Let’s flow, let’s glide

Houve um momento enquanto eu morava na gringa que eu achei que fosse ficar para sempre por lá. Ia casar com o Brian (na minha imaginação era ele, mas se pá podia ser qualquer outro gringo), ter um punhado de filhos imaginários e cachorrinhos imaginários também, vivendo um suposto e entediante american dream.

Não sei dizer, já tantos anos depois, em qual momento exato o “sonho” ruiu e a única coisa que eu passei querer foi falar português todo dia, mas tenho certeza que foi bem orgânico, enquanto eu xingava mentalmente minha chefe, e o fim do sonho nem doeu.

A gente deixa de sonhar muitos sonhos sem nem perceber e aprende a sonhar muitos outros, às vezes com alguma dor. Quando eu parei de sonhar minha vida “americana”, foi assim. A parte mais difícil foi achar outro sonho para sonhar.

Às vezes os sonhos são plano, outras vezes intenção ou então, quando é mais lindo, um propósito de vida. Hoje, com quase 30 (glup!), eu não consigo nomear meus sonhos com tanta facilidade, e eles são mais uma intenção de sensação de plenitude, paz e felicidade. Sem muito propósito de salvar o mundo.

E é isso que hoje eu quero ser quando crescer: plena, em paz e feliz. (se eu conseguir salvar uma partezinha do mundo in between, já me dou por mais que satisfeita).

Uma música pra você que seja pra gente dormir

Tem aquela música do Erasmo com a Marisa Monte que diz assim: “não quero ver você tão triste assim”… “não chore mais, não fica assim”.

Mas eu queria te dizer para chorar muito. Para ficar triste sim. Porque eu percebi que nós temos que honrar os nossos sentimentos e sentir as nossas dores para que sejamos mais completos, mais humanos, mais inteiros, mais verdadeiros.

Te desejo muito choro. Te desejo o quanto for necessário. Te desejo o tanto que for preciso para quando você respirar, não sentir abafado. Te desejo o meu colo. Te desejo o meu amor. O amor dos outros também. O abraço dos outros.

Não quero ver você sozinha. Não quero ver você com medo. Não quero ver você sem esperança. Não quero ver você sem paz. Quero você com amor bastante.

 Imagem

e o movimento impede de sentir medo

Outro dia, durante uma negociação com um tom mais acalorado, um cara perguntou “qual sua formação?”. O que é uma breve pergunta, no caso, pareceu uma acusação. Questionar a formação de alguém numa discussão técnica significa praticamente duvidar da qualidade/validade dela, ou ao menos meu cérebro com mania de perseguição assim interpretou. Não que eu tenha motivos para me envergonhar da minha formação. Sou muitíssimo bem formada, muito obrigada. Ela não é assim, digamos, seqüencial e lógica e dentro do padrão. Mas é minha.

É igual no trabalho quando alguém me pergunta no que eu sou formada. Do outro lado esperam um sonoro “administração”, e quando vem um claríssimo Relações Internacionais, a única reação que eu colho é: “ah, então é por isso que você fala inglês!”. É. Por isso.

Em algum momento de um passado não tão remoto eu decidi que queria trabalhar na área social. Em outro momento, também de escolha, optei por me formar em gerenciamento de projetos. E as coisas foram acontecendo assim. Não tão seqüenciamento. Não tão logicamente. E fora do padrão.

Hoje em dia o futuro não me é tão claro como já me pareceu. Às vezes parece que quanto mais perto do longe, mais incerto o longe (agora perto) fica. Como se conhecer melhor te qualificasse a assumir que não se sabe porra nenhuma do amanhã. E  tudo bem. A gente era cheio de certezas aos 17. Passados 10 anos, elas são muito menores. Hoje me vejo como uma pessoa com muitas opções. E fico feliz porque ter vários caminhos é melhor que não ter caminho nenhum. Talvez essa seja a verdadeira força de motivação que eu precise: sempre trabalhar para sempre ser uma pessoa com a permissão de escolher.

ps: TI maldito bloqueou tumblr e wordpress no trabalho. É como se tivesse um decreto que dita: “Abaixo a Alice! Viva a chatice!”.

I’m willing and able

A primeira vez que eu entrei em sala de aula, como professora, foi completamente sem preparação. Tinha acabado de voltar da Gringolândia e enquanto não achava emprego na área (contando assim parece super tranqüilo e momentâneo, mas foi um CAOS NA VIDA), fui em uma escola de inglês para ver se eles me contratavam.Cheguei lá umas duas da tarde, me botaram para fazer uma prova, me entrevistaram e perguntaram “você pode ficar para dar a aula das seis horas pro intermediário?”. A-S-S-I-M.

Desse momento em diante, entrei em salas de aula com certa tranqüilidade. Acontece que brinquei o suficiente de professora quando pequena e que gosto de ensinar. Dei aula de inglês e espanhol e nunca foi muito estresse. De boas.

Ano passado dei uma palestra em um congresso. Fiquei meio nervosa (como os arquivos desse blog contam – contam tudo isso acima, aliás), mas foi tudo bem. Me senti benzona, coisa e tal. Considerei um dia passar a das aulas do assunto. No futuro, pensei. Quando eu souber o suficiente. Tem uma diferença enorme entre ensinar uma língua e ensinar conteúdo. Ainda mais conteúdo de gente grande. No caso,  de gestão de projetos. Porque a língua eu domino e meu conhecimento é inquestionável. Mas a gestão de projetos, pode ser que quem saiba mais ache tudo um grande blablamation e a experiência, que pode ser maior que a minha, faça meu conhecimento ficar parecendo insuficiente. Pra quando eu for fodinha, pensei.

