Agora eu era heroína e o meu cavalo falava inglês

Há dias eu vinha pensando em como reagir a todo esse ataque que temos visto contra o bom senso. Eu tentava encontrar uma maneira de ser mais politicamente ativa e ter certeza absoluta que não fui omissa nesse caminhar para a extrema-direita que o nosso país vem vindo.

Assim, inundei minhas redes sociais con um enorme texto sobre o regime militar brasileiro. Utilizei todo meu conhecimento de inúmeras aulas e textos acadêmicos de história, política e economia.

Recentemente, alguém me sugeriu que eu deveria fazer algo nesse sentido, porque tenho uma linguagem fácil para explicar termos que a maior parte das pessoas sem formação política desconhece. Não sei se textos enormes e densos são a resposta, mas não tenho tempo e nem talento para inventar um YouTube e não tenho criatividade para inventar algo novo. Então bora textão!

Meu texto nem chegou perto de viralizar, mas tive respostas interessantes que me estimularam a continuar. Assim, crei um medium e já coloquei esse primeiro texto – “Economia e corrupção durante o ‘Milagre Econômico’ https://medium.com/@alicequintao/economia-e-corrup%C3%A7%C3%A3o-durante-o-milagre-econ%C3%B4mico-7e7065a61e28.

Não sou tão brilhante e me falta formação acadêmica. Tô longe de professora de qualquer coisa. Mas ignorância se combate é com conhecimento. Aviso à vocês quando postar novos textos. 😘

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Eu guardo as minhas cicatrizes

Ontem me engajei empolgadamente em uma discussão sobre a responsabilidade social de um time de futebol dada a construção do seu estádio (contexo: o Atlético construirá seu próprio). Do outro lado, uma pessoa aque gosta de discutir e não o faz com muito respeito. Dado certo momento, eu que estava no ônibus fretado voltando pra casa — PAUSA: agora eu pego o ônibus na porta de casa (literalmente), depois de 2 meses pegando outra linha a 3 quarteirões!!! EITA! — mandei um “cansei de ter meus argumentos desqualificados, vou tirar uma soneca aqui”.

A minha querida opositora ficou uma ONÇA, me xingou toda e saiu do grupo. Eu, como sou muito das trouxas, e ela já foi na minha casa, e fomos tantas vezes em jogos juntas, e saímos tantas vezes , e nos divertimos tanto, fui conversar com ela.

E recebei um:

– Alice, nós não somos amigas.

 

Tá bom de fora para você? Mas que se foda também.

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Vem ver comigo os meus “ais”

Completos quase 3 meses aqui, ando me perguntado se acertei em vir.

Tenho me sentindo absurdamente sozinha e o trabalho não é tão divertido ou estimulante quando o outro era – embora seja desde já maravilhosa a independência que tenho.

Estou consciente que essa “infelicidade” é ligada ao estar fora da minha zona de conforto – porque eu saí foi “de com força”, trocando de trabalho, casa e cidade – e também da solidão (dados os 3 meses, interagi com o total de 0 pessoas fora de ambiente de trabalho).

O trabalho per si é também uma ainda ausência de empoderamento, um tatear dos limites e um não entender de um processo que, definitivamente, é a coisa mais irritante que já realizei. Ele, também, é muito solitário.

Os desafios de morar sozinha, incrivelmente, mas me entretem nessa vida vazia que tenho (sem amigos, sem vontade), do que me causam sofrimento. Fico animada de limpar a casa porque é melhor que não fazer nada. Até cozinhar vira programa, ir ao supermercado é superação. Ir ao cinema é meu principal motivo para sair de casa. Eu, minha pipoca e o escurinho do cinema fingindo que o mundo é só aquilo por 180 minutos.

Sim. Tô meio deprê. Já tendo me ausentado outras vezes de onde venho, sei que sempre me dói um pouquinho a vida que segue das pessoas que eu amo: eles saem, se divertem, vivem momentos e eu aqui.

