Ya no soy yo?

Uma amiga se casou.

– Meus parabéns, Sra. “sobrenome do marido” – disse a outra.

E meu corpo estremece com mil calafrios.Me assusta quão fácil a gente brinca de ser machista.

Eu tenho um medo muito grande de ser sozinha. Mas tenho um medo maior ainda (e já falei disso aqui), de ter alguém mas não amar ou não ser amada – e daí preferiria ser só. Agora adiciono outro medo: deixar de ser eu por meio do amor.Sabe essa gente que se anula quando ama? Não quero ser. Uma coisa é mudar de sonhos juntos, fazendo novos. Fazendo nossos. Outra coisa é sonhar o sonho do outro. 

Daí justamente quando eu tava tendo ainda mais calafrios infinitos por outra amiga que meteu “agora tem que jantar todo dia na mesa”, li numa chamada prum post do lugar de mulher, melhor lugar da internet atual, uma coisa que queria mandar para as minhas amigas: a importância de buscar o protagonismo de sua própria vida – em vez de ser coadjuvante da vida de seu homem.

Talvez o meu medo maior não seja não ser amada, nem demais ou nem de menos. Mas não amar a mim mesma.

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Fortes x frágeis

“Mas você precisa?”
Pergunta feita quando eu respondi que uma mulher podia sim, se quisesse, trocar o pneu de um caminhão.

É duma obviedade sem tamanho – ao menos para mim, mas vivemos em épocas que o óbvio sempre precisa ser reafirmado – que se uma mulher quiser, ou precisar, fazer qualquer coisa, a coisa será feita. Pode não ser a tarefa mais fácil do mundo. O sistema, as coisas, até mesmo a questão física pode estar contra você, mas ó, possível é.

“Mas não seria mais fácil pedir ajudar?”.

Seria? Porque não é uma necessidade tremenda – minha – a de nos afirmarmos como seres independentes e capazes? Pedir ajuda, quando não tarefa de manipulação – ai sim arte feminina (sou dessas) – não é admitir fraqueza? Ainda mais quando o “não-fazer” é mais fruto de preguiça do que da ausência de capacidade?

A feminilidade, em tese, acaba por contrariar – assim, por alto, sem tanta pesquisa – o conceito básico do feminismo, por tomar como femininos uma série de comportamentos específicos, como “cuidar”, “criatividade”, “abertura”. Ele vai direto numa cultura dominante que toma o feminino como sexo como frágil e que demanda maior “cuidado”, pois o papel do homem são as atividades “mais físicas”, mas também questões de liderança (oi sociedade patriarcal). A feminilidade é quem pratica os padrões de beleza impostos socialmente como ideais, seja a magreza excessiva, os cabelos escovados, a maquiagem bem-feita, o uso de salto-alto, todos os quais eu nego em prática (uns porque não tá fácil pra ninguém, outros porque me aceito bem como sou).

Ou seja, se me falta feminilidade, me falta justamente pelo feminismo de reafirmar que o meu sexo é capaz de tudo aquilo que deseja. E se a falta de “delicadeza” ligada à feminilidade bloqueia as coisas como constituir uma família, olha, veja-me bem, mundo: você é um machista incrível. E fico cá eu com os meus princípios não sendo menos mulher por achar que quando eu tenho que carregar algum peso, faria parte pedir ajuda. Das minhas lutas sei eu.

Hmpft.

But now that they´re older

Não seria absolutamente maravilhosa uma vida em cada uma cuida da sua? Não estou nem querendo uma vida sem  fofoca e nem de intriga, porque a vida há de ter graça.  Mas não seria incrível uma vida em que não de se exercesse o achar “certo e errado” na vida dos outros? Que elas só fizessem as coisas com seus pesos e medidas… dentro das próprias vidas e assim lidassem com suas próprias hipocrisias, ao invés de saírem disseminando-as por ai? Não seria foda uma vida em que as pessoas passassem mais tempo falando e discutindo a si mesmas do que de outras pessoas? E mais que isso, não seria fantástico que antes das pessoas julgarem, tentassem entender tudo aquilo da perspectiva de quem vive?? Em qual momento exatamente as pessoas se tornaram esses “adultos exemplares”, responsáveis e tão inseridos na sociedade exemplarmente, e começam a disseminar preconceitos e modelos corretos de vida? Quando foi que eles começaram a achar que entendiam o mundo sem nem sequer conseguir avaliar o que tem no espelho?

E o mais importante de tudo: tem como evitar que eu fique assim também quando eu “crescer”?

Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Minha psicóloga me emprestou um livro chamado “Sim, querido”, que prega que uma conduta menos confrontadora e agressiva. Em tese, a mudança no comportamento da mulher acaba por impactar positivamente relacionamentos. E como nós todos sabemos, eu tenho justamente essa conduta confrontadora e agressiva.

Ou seja, ter o livro em minhas mãos faz algum sentido.  Ainda assim, obviamente apresentei toda uma relutância, como toda e qualquer pessoas deveria sempre fazer com um livro de auto-ajuda em mãos. Mas enfim, fui lá ler, né. A autora se prega como uma “esposa cordata”, palavra para a qual eu franzia o nariz cada vez que lia (entendendo submissa). Afinal de contas, quando o título é “sim, querido”, não posso imaginar nada mais além de uma passividade latente frente à coisas absurdas.  Eu realmente não entendo o sangue de barata que  pode ter uma mulher ao ouvir o cara proferir as palavras mais absurdas do mundo e conseguir ficar calada. Exemplifico: homofobia, machismo, etc… (ou seja, já espero o pior do gênero masculino).

Sério, gente. Não aguento. E voltamos a aquela velha tese “tem gente que namora (e tem paciência) e tem gente que não (eu!)”.

– pausa dramática para a visualização do futuro com vários gatos de estimação e uma casa cheia de almofadas bordadas por mim ALL BY MYSEEEELF-

Num determinado momento ela diz no livro “a mulher cordata não é submissa”. Uai, não é?

Daí entendi que tinha que olhar o que cordata era no dicionário.

Cordato

adj.

  1. 1.       Sensato; prudente; pacato.

Mas, gente! S-E-N-S-A-T-A, P-R-U-D-E-N-T-E, P-A-C-A-T-O.

Mas é tudo que eu não sou?

But now I hold my head up high!

Não sei se vai ter aumento de salário ou se vão me mudar o cargo, mas eu era “super qualificada” para  a função exercida, o que, aparentemente, me fazia difícil de gerir.

Tava era é difícil de me fazer feliz, desde o início, tendo acima alguém que sabe menos do que eu.

De todas as opções que eu já pensei serem possíveis, nunca me passou pela cabeça essa de “vou te transferir pra uma área onde você tenha espaço pra crescer”.

Eu agradeço.

E me sinto como se tivesse zerado a jogo.

Agora eu posso me preocupar em ser feliz e não maneiras de sobreviver diariamente.

e à chefe mirim

But lend me your patience

Pode isso, Arnaldo? A tpm vir no meio da cartela de pílula e você não ter nenhuma razão hormonal para justificar ter chorado enquanto dirigia na sexta, a ponto de parar o carro para poder ser histérica sem causar acidentes? Ter dormido o sábado inteiro e depois, no sábado a noite, ter conseguido dormir ainda mais?! E hoje ter ficado com muita, muita, muita raiva de uma coisa mega besta, e ter ficado bufando eternamente. E a vontade de dizer poucas e boas para todos, sem medir consequências? E esse calor?! Menopausa precoce, só pode.