Try to be alive

Try as much as possible to be wholly alive, with all your might, and when you laugh, laugh like hell and when you get angry, get good and angry. Try to be alive. You will be dead soon enough.

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Ya no soy yo?

Uma amiga se casou.

– Meus parabéns, Sra. “sobrenome do marido” – disse a outra.

E meu corpo estremece com mil calafrios.Me assusta quão fácil a gente brinca de ser machista.

Eu tenho um medo muito grande de ser sozinha. Mas tenho um medo maior ainda (e já falei disso aqui), de ter alguém mas não amar ou não ser amada – e daí preferiria ser só. Agora adiciono outro medo: deixar de ser eu por meio do amor.Sabe essa gente que se anula quando ama? Não quero ser. Uma coisa é mudar de sonhos juntos, fazendo novos. Fazendo nossos. Outra coisa é sonhar o sonho do outro. 

Daí justamente quando eu tava tendo ainda mais calafrios infinitos por outra amiga que meteu “agora tem que jantar todo dia na mesa”, li numa chamada prum post do lugar de mulher, melhor lugar da internet atual, uma coisa que queria mandar para as minhas amigas: a importância de buscar o protagonismo de sua própria vida – em vez de ser coadjuvante da vida de seu homem.

Talvez o meu medo maior não seja não ser amada, nem demais ou nem de menos. Mas não amar a mim mesma.

La vida cabe en un clic

Na faculdade tive duas veteranas, uma da minha universidade e outra de um pouquinho mais longe, que moldaram muito meus achados e achismos durante essa época tão importante da vida – dos 18 aos 21 anos. Quando eu tava começando a ser eu, eu tinha elas sendo elas ali na frente, tão inspiradoras, sem nem saber. Não eram do meu círculo principal de amigas. Não eram amigas de tabela. Elas se tornaram minhas, assim como de minha maneira eu me tornei delas.

Muito da minha liberdade sexual, da minha auto-aceitação, dos conceitos iniciais que eu tive de feminismo e de auto respeito surgiram dessas duas, que absolutamente diferentes, me influenciaram sempre. Os caminhos que eu tracei na universidade, as pesquisas que eu fiz, os conceitos que trabalhei e até os erros que cometi, tiveram traços delas.

Há alguns anos atrás vi uma delas casar. Agora tive o prazer de ver a outra. E a primeira já tem um bebê. Oun.

Embora eu saiba o disparate que é associar o casamento ao “tornar-se gente grande”, é inquestionável como o casamento é parte do “adultar-se”*. É absolutamente lindo ver as minhas meninas mais velhas, essas que quando eu tinha 19 pareciam tão maiores aos 21 e 22, mas eram meninas, se tornarem cada vez mais mulheres. Fortes, independentes, capazes e realizando sonhos. A rodo. Seguem sendo inspiradoras. :)

Os amores continuam amáveis.

E é importante reconhecer o papel que outras mulheres tiveram na sua vida ao te ensinar pensar pra fora da caixinha que a gente tão condicionalmente vai vivendo.

*adultar-se: um dos jovens de um projeto meu disse num discurso que ao inseri-los no mercado de trabalho e empurrarmos, de forma forçada e exógena, uma maturidade profissional neles, que o mercado cobra, tínhamos ensinado-os a adultar-se. Nessa hora, que já faz um tempinho, chorei um pouquinho.

** a foto não é do casamento nem de uma e nem de outra. mas só para celebrar o quão importante é ter amigas para celebrar todos os sonhos.

nanda

The little things

Hoje, vindo trabalhar, em pleno sábado, fechei os olhos e me imaginei, como estive tantas vezes, andando pelos corredores da organização internacional que eu trabalhava lá em Washington. De um lado a sala do conselho permanente. Lá em cima, o salão principal.  Andando fazedo barulho com o salto, único calçado aceitável para aquele trabalho, carregando alguma impressão inútil que eu fui buscar no escritório da Secretária de Assuntos Internacionais. Piso de mármore carrara em um prédio de mais de 100 anos.

Abro os olhos e tô andando nos corredores de um prédio velho e sujo no centro de BH, fazendo horas extras de graça para um projeto que me dá só trabalho. Tô usando a roupa mais confortável que achei no armário e não passei meio miligrama de maquiagem na cara. O sapato não faz barulho no piso de pedrinhas feias enquanto me dirijo para a ONG. De um lado um sexshop e do outro um monte de lojas fechadas. Piso imundo num prédio decadente da década de 70.

E sorrio satisfeita com as decisões da vida.

and I feel fine

Na festa da empresa, o diretor começou a falar que leu muitos livros sobre o fim do mundo, e que de fato vai rolar o fim de uma era e que existirá uma renovação para um mundo novo com uma nova maneira de viver. esse trem muito semelhante a uma era de aquário, onde todo mundo é menos egoísta, se preocupa menos com os outros e mais em ajudar os outros, sendo mais feliz no final, seria até bem bonito.  mas enquanto – e porquê – o mundo não é assim, é tipo operar você mesmo em um novo modo de vida.

ps: esperando ansiosamente 2013 pra desejar a todos um feliz “dois mil e galo”. vocês sabem, sou dessas.

