I’m still the one I’m after all these years

Eu sou uma pessoa muito ansiosa. E é difícil viver com isso. Eu fico sem dormir, eu faço mal a mim mesma, eu acabo estragando alguns relacionamentos.

Eu sempre fui muito pressionada dentro de casa, com padrões altos. Nem sempre os alcancei. O preço de pagar trouxe dano emocional. Mas parte da maturidade está em perceber a humanidade dos meus pais e perdoa-los nas falhas da minha criação. Não é parte essencial do meu viver tentar culpabilizar esse tipo de pressão que recebi, mas obviamente contribuiu na minha conta final para me tornar um ser ansioso.

Como quase qualquer pessoa com problema alimentar, que no meu caso é obesidade, eu como como conforto, para controlar minha ansiedade. Meus problemas pessoais e profissionais muitas vezes são confortados por comidas gostosas. Tem toda uma questão da autoimagem que a obesidade me traz e como a sociedade me percebe que acaba também colocando combustível nessa ansiedade.

Eu tenho buscado ser mais generosa comigo, sem necessariamente precisar da comida como primeira ação. Eu tenho buscado valorizar quem eu sou, como eu sou, a mulher que estou me tornando e o meu caminho. Tenho tentando direcionar amor e perdão em minha direção.

Não sei se vocês conhecem o  Ho’oponopono, que é uma técnica de repetição de um comando, tal qual um mantra, para purificar os pensamentos. Você repete: “Sinto muito, me perdoe, eu te amo e sou grato”. Independente de acreditar na capacidade do comando ou não, tão pouco a gente repete de fato essas coisas para a gente.

Não nos desculpamos a nos mesmos dos nosso comportamentos negativos e autodestrutivos, não nos perdoamos e reconhecemos nosso nível de humanidade por termos cometidos essas falhas, não nos amamos e reconhecemos que serem incríveis somos e não somos gratos a nós mesmos e ao universo por tudo que temos.

Um comportamento racional de tentar me valorizar tem sido muito rico para mim nesse combate de ansiedade.

 

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Esta cosa se prendió, baby

Dormir quentinho do seu lado, acordar em silêncio pra não te atrapalhar, mandar mensagens durante o dia contando pequenos estresses sabendo que é você quem responde e que se importa de verdade. Chegar em casa com abraços esperando, ver tv comentando e torcendo, fazer planos pro fim de semana. Pensar nas saudades de um mês sem te ver, lavar a roupa junto, cozinha junto, viver junto. Comprar uma comida que você gosta, pensar em você durante o meu dia. Não ter mais medo do futuro porque se for igual ao presente eu vou com você até o infinito.

And it makes me feel so fine I can’t control my brain

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão

Eu que tive tanto medo. Eu que derramei tanto choro. Eu que sonhei tanto acordada. Eu que fiquei tão ansiosa. Eu que esperei tanto tempo.

Chego e te tenho em casa. Acordo e você tá do meu lado. Falo e você sorri. As coisas passam a ser nossas, a casa passa a ser sua.

É assim que as pessoas felizes e apaixonadas se sentem? Sorrindo às cinco da manhã porque onde você olha tem carinho, onde você vê tem cuidado?

Eu estou feliz. Muito.

 

A mí me gustaba que escribían poesías

Duas pessoas talentosas e incríveis da minha juventude se mataram nos últimos 15 dias. Meu coração está apertado. Não impera um senso de injustiça, mas de impotência. Porquê essa escolha?

Dá vontade de falar pra todo mundo: se cuida. Leva suas dores a sério. Não deixa viver ficar insustentável. Pede ajuda.

Eu, egoisticamente, queria ter tido a oportunidade de exercer mais carinho e admiração . Mas sei que nada que ninguém tivesse feito evitaria o caminho.

Tanto futuro. Tanta pena. Estou arrasada duas vezes.

Someone’s gotta give, someones’s gotta break

Quando eu entrei na firma, tive logo em seguida o desafio de participar de uma reunião com executivos de fora do país e reportar resultados que ninguém tava controlando até então. Então me mandaram ligar pra ela. Luiza.

