Mas nem ferrando que a minha vida vai virar novela

Uma colega de trabalho veio tirar satisfações comigo porque eu a chamei de desorganizada. Várias vezes. Fiz mesmo. É mesmo. Não cumpre um prazo e já me fodeu com o parceiro várias vezes. E as “várias” pessoas se deram o trabalho de contar para ela.

– Pára, já tá ficando feio para você – me disse num tom semelhante ao que ela me disse há uns meses: “você tá me anulando como profissional”.

E disse que tinham sugerido que eu tinha feito isso movido à inveja. Dela. E ainda disse que as vezes que eu briguei para mantê-la em um projeto, apesar da desorganização, tinham sido combinadas com a chefe para “testar meu bom senso”.

De repente eu tô na quinta série A. E com vontade de procurar outro emprego.

assim não.

tem certos emails que ficam sem resposta. e eu nem sei bem porque faço isso. penso que vou responder depois, mas eles nunca são escritos. até tenho ensaios de resposta na cabeça, mas depois eles desaparecem e quando vou dar por mim, já faz um tempo tão tanto que falta todo um sentido num envio tardio.

então eu nunca contei pra paulinha que eu poderia sair pra ela pra jantar um dia desses, mas sem que a gente conversasse sobre o que ela queria falar. nem respondi aquele pro professor dizendo que, embora o emprego em questão não fosse o que eu queria, era melhor do que eu tinha e quem sabe a gente conversasse melhor ao vivo.

e daí eu vou perdendo oportunidades, entende?

por preguiça.

Oh my dear universe,

Atualmente, tenho que assumir, estou com um pouco de medo do universo. Ele, que vinha sendo tão amigo em 2011, agora tá me deixando um tanto quanto confusa, quanto ansiosa, me deixando mais Alice e menos equilíbrio. Porran. Cadê minha harmonia?

Pra começar, fui apresentada pras tais de memórias equivocadas. E descobri que tudo que eu tenho dentro de mim é isso. M-E-M-Ó-R-I-A E-Q-U-I-V-O-C-A-D-A. Olha ai na direita do blog, um arquivo inteiro de memórias sentimentais, emocionais, profissionais, sexuais e o caraleo a quatro, equivocadas. Dessas que deixam cicatriz, impõe limite e te bloqueiam. TUDO ERRADO, CARO BLERGH. TUDO ERRADO (chamar blog de blergh equivale a chamar internet de internerd).

Ai me falaram pra transmutar tudo isso em pura luz. E que depois disso, fica o vazio. Até onde eu sei sabia, antes equivocada do que vazia. Mas parece que não. Então tá, tô tentando trabalhar com esse vazio todo… sem ficar ansiosa. O que me parece que só vai me gerar mais memórias equivocadas. Porran, universo amigo. Assim cê me quebra as pernas.

Depois disso, mandaram eu controlar minhas finanças. É mapa astral, guia espiritual, tarot de amiga, de internerd e até mesmo o horóscopo da Bárbara Abramo e o da Susan Miller. Deixaram claro que era pra eu controlar os gastos.

E o que faço eu? Passo na rua, vejo a loja cara que eu NUUUUUNCA entrei, vejo uma blusa LINDA que tem meu nome escrito all over it, entro, experimento, a blusa é p, tá com desconto (de míseros 129 reais por 80, uma barganha! :p)… e eu compro. TÁ ALI A ALICE ALI DESCUMPRINDO ORDEM DO UNIVERSO.

O universo já tá até me punindo. Minha fatura de cartão de crédito não chegou ATÉ HOJE, só pra me deixar ansiosa e LOCA LOCA LOCA, sem ter controle dos meus gastos. FUDEU, GAEL.

Vou nem citar as furadas na dieta e o fato de ontem eu ter faltado o kicboxing pra ficar conversando com as amigas enquanto eu comia… socorro, mussarela sticks fingindo ser cool e descolada.

Então venho até aqui propor um tratado de paz com o universo.

EIS-LO:

QUERIDO UNIVERSO AMIGO,

PROMETO, PERANTE ESSE LOSER BLOG LOSER, QUE HOJE VOU FAZER ACADEMIA, AMANHÃ VOU NO KICKBOXING E NA SEXTA VOU NA ACADEMIA E… NO SÁBADO, VOU NA ACADEMIA, PRA COMPENSAR A TERÇA GORDA.

