Paz, eu quero paz

Enquanto isso eu vim pra casa da minha mãe – o que consistiu em uma viagem de avião em plena pandemia. E haja colo, gato, cachorro, comida gostosa e chorinho ao despertar (não música, lágrimas mesmo). Ao mesmo tempo que eu trabalho muito, faço terapia e torturo a mim mesma e a ele.

Em tese estou disposta a tentar reconstruir. Mas será que tenho o suficiente para isso? Amor, luz, paz, confiança? Não quero viver sendo um poço de ranço, ciúmes e insegurança.

Ontem a noite apaguei as mensagens que a amante me mandou, cobertas de fotos e prints, evidenciando tudo ali. Apaguei porque já li mil vezes. Apaguei porque já era autotortura. Apaguei porque quero tentar seguir em frente.

Cansada.

Pergunto pra ele que garante que ele não vai fazer isso de novo. Ele responde que não quer passar por isso novamente. Então não é amor, luz, paz e confiança que vai fazer ele ser fiel a mim. É medo de passar de novo por isso.

Mesmo querendo eu não vou me enganar. Eu conheço meus passos. Eu vejo meus erros.

Essa noite acordei de madrugada com crise de ansiedade. Sentia que não podia respirar, mas respirava normalmente. Senti calor extremo embora o ar condicionado estivesse ligado e minha temperatura estivesse 36.1ºC. Senti uma náusea terrível, mas não consegui sequer forçar o vômito. Entrei no google pra checar se eu tava tendo um infarto, mas depois lembrei de ataque de pânico.

Eu tenho muito trabalho para essa semana, mas nada fora desse mundo. Tive problemas com meu carro, mas nada que eu não tenha dinheiro para pagar. Ontem fiz almoço, vi jogos de futebol e meu time venceu. Mas ainda assim acordo com uma sensação de morte iminente.Eu tenho passagem comprada pra ver minha família, grana o suficiente para pagar minhas contas, capacidade suficiente para exercer o meu trabalho. Mas aí vem o meu corpo e dá um ataque de pânico duas e meia da manhã de domingo pra segunda-feira. Como é que eu explico pro meu corpo que tá tudo bem, que não precisa ter ataque de ansiedade?

Não é a primeira vez, mas é bem raro esse tipo de episódio. Uma vez tive na faculdade em pleno divórcio dos meus pais, que foi terrível. E pra piorar o carro da minha mãe tinha pegado fogo com nós duas em uma avenida movimentada.Cheguei na faculdade, tava em sala de aula e veio dificuldade de respirar, fiquei pálida. Fui pra enfermaria e tudo normal. Pânico.

Depois, tipo em 2015, perdi um vôo que era no dia 4 (uma terça) mas fui pega-lo na quarta-feira (dia 5). Pra entrar na sala de embarque me avisaram "isso foi ontem". Enquanto checava com a empresa área se algo podia ser feito (e podia, era passagem cara comprada na mesma semana porque eu tava indo apagar um incêndio em Recife, então tinha condições especiais), o meu big boss me ligou pra botar a pressão na viagem. Fiz a viagem e fui direto pra uma reunião. Ela foi horrorosa. Cheguei no hotel, deixei minhas coisas e fui sentar na beira da praia. Senti um perigo eminente. Algo ia acontecer comigo. Será que me iam assaltar? Será que eu ia ficar bem? Não podia respirar. Achei que fosse desmaiar. Pânico.

Agora estou em trabalho remoto há 7 meses, trabalhando desesperadamente, sem folga ou férias, lidando com problemas da vida e sem nenhum ponto de escape. Sem mencionar uma pandemia que já matou 140 mil pessoas e que eu tenho que me cuidar para não me contaminar, um governo que pretende acabar com esse país e todas as dores da vida que não pára de passar. Não vejo ninguém desde março. É. Não tá tudo bem assim. Pânico.