Scott Fitzgerald manda a dica:

In my younger and more vulnerable years my father gave me some advice that I’ve been turning over in my mind ever since. “Whenever you feel like criticizing any one,” he told me, “just remember that all the people in this world haven’t had the advantages that you’ve had.”

― F. Scott Fitzgerald, The Great Gatsby

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Those broken peaces, I picked up

Meu pai tem uma filha que eu não conhecia. Ele me disse faz uns meses que essa menina parecia comigo, e isso me incomodou muito. Com uma criança que eu não conheço vai ter minha cara?

Quando essa menina nasceu, meu pai escondeu da gente. Ele era casado com a mãe dela já, não era nenhuma traição. Mas contou meses depois, introduziu com um "vocês vão ficar bravas comigo, eu tive uma filha" e disse "é que a Juju (Deus me livre se você que tá lendo tem apelido de Juju, que apelido RIDÍCULO) não queria vocês envolvidas no processo".

Não sei se a maldita da Juju quis ou não quis a gente envolvidas no processo de gravidez dela e nascimento do bebê, mas sei que quando descobri isso, eu me senti abandonada. Meu pai fez uma outra família e sem ter razão real escolheu esconder da gente. Eu nunca fiz questão de conhecer a criança, e meu pai não teve menor vontade de nos fazer parte da vida dela.

Ele deixa claro que reconstruiu a vida e que tem outra família. Mau pai não nos dá apoio emocional ou financeiro, e diz que é pelo recomeço de vida. Vai ver que na cabeça dele uma pessoa de 32 anos não precisa mais de pai.

A minha irmã nova tem 4 anos e meu pai a levou pra nos conhecer. Ele fez isso da maneira mais absurda e ridícula possível, como só ele mesmo poderia ter feito. Não perguntou se a gente queria, se aceitava. Não deixou a gente preparar a cabeça e muito menos o coração. Só chegou aquela menina lá, que afinal de contas nem tem tanto assim minha cara, mas uma parte importante dos meus sobrenomes. Só não fomos embora por causa dela. Dos traumas paternos, bastam os meus. Imagina crescer com a imagem das suas irmãs mais velhas saindo correndo putas do restaurante depois de te conhecer.

A gente ficou e ela sabe que somos irmãs.

Em determinado momento ela soltou:
– Quem chama Alice aqui, levanta a mão.

Então minha irmã de 4 anos também sabe quem sou e o meu nome. O nome dela é Angelina.

Não significou absolutamente nada esse encontro, porque ele não significa que ela vá existir nas nossas vidas. Quem sabe uma vez por ano quando meu pai decidir sentir culpa por ter ignorado nossa existência nos últimos 11 meses, ele leve a criança em um novo encontro?

2018

Eu nunca tinha morado em um lugar com mar. E olha que eu já morei em muitos lugares. Eu já fui pra longe e perto. E então finalmente cheguei ao mar.

Quando eu conto que fui, me perguntam quem eu tinha lá. Tinha eu. “Que corajosa”, dizem. Sou mesmo.

Chorei um mar em 2017. Buscando a mim mesma, encontrei solidão. Mesmo com coragem, tive medo. Mas 2018 vem com a certeza de companhia. E mais coragem.

Que em 2018, quando me perguntem quem eu tinha, comentem “que amada”.

Meu desejo pra 2018 é que todo mundo vá me visitar na Bahia.

No, not today, neither yesterday and it won’t be tomorrow

Passei a semana fora acompanhado projetos e ver tanto impacto social de pertinho me trouxe um senso de plenitude muito grande. Trabalhar tendo certeza que alcanço meu propósito gerando coisas positivas pro mundo é muito maravilhoso, eu me sinto mesmo com muita sorte. Fiz escolhas de carreira muito certas que me trouxeram exatamente onde eu gostaria de estar agora. Meu trabalho é um privilégio.