You know they say about us

Minha irmã tava falando de uma moça do trabalho dela que vai pedir demissão porque não agüenta mais a chefe, e complementa:

– Você ia gostar dela.

– Porque ela louca suícida de empregos que nem eu?

– Não, porque ela coloca valores pessoais acima da carreira.

Falando assim não é que eu nem pareço louca suícida de empregos e sim uma pessoa sensata que se respeita?

Não alcançando o meu melhor

Aquele tipo de pessoa que, ao você contar sobre um emprego novo, te pergunta o quanto você vai ganhar, é o que? No meu caso, essa pessoa é uma tia.

Ela vê como única opção viável de vida o funcionalismo público e seus salários exorbitantes – exploradores da sociedade e até imorais (meu mais novo argumento contrário) – como única opção de vida. Aliás, única chance de se ganhar decentemente nesse país – ah, isso e a medicina, faculdade que a filha dela cursa.

Quando eu entrei em Relações Internacionais, escutei, dela, a clássica “mas pra que estudar num colégio tão bom pra fazer uma particular?”. Fiz porque quis e meus pais permitiram, dá pra me deixar?

Uma vez no curso, vêm a pergunta “mas como alguém que faz RI não quer ser diplomata”. Não quero, uai. Dá pra ser ou tá difícil.

Ai eu fiz aquilo que gerou até horror até nos meus pais: larguei o emprego ótimo nos EUA e voltei pra terras tupiniquins: “mas agora você vai fazer concurso público, né? Você é tão preparada”.

E olha, vou te dizer que até pensei nos 14 mil reais de um concurso do Banco Central como solução pros meus problemas, mas em 3 meses de estudo eu já não encontrava mais motivação pra abrir um livro, nem mesmo o salário. “Mas é fácil falar agora, você não tem família, não tem filho” e eu pouco me importando.

“O mercado privado remunera muito mal, e o terceiro setor, Alice, pra que ir pra um que paga ainda pior?”. Porque a vida não é só isso?

Na verdade eu estou sendo gentil comigo mesma. Raramente, há não ser mais recentemente, tive respostas tão firmes e não fiquei ofendida com quem dizia coisas que nem meus pais se deram o direito de dizer.  Com o tempo eu aprendi que minha tia vê o mundo numa caixinha cujo modelo é o que ela vive, pensa e faz, e olha, se tem alguém quer encaixar nesse molde, sou eu.

“Mas não tô dizendo de certo e errado, Alice, só que sua vida vai ser mais difícil do que precisa ser, desse jeito você não vai alcançar o seu melhor”.

Is your heartbeat racing?

“Não sei se você acredita nessas coisas, mas eu sou de aquário”.

A resposta que dei à frase acima foi um feliz “eu também”, mais do sentido de ser do mesmo signo do que de acreditar em todo papo do horóscopo regendo aquela segunda-feira. Não faz muito sentido justificar a “inovação” no que eu apresentei devido ao signo que eu nasci. É inovador porque eu decidi fazer algo diferente. É inovador porque eu peguei o que não existia na área e traduzi com os “termos” corretos. É isso. Não que eu não leia, no início do mês, dois horóscopos imensos. A questão é que, a não ser que lá esteja escrito, ipsi literis, que o amor da minha vida vai aparecer dia tal, na rua tal, com uma placa procurado por mim, não vou seguir muito o escrito.

Quanto ao Congresso, é inegável que tem uma graça incrível gente vindo falar que meu trabalho técnico, meu artigo escrito com, sinceramente, tão pouco esforço, foi a palestra que valeu a pena no dia. Foi a que fez diferença. Ai fica o sorriso de orelha à orelhas. E as pessoas, TÃAAO GENTIS, falando que eu fui ótima, quando na verdade eu tava ali, tremendo e falando com uma voz filhadaputamente aguda.

Minha primeira fala “em público” foi pra um grupo de mais de 100 pessoas, provavelmente quase todas mais qualificadas que eu, em um hotel chique em um congresso conceituado. Eu podia ter apresentado artigos na universidade, mas não o fiz. Agora me pus nessa situação ai, exposta. Se eu fosse falar pra quem soubesse menos do que eu, quem sabe eu nem tremeria. Mas era aquela gente ali, toda muito boa de serviço. E vieram elogios. VIERAM ELOGIOS.  E ninguém saiu da sala. Isso sim foi incrível. E é tão surreal chegar no dia e no horário exato daquilo que foi plano tantos meses.

Tô me sentindo muito das orgulhosas, toda boba deixando bilhetinho pra mãe à noite no encarte das palestras com um post it apontando pra minha foto e eu dizendo “foi ótimo”.

Foi ótimo. E prometo, primeira de muitas.

 

 

(esse blog é o retrato de uma bipolaridade nunca diagnosticada)