar, embora o médico possa te receitar algumas coisas que balanceiem a parte química.

Agora vou ser ousada: faz diferença respirar e faz diferença gritar. Mas é uma respiração que é o centro do mundo que você precisa fazer. Você tem que inspirar e respirar e se concentrar nisso até que a única coisa que exista na sua cabeça seja o foco em respirar. Respirar pesado, super oxigenar o cérebro.

E quando você terminar, você grita.

Você que está bem triste, siga esse conselho acima. Mas não se esqueça de seguir também as recomendações médicas.  Faz diferença falar, mas não é com amigos. Agora vou te dizer uma real antes que a sua depressão faça isso parecer ainda pior: ninguém se importa tanto assim com você.

Seus amigos não vão te dar a atenção que você precisa agora, principalmente eu mesma, que inclusive me importo um tanto muito. Não é que a gente seja ruim, e que gostemos de outros mais do que de você. É que a vida não é nenhuma brisa e tá todo mundo tentando sobreviver. Ninguém sabe também escutar de verdade sem que ecoe por dentro e o risco é sempre no nosso egoísmo virar sobre nós mesmos, e não sobre você. Então faz diferença falar, mas com alguém que te tenha como prioridade te escutar. E nada prioriza mais que uma relação de trabalho. Pague pela sua escuta.

Você que está triste demais, eu não posso te oferecer minha mão ou meu ombro – seria mentira, né, já disse acima. Mas queria te lembrar que estamos todos juntos tentando enfrentar os nossos demônios.

Os meus são diferentes dos seus, mas eu também já me senti sozinha demais. E minha solidão, infelizmente, só melhorou com coragem e esforço. Eu tive que sair de casa, tive que falar mais,  tive que me expor também. Também tive que chorar muito – mesmo não tendo depressão, eu fiquei muito triste (talvez tenha flertado com a depressão).

Te desejo força. E que você consiga um dia ter esperança que vai melhorar.

Essa carta ficou uma bosta, mas como ela é sobre estar só, e não sobre você ou sobre mim, está tudo bem. Sentir solidão é uma bosta.

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You better not make of yourself another fool

Essa é uma promessa pessoal instrasferível:

 

Eu nunca mais vou implorar pela amizade de ninguém ou me lamentar por amizades rompidas unilateralmente. Pedir desculpas por mal entendidos, ok.

 

E paro aí.

 

Recado para mim mesma: meu orgulho é tão importante quanto o dos outros.

Breake all the rules against our freedom

Eu realmente me importo com o direito ao aborto.

É importante para mim que as mulheres tenham direito e acesso ao aborto legal, seguro e livre. Se você não concorda, tudo bem. mas lê aqui:

Toda a responsabilidade de anticoncepção é da mulher. Diu, pílula, tabelinha, e até mesmo “garantir” que o parceiro use camisinha, é da mulher. A sociedade cobra dela isso. “Engravida quem quer, existem mil métodos”. O que pouco se discute é que nenhum deles é 100% efeitivo.

Porque engravida quem quer e anticoncepção é responsabilidade feminina, a gravidez também é só da mulher. Mães solteiras existem aos montes. Pais que nunca registraram não dá nem pra contar, estão em branco centenas de certidões de nascimento.

Não vou nem entrar na discussão dos pais que registraram as crianças mas não são pais. Eles tantos, que sumiram no mundo, não pagam pensão ou tem um papel mínimo. Não preciso nomear exemplos, todos vocês os conhecem.

Então é só dar pra adoação.

Adoação, né. O sistema de adoação, em si, é lento. anos esperando… esperando por um bebê, branco. E adivinha? A maioria já é criança, e preta. Casas lares cheios de crianças nunca adotadas, já que depois que passa dos cinco anos, as chances de adoação são mínimas. Crianças que crescem dentro do sistema e só saem expulsas, aos 18 anos.

O aborto legal, livre e seguro não é prioridade para mulheres como eu, de classe média. Eu, se vier engravidar e escolher não ter a criança, me viro. Tenho dinheiro pra uma clínica que, embora tenha seu risco, pelo preço garante alguma qualidade. Mas e as pobres?

A maior parte das mortes por aborto clandestino são mulheres pretas e pobres. Outro dia mesmo mais uma morreu com um talo de mamona no útero. mãe de 3 filhos já.

O sistema conservador afirma que quer “proteger as duas vidas”, não protege nenhuma. As mulheres pobres morrem em carniceiros, as crianças que nascem, crescem sem um sistema de segurança e qualidade de vida básicos. Tá protegido quem?

Você é contra o aborto? Então talvez o efetivo seja lutar por educação sexual de qualidade e acesso a planejamento familiar.

Porque o aborto nunca vai parar. Quem quer, aborta.

Aborta mesmo que seja colocando a sua própria vida em risco. Isso porquê muitas vezes aquela criança seria um risco para a vida – não por questões de saúde física, mas saúde mental, peso financeiro, impossibilidade de criar e falta de apoio familiar.

O aborto clandestino mata. E é por isso que o aborto é uma questão de saúde pública. E das mulheres.

Porque o homem nesse texto todo só fez uma coisa: foi ausente.

 

Skip the conversations and the “oh, I’m fine”s

Eu tinha um grupo recente de amigas. Ele parecia perfeito. Pertencimento, amor, cumplicidade. Mulheres que queriam amadurecer apoiando-se e construir sororidade. Aí teve um rolê que umas não convidaram as outras, seguido de um ano novo com um pouco de cinismo e terminada com uma viagem que o grupo que rompeu fez junto e selou: as dos grupo original ou eram falsas, ou manipuladas.
Eu lá na Bahia não tive direito nem a opinião própria. Numa amizade que eu alimentava por whatsapp, fiquei assistindo aos conflitos alheios e dores de quem fica (confusas) e quem vai (cheias de certeza) – o ficar e sair nem é metáfora, as meninas foram saindo mesmo uma a uma do grupo de whatsapp).
Passadas todas as saídas, que bom que se foram. Tão ruim conviver com quem não quer ficar. Independente dos motivos, se teve fofoca ali ou fofoca acolá, quem quer ir embora tem que ir e quem quer ficar que abra seu coração para tornar o ambiente saudável novamente (spoiler: ninguém abriu).
Eu tenho um grupo não tão recente de amigas. Ele é imperfeito.