Isso até meu chefe me dizer que uma das minhas entregas como analista de projetos deveria ser um curso de elaboração e gestão de projetos pra galere do trabalho. Todas Alice tremem nas bases. Planeja, replaneja, pega texto, imagina exercício. Ele me diz que quer 16h de curso. MEUDEUSDOCÉU, de onde vou tirar 16 horas????

Hoje foi a primeira aula. Acordei cedão, cheguei cedão, oito e meia já tava tudo pronto e dei a aula de duas horas (primeira de 8). Ai no final vieram as pessoas  legais para me dizer que eu sou boa, sou didática, sou simpática. Uma miss simpatia, quase. Fiquei acreditando eu minha aula foi um sucesso.

E um alivio supremo reina (por breves momentos, já que ainda faltam muitos encontros para que me desesperar por ai).

asas pra voar

De todas as coisas que quero para 2013 (dois mil e galo, rererere), só fica aquela de conseguir ser menos quem eu sou, e mais quem eu quero ser.

E ter força de vontade para as coisas pequenas, que são juntando elas todas que se consegue as grandes. E alegria, saúde (extensa a família, odiei essa coisa de ficar indo em hospital sofrendo e amando a conta-gotas), trabalho, algum dinheiro e muito amor. Amor de todos os lados.

Ah sim, e pelo amor de Deus, gente. Menos hipocrisia, mais generosidade, blá blá blá, wiskas sachê, e um 2013 melhor pro Galo, pra mim e pra você.

 

Uma bobagem

Eu consigo virar pra minha chefe e pedir pra ela me enviar pra Buenos Aires. Posso também relatar pra ela conflitos que tive com outras pessoas, sempre mantendo a razão. Abordo numa tranqüilidade erros que cometi em um projeto. Peço pra faltar numa boa sem estresse por razão x ou y.

Mas não sei pedir aumento.

Faz um mês que eu ensaio. Primeiro falta privacidade, segundo falta contexto, terceiro falta jeito e finalmente eu posso inventar uns 10 motivos para justificar que não consegui. Me falta mesmo é coragem, fico com essa vergonha absurda, não sei explicar.

Ai  escrevi um email, mandei pra duas amigas, elas aprovaram e cliquei enviar. Desde então, o dia inteiro, a cada olhar que ela me dá, imagino que é ela lendo o pedido e fico ali, numa vontade de correr/morrer/me esconder absurda. Como se eu ofendesse ou arrancasse pedaço.

Mas é muita jucuzisse pra uma Alice só.

E fica o dito

Ano passado fiz um quadro com objetivos. Isso foi em maio. É dividido em áreas e cheio dos post its coloridos, com metas, submetas e planejamentos bem estruturados. Tem área de estudos, física, espiritual, profissional e pessoal.  Até outubro do ano passado, era atualizado mensalmente. O que significa que tem um ano que eu não encosto no quadro lá.

Outro dia, minha psicóloga, sendo quase uma gestora da minha vida, me perguntou quando foi que eu atualizei, pela última vez, meu quadro. E o mais importante, porque eu parei. Parei porque é muito triste eu ter engordado de novo e é uma bosta ficar olhando praquele post it com uma meta que eu me afastei. E também porque é muito chato eu ter parado com o boxe. Parei porque as coisas passaram a mudar muito vagarosamente. E finalmente, nunca mais encostei naquilo porque não senti mais vontade.

Só que as coisas mudaram muito, desde então, o que é inegável.  Tem a pós que eu queria fazer. E o emprego novo na área que eu queria trabalhar, que agora eu tenho. Tem o artigo e o Congresso, que eram planos distantes, todos cumpridos em um passado recente. Mas o quadro ta ali, naquela parede, com a cobrança ativíssima de todas as coisas que eu, simplesmente, um dia pensei em fazer e fui lá e… não fiz.

Tenho essa sensação de fracasso inerente em mim. Coisa de gente que se cobra demais, provavelmente, mas tá sempre aqui. E eu tô sempre eu lá tentando evitar o it do post it. Mas ai tenho até quinta-feira para lidar com todos esses auto-medos e, com vergonha na cara, enfrentar as coisas.  Até quinta.

de tanto não parar, a gente chegou lá

Recapitulando:

05/09 – sob argumentação de “mas quem manda sou eu”, é instituído um erro no projeto e sob a  mesma fala, calam minha boca porque  “às vezes eu tenho que ser posta no meu lugar”.

13/09 – sou transferida de área com as seguintes falas: “excessivamente qualificada para a função” e a área nova “oferece espaço para crescimento”.

19/09 – começo oficialmente na área nova.

Quem disse que a vida não muda em duas semanas, tava muito errado.

Agora é o seguinte: sem ter que falar, pensar e sofrer com o meu trabalho 24h por dia. Sem ter que ficar aflita me perguntando quanto tempo eu aguentaria,  tentando buscar motivação pra continuar, me questionando se já era hora de buscar emprego novo…

SEM ISSO, posso, finalmente, voltar a preocupar comigo.

Agora é que sou eu.

Agora é que volto a ser eu.

 

(e aquela sensaçãovitoriosa de tchrurururu EU NÃO TAVA LOUCA tchururururu EU NÃO TAVA ERRADA tchururururu NEM ERA DRAMA!)