Me sinto perdendo minha vida, porque se eu tivesse lá, tava vivendo mais.

Tenho tentando encontrar paz me lembrando de momentos identicos que vivi em outras experiências e que foram superadas com o tempo. Porque é só com o tempo que se constrói uma vida em um lugar novo. Né?

Ixi

Uma coisa que eu gosto é descobir coisas que outros vão amar. É quando passo para minha irmã uma série que ela vai achar perfeita. Quando recomendo pra uma amiga uma canção que é a cara dela. É quando levo minha mãe em um restaurante que ela ama.

Mas não consigo fazer isso com o meu namorado, porque ele não gosta de nada.

Não é que ele não goste necessariamente, mas ele critica absolutamente tudo. Uma bosta de somelier de qualquer coisa.

Um filme ao sair do cinema: fraquinho. A comida do restaurante: preferiria se fosse de tal maneira. Uma música: ele nem gosta tanto assim de música.

 

Recomendei uma série que achei que ele fosse amar. Roteiro bem feito, caracterização perfeita, batalhas e mortes. Pergunto ansiosa quando ele termina a temporada: “gostou?”;

– Não tem mulher bonita na série, não aparece um só peito.

 

MAS VAI TOMAR NO C*.

 

*pelo desabafinho, obrigada.

E sigo tentando fazer com que tudo seja um pouco melhor

Quando morei fora, eu praticamente não tinha que cozinhar para mim mesma. Espertamente, conseguia fazer com que meus rommies me dessem comida, e em troca eu lavava louça. Justíssimo.

Não era nem preguiça. É não gostar. Estar enfurnada na cozinha não me traz alegria, não me dá tesão. Não quero inventar coisas novas, descobrir sabores novos. Lavo louças sempre. Sem muito sofrimento.

Cheguei aos 32 anos sabendo fazer pipoca, tapioca,  brigadeiro, macarronada e risoto (óbvio que sei mais coisas que essas, mas né, nada que seja a base de a alimentação de alguém).  Pois bem, só que a bonitinha aqui foi morar solo mesmo. Não tem charminho nem não saber cozinhar que me salvaria da minha necessidade fazer a própria marmita.

(Um pequeno intervalinho: vocês sabem que gente magra tende a fazer coisa de gente magra, né. Magrinhas muitas vezes adoram esportes e comem mais saudavelmente por gosto, diz a regra (ó, tem exceções). Uma amiga também não sabe cozinhar e sempre morou sozinha. “Como você faz?”, perguntei espantada. “Saladas e omeletes”, ela disse. AH VÁ QUE EU VOU VIVER DA SALADA A OMELETE).

Mamãe e irmã, fofas, fizeram para mim um vasto livro de receitas, com as que mais eram feitas lá em casa. Foi tudo escrito à mão (amor mesmo), e com dicas e comentários. Ensina desde fazer arroz, passando por temperar carne, até fazer pratinhos mais elaborados. Salvação.

Dominado mesmo, estou com o arroz. Ontem me aventurei pela primeira vez pela panela de pressão pra fazer feijão e variei entre crises de pânico e ligações pra mãe “é assim mesmo?”.

Já me sentindo vitoriosa, refogando o feijão, eis que o fogão de acedendor elétrico entra em curto. Isso mesmo. Crec crec crec infinitos. CARALEO. Pensei que a casa fosse explodir, não entendi no primeiro momento que passava. Desliguei a chave de luz e chorei copiosamente. Depois, sob orientações maternas, desliguei o fogão na tomada e terminei o feijão normalmente.

Vou ter que chamar assistência técnica.

 

Tá difícil morar só.

E você não esquecer o que os números significam.

Uma semana antes de completar um mês na cidade em que moro, saiu uma dessas pesquisas de violência na qual, entre as mais perigosas, minha residência era a segunda como mais homícidios por 100.000 habitantes… do país. Mil desculpas governamentais surgem, mas basicamente diz que muitas outras cidade e estados “forjam resultados”, não registrando tudo o que acontece como homícidio e nem na localidade certa.