PROMETO, AINDA, NÃO GASTAR DINHEIRO EM HIPÓTESE ALGUMA COM NADA E COISA NENHUMA ALÉM DO ESSENCIAL, SENDO QUE ISSO SIGNIFICA ABRIR MÃO DE IR NO SHOW SEU LINDO DO LETUCE AMANHÃ.

PROMETO, FINALMENTE, ACABAR COM AS SAÍDAS DA DIETA E DIMINUIR MAIS E MAIS NÚMERO DE CALÇA, ATINGINDO O OBJETIVO FINAL DE SER ~A MAIS BONITA DA FESTA~.

QUANTO ÀS MEMÓRIAS EQUIVOCADAS, UNIVERSO AMIGO, NÃO SEI O QUE FAZER A RESPEITO. ESVAZIA-ME AI, A SEU BEL PRAZER, E DEIXA EU ANDAR PRA FRENTE QUE ATRÁS VEM GENTE.

GRATA, SINTO MUITO, EU TE PERDÔO E EU TE AMO,

DA ENERGETICAMENTE CONFUSA,

ALICE

sente o drama aqui, sente.

tudo que eu queria era um carro emprestado essa semana. porque com um carro emprestado, eu poderia ir pro meu trabalho voluntário e voltar, sem ter que pegar dois ônibus e chegar em casa muito depois das onze da noite. eu poderia ir na minha terapia e voltar, sem ter que pegar o circular e esperar mais de meia hora na rua o próximo passar na volta. eu poderia ir pra rio acima de carro, sem ter que pegar um ônibus que sacoleja e gasta uma infinita hora pra chegar.

mas não.
minha mãe vai viajar com o carro, a nova mulher do meu pai não quis me emprestar o carro e eu vou ser obrigada a usar o transporte público.
sim, essas são as tristezas da minha infeliz vida.

e quem tá achando pouco, desafio à descer de ônibus na praça rui barbosa (vulgo frente à praça da estação) às 10:30 da noite em um dia de semana e esperar outro ônibus pra chegar em casa. u.u

solidariedade com as pessoas de bem, cadê?
carona que é bom, quando tem carro, todo mundo quer, né? :p

But how can you complain, if it’s the way it’s meant to be.

eu descobri que na terapia eu só falo da minha mãe. e não, não foi minha terapeuta quem me contou isso, fui eu mesma quem percebi. toda semana eu vou lá e gasto um tempão contando como foi a minha relação, durante a semana, com a minha mãe.

minha mãe é todo um caso a parte na história do mundo, porque dentro do institinto maternal reduzido que ela tem, cabe também carinho e afeto. porque mesmo a minha mãe sendo do tipo que vira pra mim, quando meu pai não liga e diz “ele deve ter se esquecido de você”, de uma maneira como isso não fosse me magoar, mas só reforçar o ódio que ela sente dele, ela traz de presente da argentina livrinhos do meu quadrinista favorito, esse Liniers lindo.

mas ela também é aquela que esconde uma caixa de alfajores no forno, pra eu não comer. a família inteira sabe onde tá a caixa, todo mundo come, mas o perigo é eu ver e acabar com tudo. e eu descubro na inocência, porque vou arrumar a cozinha e olho no forno pra ver se tem algo lá dentro, sujo. vai ver é carinho transvestido de falta de confiança, vai saber, né?

minha mãe xinga muito a minha terapeuta. eu tenho que esconder dela os livros que eu pego na minha terapia, porque minha mãe vê a leitura de auto-ajuda como “charlatonismo”, sendo que eles, na verdade, me ajudam a superar minha tendência “loser”.

mas se a minha mãe realmente se desse ao trabalho de ver as coisas como são, ela veria que a terapia  foi responsável por eu parar de culpar a minha mãe e simplesmente entender ela. de saber que ela fala isso do meu pai porque ela tem tanta mágoa que só se enxerga, e que esconde os alfajores porque eu sou gordinha mesmo e ela acha que isso me prejudica em todos os campos da minha vida.

a terapia simplesmente me vez ver  que as pessoas são como são, e não fazem as coisas para me machucar. se elas me machucam, no caminho, seja minha mãe, meu pai, o ex idiota, uma amiga… é que ela são assim. cabe a mim me fazer ser enxergada e protestar quando eu não curto. se a pessoa vai mudar, ou não, com isso, são outros quinhentos.

sabe quem nunca vai mudar? a minha mãe. :p