Liguei, peguei os resultados e passei a me relacionar com frequência. Tudo okay.

Em meados de outubro, 5 meses já de firma, a conheci pessoalmente. Reunião empolgante sobre o projeto. Devo ter repetido Luiza inúmeras vezes.

Tudo okay.

Nos emails seguintes, reparei na assinatura de e-mail com o nome errado. Faltava um a ali. Mas eu continuei a mandar e-mails “Luiza”, “Luiza”, “Luiza”…

Até que me mandaram um e-mail que o ponto focal do relacionamento tinha mudado e era outra pessoa. Tudo ainda okay.

Ontem, antes de dormir me deu uma curiosidade sobre uma data do nosso projeto. Entrei no site para checar. Aparece o nome do responsável pelo projeto: sem a. Era Luiz. Not okay.

Me deu um incômodo. Ponho no Facebook. É Paul. É trans. É ele.

Um adesivo de invisibilidade trans na foto do Facebook já me alerta: eu sou uma das que não vê.

Nunca pensei que o Luiz não podesse ser Luiza, nunca pensei que aquela pessoa era qualquer coisa além de cis gênero. As roupas e o estilo? Lésbica mais masculina, porque eu teria problema com isso? Eu me recusei a ver.

Eu morri de vergonha. Eu morri de tristeza. É tão importante para mim, eu sou tão solidária à luta.

Quero me desculpar sem parecer que é sobre mim. Não é minha consciência que tem que ter um alívio. É uma existência onde o outro te nega o direito de ter o gênero reconhecido mesmo que a assinatura de e-mail evidencie ele.

Shame on me. :(

Little voices in my head

Meu amor diz que não me conta as coisas porque eu me preocupo.

Mal sabe ele que minha preocupação é amor purinho. Meu signo explica (mas ele também não acredita nos astros), como aquariana eu sinto as dores do mundo, mas não sinto a dos outros. Mas calhou de eu me apaixonar e dedicar parte dos meus dias a preocupar-me com outro e não outros.

Eu estou bem preocupada porque ele vai mudar pra cá. Já contei aqui que não sei ser feliz, quando chega qualquer coisa boa, já começo a sofrer com as consequências e desdobramentos possívelmente complicados dessas coisas que até então eram felizes e esperadas.

Será que ele vai ser feliz? Será que ele vai gostar daqui? Será que vai conseguir emprego? Será que vai aprender português? Será que a gente vai brigar muito?

Meu amor, porque é meu amor, me disse que eu não sou responsável pela felicidade dele e tirou uma tonelada de peso das minhas costas.

Hoje faltam 40 dias pro meu amor chegar.

(desculpe ser monotemática, depois venho aqui chorar por outras coisas)

Something must’ve gone wrong in my heart

Tenho um tumblr fofinho e emocional faz anos. Ele é a única coisa boa que peguei do cara que mais descaralhadamente quebrou meu coração. Eu às vezes lembro dele também quando vejo bicicletas na contramão, e isso me irrita um pouco. Não queria lembrar dele nunca.

O outro que eu mais tenho carinho, aquela suposta melhor pessoa do mundo – hoje já tenho consciência que ele era mais idealização que uma pessoa real – se casou. No bolo dele tinha llamas. Quero um bolo de llamas no meu casamento. Seria muito estranho copiar o bolo do ex?

Ontem meu namorado me ligou num horário que deveria estar trabalhando. Eu perguntei “uai, já acabou o expediente?” e ele respondeu “você quer mesmo que eu vá pro Brasil?”. Eu meio que fiquei sem entender porque aquilo foi muito de supetão. Mas eu disse que sim. Ele desligou sem dizer mais nada.

Meu namorado pediu demissão e vai mudar pra cá em abril, ao que tudo indica.

Esse post era para mostrar esses passarinhos problemáticos que eu achei no tumblr.

Acho que eu sou um passarinho problemático.