Vivió aquella vez como si fuese última

Inspira.Expira.

Você não tem controle nenhum do que vai acontecer no mundo. Não tem plano de férias. De ir pra BH. De fazer passeios. De nada.

É só existir. Acordar todo dia e cumprir uma lista básica de afazares. De segunda a sexta no meu carderno com o nome da firma. Que tá acabando. Não tem como repor. Onde vai a lista?

Respira.

Sábado e domingo deveriamos limpar a casa. Já eu li um livro de 600 páginas entre sexta depois do expediente e domingo a noite. Teve um desses feriados que foram adiantados que eu virei a noite jogando videogame. E teve mil séries assistidas, maratonadas.

Inspira.
Expira.

Eu ligo pra minha mãe quase todo dia, mas fora ela e minha irmã, e incrivelmente, meu pai, não tô falando com muita gente. Acorda, trabalha, almoça, arruma cozinha, trabalha, lancha, vê tv e dorme. Segunda, terça, quarta, quinta e sexta.

Eu ouço música. Coloro aqueles livros velhos que saíram de moda e que na quarentena faz sentido terminar. Jogos joguinhos, leios livros e como. Como muito.

O namorado vira: porque não fazemos dieta?

Dieta na quarentena quando eu estou há segundos e a segundos de uma crise de ansiedade. É cada coisa que a gente escuta.

Em casa, guardada por Deus e contando meus metais

Uma das minhas organizações sociais favoritas acabou. Não resistiu a pandemia. Essa e mais muitas vão falir, projetos paralisados etodo dinheiro da área social indo para combater a pandemia.
Mais de 30 mil pessoas morreram no nosso país de coronavirus. A gente tá trancado em casa desde março, sem saber quando vai sair. Outro dia, numa reunião da empresa, falaram setembro… mas talvez falaram que quem quiser ficar de ficar em casa até dezembro, vai poder.

O ano inteiro sem sair de casa, presa nesse apartamento. Eu moro em outra cidade, que não é a minha. Meu namorado mora em outro país, que não é o dele. A gente não pode ver nossas famílias (quer dizer… nem que mora na mesma cidade da família pode ver, né), mas pegar avião é algo impensável. Eu tenho uma viagem comprada ano passado, para Paris, pro ano que vem, e não sei se vai acontecer.

É muito difícil não surtar. Isso que eu tô falando só dá para pandemia, a gente está vendo essa luta racial florescendo (essa minha branquitude, elas sempre existiram). O racismo fundou nosso país é persiste bravamente. Dia desses morreu uma criança negra, filho de empregada. A patroa colocou ele no elevador sozinho e ele se perdeu no prédio. 5 anos de idade.

Isso aconteceu porque porque o trabalho doméstico é considerado essencial no país escravocrata. Dia desses um menino negro foi morto dentro de casa. A polícia invadiu uma casa cheia de criança e atirou. Lá não tinha droga. Isso aconteceu porque a política de segurança pública do Brasil é baseada em um genocídio negro. Nos Estados Unidos assinaram um homem negro. A polícia ajoelhou no pescoço dele durante 9 minutos e ele morreu. Não podia respirar. Isso aconteceu porque a polícia americana é racista.

Agora, mesmo com coronavirus, tem protestos lá e no Brasil. A gente ainda luta contra o fascismo desse governo. São tempos de desesperadores. Como não desistir? Como não resistir? Como não desesperar?

Eu aguardo, dentro de casa, por tempos melhores. Virão?