But if this ever changing world, in which we live in, makes you give in and cry. Say live and let die.

Hoje é aniversário da minha mãe.

Meu plano era comemorá-lo ao lado dela, já que ontem seria feriado na cidade onde trabalho. Quis o mundo, o universo, a vida, o acaso, a China, a nossa irresponsabilidade, o Bolsonaro, que não. Inclusive ontem sequer foi feriado. Ele foi adiantado lá pra junho, quando achavam que no final de setembro tudo estaria controlado e que faria sentido tirar do trabalhador todos os feriados prolongados que o calendário de 2020 prometia.

Não que hoje eu fosse pra BH num bate e volta, né. Inclusive, saudades, BH. Não a vejo desde o início de janeiro.

Não vejo minha família todo esse tempo também, o que em tempos de internet não parece tão difícil, mas eu, pelos meus planos lá em janeiro, iria pra BH em abril, julho e agora em setembro. Sinto falta das minhas pessoas. Inclusive das pessoas que conquistei aqui. Em 2020 não vivi sequer na Bahia. Estou flutuando em um espaço paralelo, trabalhando por um mundo real, mas minha vida mesmo vai passando entre capítulos de série e noites mal dormidas de ansiedade. É tudo num apartamento pequeno. E idas eventuais no supermercado.

Essa noite eu dormi na cama de hóspedes e acordei com dor nas costas. Ontem tava pensando que essa cama nunca foi tão pouco usada. Minha casa é um destino popular, embora longe de tudo em Salvador. Quando eu voltar a ter hóspedes vou sugerir dormir na cama debaixo do bicama. Muito melhor. Que cama horrível.

Tenho passagem pra BH já pra dezembro. Vou passar o mês todo. Abraça gato, abraça cachorro e abraça mãe. Vou trabalhar também. E ter sonhadas férias. Que também não existiram no meu vocabulário nesse 2020.

Eu tenho saudades de uma vida inteira (menos de acordar todos os dias às 5:20 da manhã).

Talvez por um buraquinho

Muitas das minhas amigas são mães e quando eu as vejo com suas crias, normalmente penso: como é que elas dão conta?

Como dão conta de cuidar de si, de ter um trabalho e ralar tanto, de cuidar da casa, do seu relacionamento e ainda serem responsáveis pela existência completa de serzinhos totalmente dependentes?

Ser mãe é algo que me dá muito medo. Não consigo entender racionalmente porque alguém decide sê-lo. Confesso que nunca sonhei em ser mãe. Vez ou outra, transbordando de amor, tenho curiosidade de como seria uma criança metade eu e metade meu amor. Mas isso passa porque a vida é difícil como é agora. Como voluntariamente adicionar complicações? Minha mãe também me pressiona pela idade. Já tenho 35. A idade seria agora. Isso me apavora completamente. Daí penso que divertido seria criar uma criança bilíngue.

Não sei se tenho medo, se ele vira vontade, se esta é fruto da pressão. Mas o fato é único: por enquanto me falta coragem de trazer uma criança no mundo.

Não é nem pelo o mundo. Ele é péssimo e sempre foi. E ainda assim eu tive uma infância feliz e segura. Não é pelos meus genes. Minha família é até boa da cabeça. Como será que é um bebê 50% andino?

Tenho medo de me arrepender de não ter. Arrepender de ter é certeza. Mas aí já foi feito e acabou chorare.

https://youtu.be/2vQcNKXp-1w