I’ll be MINE through all the years

Não sei vocês que já fizeram aniversário na quarentena, mas o peso de virar outro ano com essa pandemia maldita é desesperador. Normalmente eu tenho um senso de conquista, de coisas que fiz, aprendi, lugares que fui e etc. Esse ano minha vida se resumiu a perder a certeza de tudo. E aí é meio louco fazer tanta idade – TRINTA E SEIS!!! – e não ter certeza de nada. Será que meu relacionamento dura? Será que meu emprego continua? Será que em um ano estarei morando nessa casa aqui? Será que todos estaremos vivos? Será que esse país ainda vai existir?

Entre surtos, surtinhos e surtões, vou tentando me recuperar dos golpes e tropeços que levo por aí. Encomendei um bolo e vou comprar uma garrafa de espumante. Pelo menos sobrevivi. Pelo menos a vida persiste. Pelo menos ainda existo.

ME DÁ VACINA AGORAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Quando você menos esperar ela chega

Em 2016 eu trabalhava em uma ong e coordenava projetos em 5 cidades diferentes. Não ganhava muito, mas produzia um montão. E os resultados de impacto social eram imensos. Eu vivia viajando, encontrando com as minhas equipes e festejando sucessos.

Com a crise – e se você se lembra bem ela estourou em 2014, então aí foram dois anos seguidos de problemas – os investidores sociais tinham diminuído. No final daquele ano meu chefe resolveu demitir grande parte das minhas equipes. E aí coube a mim, como gestora, demitir ou comunicar a demissão de várias pessoas. Além disso, tive que acompanhar o desmanche de escritórios inteiros.

Todo esse processo, que pode ser visto em posts desse blog que me acompanha há exagerados anos, foi muito pesado pra mim. Analisando hoje, sei que naquele momento me faltou maturidade, e tive inclusive um dia que discuti com meu chefe aos gritos chorei (fora do escritório) que nem bebê porque não concordava com as decisões. Meio que naquele momento eu decidi que queria sair da ong, e quando a oportunidade surgiu na firma atual, agarrei total. Mudei de cidade e vim. Pensei: quero estabilidade e um lugar que tenha dinheiro pra não sair demitindo pessoas.

PAM – corta pra 2021 quando a firma anuncia a demissão de 5000 pessoas e o fechamento de todas as unidades de produção – essas onde eu circulava desde 2017.

A pessoa pensa que em uma empresa global com 100 anos de país as coisas estarão sossegadas, né. Mas desde meu início eu via que os números da cia não estavam bem, mas sendo ela tão enorme, confiava em investimentos e mudanças de linha pra recuperar aquele legado. Pois bem. Vem mais anos de crise. Vem pandemia. Troca CEO da empresa. 11 de janeiro de 2021 eu descubro por uma notícia, segunda por um email do CEO, que era isso aí mesmo (veja histeria no post anterior),

Desde segunda-feira estou digerindo o fato da maior parte das pessoas com quem eu trabalhava estarem, num estalar de dedos, sem empregos. Imagina o impacto social disso nas cidades? Em toda a cadeia? Multiplica fácil por 5 aí o número de pessoas sem emprego a partir dessa canetada, viu? É o caos.A

A moral da história é que na vida não adianta fugir das coisas. A vida te dá volta. A gente tem é que crescer mesmo e lidar com a realidade, ser resiliente e fazer o melhor. Meu emprego está seguro, mas esse ano (MAIS UM???) será super desafiador, lidando justamente com as consequências dessa mudança. E é o que tem pra 2021.

Já acabou, Jéssica?

‘Tis the damn season

– 2020 foi um ano horrível

2021 DIZ "PERAÍ UM MOMENTINHO QUE É APENAS 11 DE JANEIRO E EU VOU MOSTRAR MEU POTENCIAL"

A FÁBRICA QUE EU TRABALHO E TODAS AS OUTRAS DA FIRMA NO BRASIL VÃO FECHAR.

Mermão

MERMÃOZINHO.

São umas 70 mil pessoas desempregadas contanto todos os diretos, indiretos e cadeia de serviços ao redor. É uma destruição em massa.

Mas calma. Até então meu empreguinho está bastante seguro. LIDANDO COM AS CONSEQUÊNCIA DO ACIMA.

Carta pra Dani

Queria que não houvesse pandemia pra eu poder te dizer vir aqui pra casa e eu te fazer sorrir. Te levar na praia e nos renovarmos no mar. Depois comer uma moqueca e de sobremesa um sorvete de coco verde. A tarde ir no cinema e depois ficar conversando até tarde tomando cerveja e comendo batatinha. Irmos no Pelourinho e ir de bar em bar tomando cerveja. Comer camarão ao molho e óleo e ver o pôr do sol.

Queria poder ouvir suas tristezas e dores e chorar com você. Te contar do meu ano passado horrível e saber que é nada nada perto dessa dor sua. Rir falando mal dos outros e crescer juntas. Compartilhar meus medos e acertos.

Queria poder matar as saudades que eu tenho de você desde abril de 2017. Queria poder curar um pouco dessa dor com o meu amor, minha amiga tão querida.

Eu te amo. Fica bem.