O que tá no ar

Por algum motivo minha psicóloga acredita que se eu levar umas fotos da minha adolescência para nossa próxima sessão, a gente vai atingir algum nível psíquico escondido que, se solucionado, me deixará menos traumatizada na vida. E na realidade, se eu tivesse uma  sessão tão agora logo, a única coisa que eu teria para falar é que estou cansada demais, e não que eu sempre fui gordinha em toda minha adolescência e nunca jamais never me senti muito bonita. Na verdade, agora, isso nem importa muito.

Tô cansada porque desde o meu aniversário, não paro de trabalhar. Daquele jeito sem fim de semana que faz você entender porque é um direito dos trabalhadores terem apenas algum dia de folga. E não bastasse trabalhar no final de semana, ainda foi daquele jeitinho excruciante de entrar às 10 e sair… às 8 da noite! Nos dias de semana ainda completei a rotina com a pós, o que me fazia chegar em casa em vários desses dias às 11 da noite. E ainda tô, no meio disso tudo, mudando de departamento. Sou tipo o Jobson (um jogador de futebol de alta rotatividade que sempre abandona os times por uso de drogas RS mas alguém sempre contrata porque é bom demais – não que eu use drogas ou que minha saída de departamento dessa vez tenha sido traumática como a saída da chefe-mirim) do meu trabalhado, passou 4 meses tô numa área nova.

Mas ai amanhã não tem sessão nenhuma porque é carnaval. E embora o meu bom senso me mandasse ficar em BH – cansaço, bloquinhos, amiga e trabalho da pós – vou para Araxá num senso de aventura que aparente me acomete em carnavais. Não que Araxá ofereça qualquer aventura, mas sair de casa já é se aventurar.

É que tanto cansaço me faz ter a sensação que a vida tem que ser vivida vivendo, e não se escondendo.

Então tchau.

para ver se eu aprendo alguma coisa nessa parte do caminho

Eu não me lembro de um só dia completamente rotineiro em 2013. Ao mesmo tempo que parece uma aventura sem fim, é um caos profundo.

Nenhum dia igual ao outro, nunca sabendo exatamente como o dia vai se desdobrar.

Nem mesmo o escritório é o de sempre, além de uma troca de endereço, ainda tendi mais a trabalhar em um outro ao invés de que no que é meu “local” de trabalho.

E outras vezes tantas me vi tendo como escritório meu telefone em mãos e meu laptop na mochila nas costas, de tão inconstantes que os dias tem sido.

 

Ai chego em casa cansada, cansadérrima. E quero mais dormir a me aventurar na vida mesmo.

Ê 2013. Bora trocar as ordens de prioridade, vez ou outra pelo menos.

– Podia ser julho.

Em julho a dieta já vai ter progredido muito, vou estar me sentindo mais bonita. E já vou estar terminando a pós, vou estar mais qualificada. E já vou ter mudado de casa, vou estar em territórios novos. E com a mudança, vou ter sido obrigada a organizar minhas coisas, vou ter tudo em ordem. Já vou ter um ano de empresa, recorde de permanência em emprego desde hace mucho, vou ter bem mais experiência.

Podia ser julho, porque até julho eu vou ter: não comido, malhado, estudado, ter ido em aula, ter feito trabalho, feito mudança, encaixotado, desencaixotado, organizado, arrumado, limpado, trabalhado, ter feito hora extra, ter tido reuniões enorme, ficado ansiosa com o trabalho, feito duzentos relatórios.

Custa de repente passar seis meses?

Goin’ faster than a roller coaster

– Zipzzrlslszzzzz (barulho irritante do cara do lado bebendo café sugando, e não dando goles feito gente normal – ok,ok, devia estar quente)

Respiro fundo.

– Zipzzrrrrlslszzzzz… zzzzipzzrlslszzzzz.

Vou mandar ele ir tomar esse café lá fora, penso. Ou então dar um tapa.

– Ziiipzzzzrlslszzzzzz.

Tampo os ouvidos, em sala de aula, fingindo que só estou apertando minha cabeça enquanto olho pra baixo.

E assim constatamos que eu to numa TPM daquelas.

