I’m willing and able

Faz quase um ano e meio que mudei minha vida inteira por um emprego. Não foi nenhuma loucura: salário bem maior, multinacional conhecida e um cargo que eu almejava. Vim.

Mas não foi sem dor. No nível pessoal abri mão de todo meu conforto de estar em um lar que só me faz bem. Abri mão dos meus amigos de toda a vida, do conforto de estar cercada de gente que me conhece e que eu tenho sem esforço. Abri mão da minha cidade. Tudo novo.

Mas também já era hora: com mais de trinta anos ainda morava com a minha mãe e com o salário antigo, sinceramente, não tinha como eu sair de casa não. E existia sempre a pressão de querer ser melhor, de querer crescer mais e mais. Tinha sempre aquela vozinha: “você vai se contentar com isso?”.

Falando em salário antigo, vira e volta me dá saudades do emprego antigo. Eu tinha tanto poder, eu tinha uma capacidade tão grande de tomada de decisão, era peixe grande (apesar do salário pequeno). Mas basta eu passar uma hora conversando com alguém de lá e lembro de todas as confusões daquela turminha do barulho e fico com alívio de estar aqui e não lá.

Aqui tudo é grande demais para qualquer pessoa ser peça muito relevante, então tudo é mais impessoal. Aqui é tudo by the book, compliance,  budget, feedback, call e todo o jargão corporativo. De repente virei multinacional. E não acha que foi fácil me acostumar com a cultura. Não foi. Demorei meses para aprender a trabalhar aqui e ser eficiente fazendo-o. A cultura que me dominou aonde eu vim não é a local, é a da empresa.

Vira e volta as pessoas ainda me perguntam se eu estou amando a Bahia. Como se a vida fosse umas férias eternas. Não, não estou. Minha rotina é pesada. O trânsito é péssimo. Não fiz tantas amizades (em 2017 quase-morri-de-solidão). Não vou na praia mais que um punhado de vezes ao ano. Mas é bem bonito por essas bandas, não posso negar. E falta um esforço pessoal também, confesso, em me apaixonar por aqui.

Tinha meio que me prometido fazer isso em 2018, mas ganhei do universo o meu amor aqui comigo. E daí não há Salvadô que me chame quando meu amor tá dentro da minha casa. Às vezes quero mata-lo. Às vezes parece que eu tenho um filho grande. Meu Deus, como é intenso viver tudo isso. Um estado novo só para nós dois. Enfim, viemos. Eu atrás de uma carreira, ele atrás de mim.

Porque agora somos dois nesse lugar novo e todos os sonhos que a gente quiser inventar.

 

 

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