Algo va a quedar adentro tuyo siempre

Voltei para a terapia.

Comecei ontem. No final da sessão, a terapeuta vira para mim e diz: “Alice, você parece um pai de família com 4 filhos que é arrimo de família com toda a pressão do mundo e medo de não dar conta, mas é tudo imaginário”.

Plaf na minha cara.

Meus medos são imaginários. Inventados por mim mesma. Em um querer sofrer, em um gostar de sofrer.

Lembrei de um poema do Leminski:

Bem no fundo
no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas