Sossega, coração!

Funciona mais ou menos assim: o despertador toca agora, mas faz mais de uma hora que acordei. Para falar a verdade, talvez não tenha dormido, numa ansiedade mista de tristeza continua porque afinal de contas, hoje eu trabalho.

Não é que eu tenha feito muita coisa e vivido muito a vida ao longo desses meus lindos dias de férias. Não o fiz. Passei muitos dias sem sair de casa, vendo filmes sul-coreanos (o porquê nunca saberemos), jogando the sims 3 (já que eu não vivo) e dormindo. Dormindo muito. Dormindo de manhã, de tarde e de noite. Vidão. Mas só que ao contrário, sei bem disso.

O trabalho não é uma tortura tão grande, te juro. Eu faço coisas bacanas por pessoas que precisam, tenho uma chefe que confia em mim e me deixa realizar as coisas todas. Tem vez que me falta fôlego, tem vez que me falta saco, mas acho que todo trabalho é um pouco assim. É o que eu queria fazer, é onde eu queria fazer.

Pronto. Agora sossega coração.

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres. 

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo! 

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Pessoa.

   sossegue coração
	ainda não é agora
	   a confusão prossegue
	sonhos afora

	   calma calma
	logo mais a gente goza
	   perto do osso
	a carne é mais gostosa


Leminksi.

É muita recomendação sagrada para tal. Sossegar tentarei.

Você não precisa saber de mim

O quanto o que a sua mãe pensa de você impacta na sua vida? Não é nem psicologicamente, é no dia a dia mesmo. O quanto faz diferença? Faz diferença que ela sinta orgulho, pena, desespero, alegria? Porque na minha vida sempre fez.

Eu tirava nota ruim e pensava “ai, minha mãe”. Importava desse tanto. Não era por mim, era por ela.

Mas ai, ontem minha mãe claramente disse que acredita que minha vida seja “assim” porque foi “o que sobrou”. Essas muitas linhas gastas aqui com valores e escolhas, a terapia, o coaching, as horas planejamendo, pra vejam só, ficar com “o que sobrou”.

Nessa altura do campeonato, o que a minha mãe acha não me importa muito, porque é por mim, não por ela. Obviamente eu fico irritadíssima, principalmente por ela considerar menos de mim do que sou.  Eu podia tentar explicar, podia, mais uma vez, contar que eu tenho um plano e é isso que eu quero agora. Mas é uma pena, porque não vale a pena.  Ai eu tento achar um eu-centrado que repete  tipo um mantra “são valores diferentes e uma pessoa que não consegue entender que alguém não é igual a ela”. Então eu finjo que tá tudo bem. Porque na real, está. Está simplemente muito claro o tanto que somos diferentes. E ela NÃO precisa me entender.

 

I’m going to let it shine/There is no way out

Às vezes eu fico me contando as coisas boas que já me aconteceram, meio com um reconhecimento ao universo de que as coisas funcionam. Nessas horas, normalmente, eu fico fazendo planos hiper milaborantes, mas plenamente possíveis, pro futuro. Isso justamente por saber, naquele momento, da possibilidade imensa das coisas darem certo sim. Nessa onda de positividade, eu ando na rua sorrindo, cantarolando, com brilho nos olhos e quem me vê acha que nossa, eu tenho um astral incrível, uhu. Ai eu chego com aquele sorriso imenso, super alegre, conversante e elogiando a todos, porque a missão é todo mundo ficar tão feliz quanto eu.

Mas muitas vezes eu fico bem a par do tanto que o mundo sabe ser uma merda de um lugar escroto filho da puta e que nem adianta muito pôr tanto esforço, porque no final alguém, ou até mesmo você, vai ferrar a porra dum jeito bem desgraçado e o destino é tomar no cu bonito. Ai vem aquela vontade de chorar e aquela angustia desgraçada que nasce de dentro do peito e vai irradiando gradativamente, subindo garganta acima e finalmente te sufocando num grito, que eu raramente dou, porque né, vivo em sociedade. Nessas horas, normalmente, eu vou até o supermercado mais próximo comprar um chocolate e eat my feelings away.

Bipolaridade não diagnosticada define, sempre.

(às vezes a variação ocorre em coisa de 10, 15 minutos).

E lá se foi a mordomia

“Então, gente, meu pai não é mais rico”.

Eu sei que essa frase é babaquíssima, mas é a realidade, ele não é rico mais. Não que já tenha sido, serei sincera. Mas nunca faltou nada, aliás, sobrou. Tanto que eu fiz o que fiz, fui onde fui, tenho o que tenho e moro o que moro. E mais que isso, sou o que sou.

Só que ai rolou, também, o que rolou, e depois da longa época de bonança, temos um período de estiagem. E essa sou eu aqui contando que estou lidando com os problemas de dinheiro que a maior parte das pessoas lida. O fato de eu saber isso me impede de ter uma postura de “ó vida, como isso pode estar acontecendo logo comigo?”, e acaba me obrigando a arregaçar as mangas e contas as moedinhas pras contas fecharem.

Pela primeira vez na vida tenho que ajudar em casa, o que nem acaba pesando tanto assim no meu orçamento.  A grande realidade é que eu tenho casa, comida, roupa lavada e carro, vou reclamar mesmo de passar para minha mãe meu cartão alimentação?

Mas ser eu, pela primeira vez, que arco com despesas que nunca lidei acabou gerando uma perspectiva maior sobre as coisas. A dentista, a mesma desde os 7 anos, custa uma grandíssima fortuna e vai pesar muitíssimo meu orçamento esse mês, isso por uma troca de resina  e uma limpeza.

Mas tudo bem. “Essa é a vida de gente normal”, num auto-consolo fazendo contas com o salário que acabou de cair na  minha conta.

ps: tô numa mania danada de começar tudo quanto é post com frase.

make something that no one else has*

Tenho seguido relativamente bem meu plano de não sofrer e simplesmente enfrentar o que vem. Incrível a capacidade humana – no caso, reconhecida em mim – de decidir ou não transformar em sofrimento o que é difícil, e assim piorar as coisas. Num depoimento quase único nesse blog, não sinta o drama!
Subitamente meus dias se tornaram mais tranqüilos e minhas noites melhor dormidas. E tenho tido a calma de fazer planos mais maduros e esperar, fazendo meu melhor, as coisas se encaixarem. É aquela parte de trabalhar duro para garantir que a sorte venha. Confiar no processo, coisa que prego e tão pouco pratico.
A decisão de não ir pelo caminho do drama, ou como pode também ser reconhecida, um momento de maturidade quase que único nesses meus 27 anos de idade, ocorreu por uma única frase. Enquanto narrava, dramaticamente, que minha vontade todos os dias era ir dormir chorando porque não via solução, ouvi um “Isso é os EUA de novo?”. Daí eu reparei que não podia sucumbir ao mesmo ciclo que vivi ali e resolvi reagir. São novos tempos.
~vamos nos permitir~
A única intranqüilidade que tenha tido é um medo súbito e terrível de tudo acabar. Acho que nunca pensei tanto em morte, nunca tive tanto medo de morrer. Não sei se é a idade – nossa muito velha- que está me assustando, ou o tanto de gente casando que ta me dando aflição, mas venho o tempo todo sendo atormentada. Me assusta a idade da minha cachorra, a idade do meu pai, a minha idade e o legado que vou deixar (sim, l-e-g-a-d-o). E essa coisa é meio sem fim. Medo de morrer impede a vida. Daí to tentando arranjar algo que me gere paz de espírito e alivie o coração e a mente atormentada. Aceito sugestões para parar de ser louca quando deito a cabeça no travesseiro. Por uma vida com mais “ai, ele é lindo” e menos com “e quando tudo acabar?”
ps: ridículo por o “amor” como contraponto à morte. Ou simplesmente me assumindo como a idiota que sou, obrigada.
Ps2: minhas frases começam com pronome, ME DEIXA.

That was no fun at all

Era uma vez eu, que sinceramente era tudo que você poderia esperar vindo aqui. E eu tenho uma opinião sobre tudo.  E não há como dizer que eu não a exerço. O tempo todo tô lá opinando, combatendo, discutindo. E olha, cansa. Menos briga é mais qualidade de vida. Principalmente sendo eu, que gosto tanto de ter razão e que sofro tanto com não dar continuidade às discussões. Tem que ir até a exaustão do assunto, até que eu diga a última coisa que eu tenho a dizer a respeito. E assim, cansa as pessoas também.

Então eu tenho optado por não me envolver tanto. Pick your fights, diriam os sábios. Mas só eu sei o tanto que não é fácil. Porque eu, a opinativa, tô sempre lá, agindo. Eu, a combativa, estou ali do lado daquele rapaz que é tão bacana e ouço ele fazendo uma piadinha homofóbica e digo quase que em desespero como quem suplica “não seja verdade”: “mas cê ta falando isso só pra me irritar, né?”. Mas ele diz que não. E de repente sai da boca dele todo aquele discurso machista falso tolerante – seja gay desde que bem longe de mim  – e eu começo a achar ele menos bacana. Ainda se fosse só isso. Começa a coçar aquele monte de argumentos prontos. Aquela vontade de doutrinar a pessoa e de, na real, o chamar de má pessoa e hipócrita e machista … mas não compensa. Porque a grande realidade, alguém assim não compensa. It is just no worth it.

Ir de encontro ao (ao contrário de ir ao encontro de – repare) modelo mental de alguém me parece adiantar muito pouco. Não por desengajamento, mas por pura preguiça. Pelo bem da minha qualidade de vida. E isso é cada vez mais certo, porque tlda vez que eu cedo à tendência combativa, sofro um pouquinho e desejo ter ficado, afinal, um pouco mais quietinha.

Sempre pedem um tipo de recomeço.

Vamos supor que de sábado pra domingo você não tenha dormido porque estava com dor. E doía da forma mais intensa que já doeu. E que finalmente você tenha dormido, de exaustão, e entre tylenol e bolsa de gelo você tenha se convencido, às quatro da tarde, de que não era enxaqueca (e que no final de contas você nem saiba como uma enxaqueca dói). Lá pelas tantas, mais ou menos durante os jogos de futebol (única coisa que me distraiu da dor, afinal, doendo ou não, eu sou eu), você tenha desconfiado de dor de ouvido, dor de dente, dor de vida e não tenha comido nada durante o dia, porque fome não havia. Só dor. Lá pelas nove da noite, com medo de não dormir de novo, e já chorando porque se nunca tinha doído como naquela madrugada, a dor tinha atingido o seu novo ápice nesse momento, você fosse no hospital.

E lá o médico tivesse te dito que deveria estar doendo pra cacete mesmo porque aquilo deveria ser uma das dores mais inesquecíveis que um ser humano pode sentir, inesquecível sendo horrível e aguda e que você vai sempre se lembrar exatamente como foi (ou seja, inesquecível, duh). E te dão uns remedinhos na veia, desses que de repente cessam todos os problemas do mundo. E você dorme e acorda em paz.

E daí, na manhã seguinte, é como se nada daquilo tivesse existido, a dor é só uma memória impressa em caixa alta. Mas dá aquela impressão de que tudo passa.

Ai sim você saca que tá fazendo tudo muito errado e que sua vida precisa de uma reavaliazaçãozinha porque o médico que te contou que a causa de tudo foi… nervosa.

wouldn’t want to waste a thing

eu tô lá muito cansada. suando. vermelha. ainda bem que tiraram os espelhos, posso não focar na minha aparência que deve ser caótica. se eu fizer mais uma abdominal eu vou morrer. mas eu faço. só que ai tem que levantar e fazer soco e chute livre. 20 segundos que parecem um minuto. e todos sabem que um minuto é meia eternidade. dou um semi-circular. jab, direto. cruzado. vou ficando devagar. faço sequência de chutes porque demora mais. ai lembro que eu quero mais ficar bonita e me sentir bem do que descansar. e que no final ali só importa eu. acho que é isso que motiva. e ai eu faço mais rápido. até o braço doer. até a perna doer. até a barriga doer. até o chute estourar no saco de areia num som bem alto, desses que mostra esforço. e o cruzado ser tão forte que o saco de areia fica balançando.

o próximo passo é só conseguir, de novo, ser 100% nisso. mas ai e meu chocolate? minha cerveja? é lembrar de sempre me escolher. eu.

porque eu quero voltar a me sentir bonita.