Como o mundo gira, nessa sexta-feira estou voltando pra minha casa baiana depois de visitar 2 estados e verificar de pertinho resultados da responsabilidade social da firma. Justamente há uma semana atrás eu tava sendo "massacrada" no twitter por uma orda de justiceiros porque fui tirar satisfações com um sujeito que calhou de ser fudido na vida. Me chamaram de ruim, mesquinha e medíocre, o que não impactou tanto, falta a encheção de saco, tendo em vista que sou quase uma Madre Teresa versão tupiniquim tal minha vocação pro trabalho social.

O mundo tem muito mais graça fora das redes sociais. Ainda bem.

You gotta give a little, take a little and let your poor heart break a little

O que eu mais gosto do trabalho novo são todas às vezes que me sinto desafiada a fazer coisas que nunca fiz. Tem toda uma magia em dar conta de algo comportamento novo. Uma inexplicável alegria de saber hoje ser mais capaz que ontem.

Já tenho 6 meses de mudança de emprego e finalmente estou eficiente. Já entendi os processos e os limites e tô rendendo meu máximo. No meio do caminho teve uma enorme mudança de contexto cujos os resultados inclusive ainda desconheço, mas nesse mês de novembro cheguei no lugar certo da minha capacidade produtiva.

Já posso falar com segurança que ficarei pelo menos um ano mais na Bahia. Agora resta saber morando onde e com quem.

Na vida pessoal o novo me dá mais ansiedade.

If I were you, I’d love me too

Meu peso sempre foi uma questão muito séria na minha relação familiar. Inclusive sempre foi mais problema dentro de casa do que fora dela. Minha mãe e minha irmã, “cheias de amor”, sempre me pressionaram muito para emagrecer porque “ninguém me amaria sendo gorda assim”. Hoje eu total entendo que eram crenças delas e que eu sou um ser completamente amável e inclusive amada.

Esse tipo de pressão doméstica obviamente sempre minou minha auto estima e me fazia sentir a mosca do cocô do cavalo. E eu já saía de casa duvidando de mim mesma. Já emagreci várias vezes e voltei a engordar outras tantas, meu peso sempre “tende” para cima. Toda a minha relação com o meu corpo é exaustiva desde sempre, quase nunca baseada no amor próprio e sempre balizada na opinião alheia.

Uma vez a minha irmã, que é 4 anos mais nova que eu, disse que eu já não era muito linda por ter cabelo cacheado, como que eu ainda ia ser gorda? Ainda emendou que na rua as pessoas me olhavam com nojo, e isso foi uma das coisas mais brutais que já ouvi, ainda mais de alguém que suportamente tava ali desejando o meu bem. Eu mesma nunca tinha me dado conta disso, as pessoas tinham nojo de mim?

Num outro momento, quando eu fiquei desempregada e meio perdida na vida, minha mãe já me disse que achava que eu não conseguia emprego por ser gorda. Eu, em minha experiência, nunca tinha sentido tal preconceito. Ainda hoje, nunca senti. Mas sempre me pergunto um: será?

Essas coisas entram na sua cabeça, vão infectando seu sistema de crenças e você passa a se achar sim horrível. Hoje uma senhora em um asilo olhou pra mim e disse “você parece tão saudável, olha que perna gorda”, e mesmo eu sabendo que aquilo saia quase como elogio de uma pobre velhinha abandonada num asilo, ficou ecoando na minha cabeça o “gorda”.

Eu sou gorda. E graças ao feminismo, entre trancos e barrancos fui conseguindo me empoderar e me aceitar. Eita, eu sou bonita assim. Meu corpo é saudável e funciona bem. Eu posso ir na praia de biquíni e usar short, coisa que deixei de fazer toda minha adolescência. E com meu auto amor, fui indiretamente conseguindo fazer minha mãe e irmã aceitarem e me amarem como eu sou. E tenho namorado que me ama, emprego em que ganho bem e não tem peso que me pare.

Minha irmã trabalha na justiça do trabalho e chegou na mão dela um processo de gordofobia. Ela levou o trem tão a sério, me ligou enquanto escrevia o voto, me contou dos detalhes. Ela nunca me conta de tantos detalhes de nenhum outro caso. E o desembargador manteve o voto dela e a pessoa que processou ganhou como assédio moral. Minha irmã me mandou por email o acórdão e sério, eu me senti tão amada. É como se ela estivesse dizendo “olha como eu luto por você”, “olha como seu sei que não tem nada errado com você”.

