Un reste de racine, c’est un peu solitaire

Hoje é aniversário do meu pai. Faz muito tempo que não celebramos juntos. Na verdade, exatamente 7 anos, quando ele teve uma filha com a esposa e decidiu não contar pra gente "porque a Juju não queria que vocês soubessem"(????).

Aquilo ali matou a gente. A gente, como pai e filhas, que tínhamos recém renascido. Pois meu pai também tinha sido péssimo durante a separação e ficamos anos estremecidos, até que ele teve um siricutico e ficou ruim de saúde. Daí não teve amor que resiste a um pai na uti.

Mas aí ele teve uma filha e excluiu a gente do processo, mostrando que não é lá de muita confiança. E é duro e dolorido descobrir uma vez mais que o seu pai não tá nem aí pra você.

Mas a mortalidade bate, né. E durante a quarentena ele liga sempre. Em três anos que moro aqui o telefone nunca tinha tocado. Agora é a cada duas semanas. E junto dele a meia irmã, que tem 6 anos. E enfim, com tanta frequência veio a tal ligação de aniversário.

Pois hoje ela me disse que sou a sua melhor irmã, e anunciou para minha irmã que sou sua favorita. É que somos parecidas e ela deu pra se achar nas minhas fotos de infância.

Minha mini-me é a pessoa cujo nascimento tanto me fez sofrer. Ironias da vida.

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