(eu fico com muita raiva de gostar tanto do kickboxing sabendo que já parei antes. parei sem motivo algum, me tapeando por não ter mais tanto tempo, por ter preguiça, por ser natal, por ter curso, por ser férias, por ainda ser janeiro, porque vinha carnaval e ai perdi meu tempo. perdi meses de esforço. não posso mais ter preguiça de mim).

My love is like a river.

Num 2012 no qual minha modalidade favorita tem sido guardar rancor à distância, esse 7 de janeiro me surpreendeu. Tenho repetido, mentalmente, vezes e vezes, aqueles clichês de gente auto-determinada em ser ~~forte~~, “não ter como prioridade quem me tem como opção”, “não fazer esforço por quem não faz por mim”, essas frases básicas para me auto-convencer a fazer pouco esforço por quem não tenta muito me ter por perto. Ontem fui dormir me dizendo esse tipo de coisa, já que, sexta-feira, eu e São Paulo e os meus motivos de ter vindo mais cedo optaram por não me ver.

“Optaram” é equivalente a ter programa melhor do que me ver, ou ter programa e não me incluir, tendo em vista que não sou daqui. Passei a noite assistindo todos os episódios de Revange, e menina, qqisso. Inspirou ainda mais minha vontade de ser ~~~bélica~~~.

Mas cara, meu coração é de manteiga e meu amor, uma vez ganho, tende à uma fidelidade impressionante. Tô aqui dobrada, apaixonada, amaaaando meus “irmãos” de Argentina. Um dia todo de risos, memórias, futuros e confiança. Cinco anos e meio depois, tudo faz sentido, tudo dá liga. A afinidade é impressionante e o carinho é enorme. Sou uma bobona, sei nem guardar rancor direito. Revange doesn´t sound to be my game.

* Das épocas que trânsitava mais por São Paulo, nunca fui tão feliz e segura quanto ao lado dos meus amigos. Amor de verdade. Te lo juro.

Nadando contra a corrente

Ontem de manhã eu estava toda serelepe e agitada, prometendo a mim mesma uma semana épica por n motivos empolgantes que a vida parecia me oferecer. Eu tava quase pondo “I feel it all” da Feist no ipod e saindo pelas ruas da cidade me sentindo em um comercial de absorvente, livre, pulante, sorridente e decidida. Mas ai a vida me pegou pelos cabelos e disse NO NO NO.

Meu laptop chegou. Mas daí a tomada é daquelas novas e na minha casa tudo é antigo e adivinha, não tenho adaptador*. SABE A FRUSTRAÇÃO DE UM ARTIGO QUERIDO E ESTIMADO FINALMENTE CHEGAR E VOCÊ NÃO PODER USAR? É nada perto do ódio que eu passei depois, quando fui comprar um presente em um site e de alguma maneira maluca e inexplicável, saiu como dois pedidos distintos (apesar de terem sido na mesma hora… mágica) e daí eu passei metade da noite tentando cancelar um dos pedidos, mas NÃO FOI POSSÍVEL. O site disse que não tinha como cancelar, mas que era pra pedir pro cartão cancelar a comprar. A administradora do cartão afirmou que só pode cancelar depois de dois dias e adivinha quando o produto é entregue? Enfim, vou receber duas vezes o presente e passar pela encheção de saco de devolver o presente. Isso tudo lidando durante duas horas com atendentes de telemarketing idiotas.

Escrevendo aqui parece até pequeno pro ódio que eu senti.

Ok, reconheço Sofro pelas coisas mais do que precisava.

* fui em duas lojas de material elétrico até agora e nenhuma tinha o bendito do adaptador também. Respira. Inspira. SOCORR…