Já: mandei um email xingando minha irmã, mandei mensagem xingando os outros pra amiga, chorei no banho, comi um pedaço de bolo que equivalia a uns 4 e respirei bem fundo, pra não fazer nada em ambiente público. Mas ó, chega perto demais não.

in time you need to learn

Prometi que não brigaria mais sem razão com ninguém. Não me desgastaria com discussões, além de poupar minhas relações da minha vontade de SEMPRE estar certa. Repetindo feito um mantra “a última palavra não precisa ser minha”.

Daí passei a simplesmente não discutir com ninguém, mesmo com razão. Ouvi o conflito árabe-palestino inteiro de uma visão que eu discordava absolutamente e quando eu ia começar com o discurso de “estado terrorista”, parei e pensei “que diferença faz no final das contas eu me dar ao trabalho, né não?”. Ouvi minha mãe falando coisas que me machucam. Ouvi caras sendo babacas. Ouvi amigas sendo ridículas. Ouvi gente falando mal do Atlético. E fiquei calada.

GENTE, NÃO BRIGUEI NEM POR CAUSA DE FUTEBOL.  NEM-COM-CRUZEIRENSE.

Nem pessoalmente, nem por telefone, nem por facebook, nem no twitter, nem por email. Não comprei briga de ninguém e não criei atritos, pelo menos não de forma consciente.

Obviamente me escaparam respostas atravessadas vez ou outra, mas foi controlável, não saiu daquilo.

Um mês depois, eu digo: EU VENCI.

Não me desgastei, não pensei demais a respeito, não fiz ninguém gostar menos de mim com meu jeito pouco cordial. E principalmente, me provei que posso viver uma vida sem brigar com ninguém.

Próxima meta: fazer isso de forma menos consciente do esforço de não mandar geral a merda. E rotular menos (desafio máster, o que é a vida sem xingar mentalmente alguém de “babaca”, ou “retrógado”, “misógino”, “conservadora”, “ignorante”,  “homofóbico”,“machista”, “jacu”, “passivo”, “hipócrita”, “burra”, “incoerente”, “impaciente”, “arrogante”, “autocentrada”, “egocêntrico”, “metida”, “egoísta”… )

E o que era sim, dizia não?

“Mas você não é feliz”, disse minha mãe num ato quase de crueldade. Em seguida me passou uma lista de motivos, todos muito razoáveis, para ser bem sincera. Todos reais.

Aquilo foi quase como um soco no estômago.  Um direto na boca do estômago, que te tira o ar. Mas eu não sou feliz. Eu não sou feliz. Não sou feliz.

Felicidade, na verdade, é meio questão de opção: ou você opta por sofrer por tudo e ser mais um coitado nessa vida, ou enfrenta a vida e pega o bom como compensador.

Será meu pai recebendo alta do hospital, a vitória do Galo e a alegria de descobrir que a NEG111 começa amanhã, e não hoje, suficientes para superar, enfim, a infelicidade e deixar um saldo positivo?

Gente, querem que eu viva sem a internet

“É só hoje e amanhã, mas são hojes e amanhãs muito longos”.

Essa frase eu poria no twitter, relacionado a um assunto que nem vou falar nesse post, mas o TI da empresa trancou a porra da internet inteira, de modo que não se entra em nenhuma rede social e nem sequer no email pessoal. NEM NA PORRA DO GMAIL.

Aliás, o google ta bloqueado aqui. Absurdo maior que tem. Tô só esperado eu ter que fazer uma pesquisa pra entrar de voadora na sala dele.

Então prevejo, amigos, grandíssima produtividade neste blog. Enorme. Gigante. Dificuldade será apenas desfocar da raiva que eu sinto de quererem que eu viva sem internet.

*ao menos nem inventaram de fechar os jornais e páginas do esporte. SENÃO AI O TREM FICAVA FEIO!

Cada vez tem um som e o de agora é bem ruim

Primeiramente, gostaria de jurar que não sou bipolar, mas se escrevi esse post lindo e emocionado pela manhã, o resto do dia me pisoteou e agora, às onze e meia da noite, já cansei de chorar.

Não estou forte suficiente para o extra eu. Perdi o equilíbrio, a razão e principalmente a sanidade. Perdi a vontade de brincar, rápido assim.

Mas que merda.