Porém, praticamente toda reunião com a comunidade que tenho, os indíces de violência na região metropolitana de Salvador são mais que estatística, mas realidade. Tá rolando guerra urbana, disputa de poder entre grupos de narcotraficantes. É escola que foi invadida, assassinato na porta de posto de saúde, etc.

Domingo eu acordei e fazia um dia muito lindo. Ao contrário do sudeste, chafurdado em um inverno forte, aqui as temperaturas estão quase sempre acima dos 25°C. Tava ensolarado o suficiente para eu querer sair de casa e ir até a praia. E fui. Toda vez que piso na praia, fico grata por morar tão perto dela. Só de colocar o pé no mar me sinto mais limpa e conectada com o mundo. Plena, comecei a fazer planos de ir caminhar lá todos os fins de semana, com roupa de banho pra poder nadar depois do exercício. Ria sozinha. É isso. Moro na Bahia. Em

Na volta da praia, passando por um bairro mais humide, mas que fica a 10 min, se muito, da minha casa, vejo uma aglomeração de pessoas. É caminho natural para aquela praia. Logo penso que é festa. E olho com atenção.

É um corpo no chão. Domingo, 11h da manhã.

Desabafinho de trabalho

No trabalho antigo eu fazia a gestão de projetos de empregabilidade. Num deles, provavelmente meu favorito, a gente capacitava os meninos em tecnologia ou administração e depois eles participavam de projetos seletivos numa grande empresa. Tinhamos 75% de alocação lá e 100% na alocação em outras  vagas de trabalho e/ou continuidade nos estudos.

No trabalho atual tem um projeto parecido, só que eu sou grande empresa. Os resultados desse projeto são muito ruins, enquanto os do outro eram muito bons. Acontece que que aqui, se fala em meritocracia, já no outro, era oportunidade. De 96 capacitados, contrataram 8. É que competiram pelas vagas com dois mil e seiscentos  outros e teve prova de conhecimentos gerais e Excel.

Os egressos do projeto, jovens de baixa renda com ensino médio de escola pública no interior, competiram com universitários de classe média, pessoas com nível cultural, social e educacional mais alto que o deles. Sugeri a criação de cotas e tratamento diferenciado para esses jovens de baixa renda. Era assim no outro projeto e dava muito certo. Precisa de mentoria, precisa de aceitar o gap educacional e saber que eles vão compensar com esforço e com valorização da empresa. Mas minha chefe disse que não, que isso não é meritocracia, “o mercado não vai tratá-los com diferença”, e eu pensando que quando uma empresa dessas faz um projeto social assim, era para tratar diferente do mercado e dar chances a quem não as têm.

Meritocracia é uma plavra engraçada, né. Normalmente quem usa esquece que nem todo mundo tá nivelado.

Queria ser aquela que faz tudo ser melhor pra mim

A maior parte das minhas pendências está resolvida, e quase sobra só “viver a vida” (como se fosse fácil viver a vida). Nesse entretempo, minha mãe veio comigo, meu namorado veio me ver e nesse fim de semana, finalmente, veio minha irmã.

Não é preciso nem dizer que assim, nem saudades de casa estou (fora os gatos). Sinto falta de umas comodidades. E também um pouco da sensação de  vida pronta, sem tanto perrengue pra resolver.

Sinto felicidade pela liberdade e orgulho da minha coragem. E também muita felicidade de nos finais de semana ver praias tão lindas e de tão rápido e fácil acesso.

Sinto medo dos boletos (que difícil ser adulta) e de algum momento, de fato, sentir solidão. Continuo com o status de zero amigos conquistados nesse Reconcavo Baiano, mas com tanto amor dentro da minha casinha em tão pouco tempo, isso nem me deixa aperreada (e viva a Bahia!).

Quero ter menos medo, mais coragem e bem mais coisas resolvidas.