Faz o seu destino, amor ❤️

Ele veio me contar que ia pedir demissão de um dos empregos porque não estava feliz. Isso significa menos dinheiro, o que significa menos visitas, o que significa que o amor vai existir um tanto menos. Mas eu, sendo eu, não pude deixar de dizer “faz o que você achar que seja melhor para você”, numa fala que na verdade parece dessas que diz “faz sim”, mas querendo que faça não.

Daí eu fiquei um pouquinho doída, ai ai, como você não pensa mais em mim e percebi que eu sou boba/feia/chata/ridículam porque eu quero que o outro ponha a minha felicidade acima da dele (ou que ele me considere compensação à falta de felicidade no dia a dia).

Resolvi parar de bobagem. Te juro.

So now and then I pour my heart out

No intervalo entre o Natal e o Ano Novo de 2012, fiquei sozinha em casa. Naqueles 5 dias de recesso eu me dediquei exclusivamente a jogar The Sims e ver filmes na internet, numa forte prática de “temos vida” (rs).

Na busca por filmes, comecei a ver pelo youtube filmes coreanos bonitinhos, descobrindo um mar de comédias românticas com olhos puxadinhos. Depois voltei a uma rotina saudável e sem muitos olhos puxados, embora deva dizer que imersão me deixou heranças: passei a achar asiáticos bonitos a partir de então.

No início desse ano, num dia qualquer sem ter o que fazer, comecei a ver pelo netflix uma série coreana do mesmo estilo (tudo isso é  kdrama, drama from korea, basicamente)… e não parei mais. Aliás, tenho vergonha nenhuma (mentira) de aos quase 30 (desespero), ter hoje grande parte do meu entretenimento advindo de países asiáticos e desenhados para gente retardada (tipo eu).

A parte que eu quero chegar, após essa auto-humilhação toda, na verdade é que ontem um personagem disse pro outro assim (só que em coreano – ah, assisto com legendas em inglês, porque, né):

– Se você tivesse sentido mais a minha falta, teria vindo me ver mais. E se quisesse mais ouvir a minha voz, teria me ligado mais.

Na hora meio que arrepiei toda. Porque sentimentos a gente mostra de forma concreta assim, ligando, vendo, sendo. E fui lá cheia do novo aprendizado e com a mesma frase para o paciente rapaz do outro lado: não liga tanto. Não vê tanto. Mimimi.

Tem vez assim que saem essas coisas maiores que eu e quase que eu termino tudo sem pensar muito. É absurdo o quão fácil para mim é terminar tudo. Acredito que é porque a certeza do coração partido me traz menos ansiedade que a insegurança do “qualquer coisa pode acontecer”, mas não se preocupem, já estou em tratamento psicológico™.

O rapaz, já encaminhando um processo de canonização, porque só santo para dar conta de tanta loucura, respondeu que provavelmente eu tinha razão. E disse que ia tentar ser melhor. Sem drama. Sem me deixar terminar nada. Sem virar briga.

Tem vez que a vida é melhor escrita que os kdrama (quase sempre, na verdade. Mas difícil mesmo é arriscar-se a viver).

Eu pego e te pisco, belisco, petisco, me arrisco e te enrosco.

Me deixa encher sua vida de poesia, música, barulho e cor? Se você deixar eu ponho rima e para não ficar muito brega, vario os sonetos com uns hakais modernistas, que olha, são de dar taquicardia e até mesmo falta de ar. Um pouco de roxo, lilás e rosa do seu lado ficam bem, você não acha? Eu acho que sim, você já disse que gosta das cores em mim. Ponho branco às vezes, é promessa. Deixa eu te mostrar as canções que me fazem pensar em você e te mostrar os versos exatos em que eu te juro, parece que tavam pensando na gente. Sério, olha esse aqui.  Eu quero muito te explicar o contexto político dessas letras do Chico, eu posso? É que a filha do general… Não é ruim, muito pelo contrário, que eu tenha citações e explicações de músicas, livros e poemas para um montão de coisas, não é? Essa intensidade toda que eu gosto do que eu gosto, te assusta? Desliga essa tv que eu quero conversar. Presta atenção só em mim.  E daí que eu rio muito alto, choro muito alto, falo muito alto se o importante é que eu suspiro baixinho? Deixa eu encher sua vida?

Meet my father

Não sei se foram duas semanas ou seis meses, mas eu tinha uma rotina. Como ele me ligava todo final de domingo para saber como tinha sido a rodada do campeonato brasileiro, eu me preparava.

Despertava os domingos lendo os cadernos de esporte de três jornais para me inteirar dos jogos do sábado.  E daí começava uma jornada de acompanhar toda a programação esportiva da televisão e rádio, fazendo inclusive anotações do que achasse importante e atualizando a tabela do campeonato na mão mesmo, isso em épocas que a internet não era tão de fácil acesso assim.

Fazia 5 dias que eu ligava quase que diariamente pro meu pai, tentando agendar um horário para um conversa que eu me devo há tempos. Me enrola horrores. Não tem tempo nunca. Não liga de volta jamais. Me deu um bolo sexta-feira. Ontem a noite o telefone tocou para “dizer que lembrou que tinha esquecido”. Mas na verdade queria saber a quantas andava o jogo do Galo.