Que merda que nada por ser simplesmente fácil, que eu tenha que lidar com tanta coisa difícil, que eu tenha que rever estratégias, que eu vá dormir com vontade de chorar. Que merda.

Mamãe me aconselhou voltar pra terapia. Logo ela, que tanto já questionou o processo. Pois é. Vou lá. Porque pelo menos quero chorar com alguém que, clinicamente, vai saber que essa “instabilidade” de sentimentos não é bipolaridade. É uma vida filha da puta cheia de filhos da puta.

Filha de uma puta.

It isn’t funny anyway

Começou com o debate no STF dos anencéfalos, embora eu já soubesse. Eram os que discordam do direto de posse da mulher sobre o próprio corpo.  Uns dias depois, ouvi um comentário idiotinha homofóbico e respondi com um “você realmente acha isso ou está falando para efeitos de discórdia?”, ouvindo como resposta a triste constatação de “sim, acredito nisso”. E hoje tá lá de novo, discutindo um suposto “erro” de educação parental em um pai permitir que o filho use saia e incentivá-lo usando também.

Eles existem: são as pessoas da mesma geração que eu que são conservadores.

Ser conservador não chega nem perto da defesa da moral e dos bons costumes. A moral, por ser da sociedade, se modifica, assim como a mesma. Posso ser moralista aceitando, e até mesmo praticando, o que 100 anos atrás era impossível fazer a vista dos olhos públicos.

Lembrando que até meados do século passado, nos EUA, era proibindo casamentos entre pessoas de cores diferentes. Que houve um tempo em que mulher não votava. E teve um tempo também que não existia divórcio e as mulheres “desquitadas” eram praticamente párias da sociedade.

Os conservadores atuais são terríveis. Defendendo preceitos de comportamento em sociedade que regulam com os praticados pelos seus avós, acabam cometendo grandes preconceitos e generalizações, como todo conservadorismo tende.

E o medo é só a constatação: devem existir muitos mais que eu desconheça. No meu dia a dia eles devem estar, só que eu sempre dei sorte de não escutar. Eles existem: gente de vinte e poucos tantos anos, homofóbicas, misógenas, sexistas e preconceituosas. Normalmente se baseando em  visões religiosas. Às vezes não. Tão lá no meu facebook, fazem parte da minha vida, já freqüentei suas casas.

Gente.

Você escolhe qual?

comecei o dia pregando o fim do rancor e  o saber perdoar, tendo como reflexo uma melhora imediata na qualidade de vida – que aparentemente, atualmente, é minha maior preocupação. até criei um post imaginário de como a vida já era difícil e mesmo assim ficamos criando entraves baseados em mal entendidos, sendo que ter pessoas que te apoiem é de um tanto essencial. obviamente minha pregação tinha exemplo em eu ser perdoada e em outra pessoa ser menos rancorosa, afinal, a gente só prega o que precisa acreditar.

agora, já em meados da tarde, me vi planejando NUNCA mais interagir por iniciativa própria com uma pessoa. e só não pus duas no pacote porque o defeito da segunda é superado por todo meu amor.

mas daí caiu a ficha que não adianta muito eu ficar transplantando regras próprias para o comportamento dos outros. eu não sou peso e nem modelo de ninguém. e que afinal de contas, se eu acredito em uma coisa, nada menos hipócrita do que de fato aplicá-la. revoguei, portanto, o plano de NUNCA MAIS NA HISTÓRIA DESSE PAÍS lidar com alguém que simplesmente é diferente de mim, e mais importante, está se tornando cada vez mais diferente e distante.

e não vai ser meu plano infalível e maniaco de cortar laços que farão laços serem cortados, mas a simples razão de que seguimos por direções tão opostas. por mais contraditório que pareça, melhor seguir mesmo para direções contrárias porque colisões serão inevitáveis. mesmo as passivo-agressivas, que não parecem que doem ou que geram ruidos, mas o fazem.

e assim se segue sem rancor. só seguindo.

e com qualidade de vida.

ps: gente que passa só parece triste quando a ruptura foi cedo de mais, rápido demais, brusco demais. quando é porque o outro se tornou diferente de você, a opção mais saudável é dar graças a Deus. porque na vida a gente precisa de gente que valorizemos como são e que nos valorizem como nós somos. o resto todo é só prejuízo.