Tú puedes decidir los colores

Eu não estou na minha melhor fase, mas a vida não espera a melhor fase. Fora as crises de ansiedade, sempre presentes, um certo ranço com relação ao trabalho e momentos de ajustes no relacionamento, minha orelha resolveu rejeitar minhas bijouterias. Parece a parte menos importante do pacote, mas não é. Brinco para mim é algo muito grande para a minha autoestima, feminilidade e esbarra nos meus conceitos próprios de beleza. E bem, cá estou eu já há semanas vivendo sem brinco.

Aí eu decidi que eu deveria cortar meu cabelo, porque ao menos algo ficaria bom nessa vida. Parte da fase ruim era o cabelo, inclusive. Tava sem brilho, cacheando pouco. E poxa, meu cabelo é meu ponto forte. É a minha parte mais bonita. Tava feia.

O corte, que tem 2 dias, deu certo. Meu cabelo novo tá bonito e veio com alguma energia nova e, ao contrário de Sansão que perde força sem o cabelo, eu ganhei. Tirei várias fotos, mandei pra todo mundo que eu gostava e fiquei feliz com os elogios, fingindo que vai ficar tudo bem na vida.

Me contaram que se passar base na haste do brinco, a parte que fica na orelha, ajuda.

Nossa, já tá tudo dando certo. Tá sim. Olha só.

It’s time to be a big girl

Ultimamente eu tenho mais crises de ansiedade por pensar que não vou conseguir dar conta de tudo do que crises reais de não dar conta das coisas.

Toda dor é inventada. Eu tenho dado conta de tudo, mesmo que não seja fácil, porque sofrer tanto? Me sinto como se fosse uma pessoa que é arrimo de família, mal paga as contas, tem dezenas de pessoas sob sua responsabilidade e estivesse a um fio de perder tudo. Mas não é nada disso. Tá tudo, na verdade, quase ok.

Aí eu respiro e penso: realmente. Tá tudo indo bem.

Óbvio que a vida não é perfeita, tem uma série de coisas, tipo uma questão de saúde e exames invasivos, o carro com defeito e pressões do trabalho.

Sabe, racionalmente eu sei que eu vou dar conta. Eu vou chegar de viagem de trabalho no meio da madrugada, acordar cedo sábado e ir ao médico… e depois ao mecânico… e antes das 13 vou estar em casa. Se precisar tirar um dia de trabalho para fazer home office para resolver a questão do carro eu provavelmente consigo negociar.

Racionalmente assim, é só a vida passando: coisas quebram no mesmo dia que você vai viajar a trabalho e tá cheia de coisas para fazer. Não é nenhuma grande tragédia. Não precisa de nenhum surto histérico.

Perspectiva: tem gente lidando com dor de perder alguém, tem gente lidando com doença… A vida deles segue também.

Respira. Racionaliza. É tudo imaginário. Não sofre por antecedência por um sábado que você não vai poder descansar depois de uma viagem. Acontece.

Sobrevivirei a isso tudo. É a vida. Eles passam. Eu passarinho.

(Postei surtado de autoterapia no avião)