Agora que sou um pouquinho maior (tipo quase 20 anos), já me dou conta. And it breaks my heart.

(Jorge Ben diz numa canção que ama a Teresa e depois, mas bem depois, vem o Flamengo. Tá na listinha das juras de amor mais lindas do mundo).

Ya no soy yo?

Uma amiga se casou.

– Meus parabéns, Sra. “sobrenome do marido” – disse a outra.

E meu corpo estremece com mil calafrios.Me assusta quão fácil a gente brinca de ser machista.

Eu tenho um medo muito grande de ser sozinha. Mas tenho um medo maior ainda (e já falei disso aqui), de ter alguém mas não amar ou não ser amada – e daí preferiria ser só. Agora adiciono outro medo: deixar de ser eu por meio do amor.Sabe essa gente que se anula quando ama? Não quero ser. Uma coisa é mudar de sonhos juntos, fazendo novos. Fazendo nossos. Outra coisa é sonhar o sonho do outro. 

Daí justamente quando eu tava tendo ainda mais calafrios infinitos por outra amiga que meteu “agora tem que jantar todo dia na mesa”, li numa chamada prum post do lugar de mulher, melhor lugar da internet atual, uma coisa que queria mandar para as minhas amigas: a importância de buscar o protagonismo de sua própria vida – em vez de ser coadjuvante da vida de seu homem.

Talvez o meu medo maior não seja não ser amada, nem demais ou nem de menos. Mas não amar a mim mesma.

Where no one can come through

Ele me pergunta se eu sou ciumenta.

Claro que não, respondo eu tão moderna. O ciúme é só o exercício de um sentimento de posse que não faz qualquer sentido, mero reflexo de insegurança.

Claro que sim, sabemos eu, você e todo mundo que me conhece, porque na verdade eu sou uma louca ciumenta e possessiva com as pessoas , coisas, lugares, músicas, o que for. Isso é meu, sai daí, quer morrer????.

Mas então: não, não sou ciumenta para todos os efeitos. E daí conto um caso de uma amiga minha e digo “é a mais bonita de todas”. E ele me pede pra ver uma foto. Envio. Diz que ele não é tão bonita assim (mas Q??? TAS LOCO?) e envia de uma amiga que “esa si, muy linda”. Mas ó, não é para eu preocupar. Ela não dá nem bola pra ele. Ai sim, né. Sem problemas.

Daí eis que eu tô lá de boa no trabalho e vou dar aquela stalkeada básica e eis COM QUEM A PESSOA INTERAGE E DIZ, TODO SE QUERENDO: “me gusta tu pasíon”. A muy linda!!!

Pasión de cu é rola. 

De boas. Hmpft. 

ps: sim, quando não tem problema eu invento.

ps2: sim, eu não sei namorar. e não sei namorar em rede social, principalmente.

ps3: GRRRRRRRRRRRRRRRRR.

Mas o nosso destino nem sequer foi escrito sob o som de uma banda qualquer

De repente é tudo meio preto no branco. Sem adivinhações. Ele diz que gosta de mim porque se sim. E eu também gosto dele, assim. Parece simples. Parece fácil. Ele é 20 vezes mais maduro que eu. É mais inteligente também. E veja bem, não é que eu seja burra. Eu tenho certeza que não sou (já imatura…).

E essa consciência nova que mesmo que se acabar amanhã, já valeu a pena porque escancarou a porta com uma voadora e eu tive que deixar acontecer porque nem mesmo quando eu quis, consegui me auto convencer a fugir?   Estarei eu pronta para lidar com algo em que eu não tenho que inventar para justificar porque a coisa em si simplesmente é?

Eu guardei o seu lugar

Não falo com meu pai desde o fim do ano passado e tenho lá minhas razões muito razoáveis e sérias. Mais ou menos em janeiro, já passado um Natal sem contato, meu telefone tocou às 11 da noite e eu não atendi. Fiquei os próximos cinco minutos com uma ansiedade meio louca preocupada de o velho ter tido um piripaque e liguei de volta. Ele, já há mais de mês sem falar comigo, disse que tinha sido sem querer. E desligou.

E é por isso que se passaram tantos meses e eu ainda não voltei a falar com o meu pai. Porque, a todos os efeitos, mais parece que ele não liga. Não se fode. Não se importa. Não. Porém, nesse ano, a mãe de uma amiga e o pai de outra morreram. E fica esse medo grande de ter pouco tempo e sobrar depois muito arrependimento para o meu coração, que é tão pequeno.

Então decido que vou voltar a falar com ele. Enquanto isso, meu amor próprio sapateia numa birra dizendo: não, não vai. Não vai que ele não te merece. Não vai porque você não precisa. Não vai que você é maior que isso. Não vai que você já é crescida. Não vai.

Mas eu vou. Eu vou porque as minhas dores mais doídas, minhas raivas mais sentidas e meus maiores medos foram todos por ele. Pra ele. Sem ele.

Não tenho nenhuma ilusão que meu pai vá mudar de personalidade e se tornar magicamente o pai do ano. Muito pelo contrário, a tendência é negativa. Mas é muito difícil olhar todo dia pro espelho e ver essa boca que é tão dele. E olhar para essa assinatura de email e ter ali um sobrenome que é tão dele. E saber que eu sou tão dele. Então eu vou.

Finalmente, por mim, não por ele.