É uma vitória pessoal que a minha irmã tenha aprendido isso. Amor, de verdade, é assim.

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã

Comecei a fazer um novo esforço para arranjar amigos por aqui. Não sei se contei aqui, mas antes, com o aval do meu namorado, eu tentei entrar no tinder e fazer amizades. A estratégia deu muito errado, primeiro que nem uma lésbica me deu match, e segundo que mesmo avisando para os caras héteros que eu não iria trair meu namorado e só queria só amigos, eu sentia que todos estavam dando em cima de mim (tenho trust issues com homens?).

Minha nova estratégia, muito mais eficaz: ir no Twitter e implorar as pessoas legais para serem minhas amigas aqui. Tem funcionado e tenho tido encontros bem legais. O que significa que sim, tenho uma vida social aqui.

Fora isso, muita emoção. Um dia desses eu fiz um depósito errado porque a mulher do financeiro do meu trabalho antigo me passou o número errado da conta (eu tava tentando devolver o dinheiro que eles depositaram errado na minha conta!!!). Aí fiquei tentando ligar cerca de 50 vezes para o meu gerente em Belo Horizonte até que a minha mãe finalmente teve que ir ao banco e tentar (e conseguir) estornar R$ 2000 que tinha sido depositado errado. É muita emoção, é muito sofrimento. Enfim, graças a Deus hoje é feriado, obrigada Nossa Senhora Aparecida por ter aparecido e eu poder dormir hoje até 12:00.

Pra te convencer que vale a pena se amar

Um trechinho do poema “Milionário do Sonho” da  Elisa Lucinda falando de cachinhos.

Achei lindo!

Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento, cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento,
grito bem alto, sim?

Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim?
Qual foi o otário, equivocado,
que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado?
Ruim pra quê?
ruim pra quem?

Infeliz do povo que não sabe de onde vem
Pequeno é o povo que não se ama,
o povo que tem na grandeza da mistura
o preto, o índio, o branco, a farra das culturas
Pobre do povo que, sem estrutura, acaba crendo na loucura de ter que ser outro para ser alguém

Não vem que não tem,
com a palavra eu bato,
não apanho
Escuta essa, neném,
sou milionário do sonho

 

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Escrevi outro texto. Farei o possível para postar toda terça-feira conteúdos sobre esses conceitos que se apresentam “confusos” nas pré-eleições. Me segue lá no medium, não sei se faz sentido ficar avisando aqui sempre.

“Esse tal de Direitos Humanos”

 

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Agora eu era heroína e o meu cavalo falava inglês

Há dias eu vinha pensando em como reagir a todo esse ataque que temos visto contra o bom senso. Eu tentava encontrar uma maneira de ser mais politicamente ativa e ter certeza absoluta que não fui omissa nesse caminhar para a extrema-direita que o nosso país vem vindo.

Assim, inundei minhas redes sociais con um enorme texto sobre o regime militar brasileiro. Utilizei todo meu conhecimento de inúmeras aulas e textos acadêmicos de história, política e economia.

Recentemente, alguém me sugeriu que eu deveria fazer algo nesse sentido, porque tenho uma linguagem fácil para explicar termos que a maior parte das pessoas sem formação política desconhece. Não sei se textos enormes e densos são a resposta, mas não tenho tempo e nem talento para inventar um YouTube e não tenho criatividade para inventar algo novo. Então bora textão!

Meu texto nem chegou perto de viralizar, mas tive respostas interessantes que me estimularam a continuar. Assim, crei um medium e já coloquei esse primeiro texto – “Economia e corrupção durante o ‘Milagre Econômico’ https://medium.com/@alicequintao/economia-e-corrup%C3%A7%C3%A3o-durante-o-milagre-econ%C3%B4mico-7e7065a61e28.

Não sou tão brilhante e me falta formação acadêmica. Tô longe de professora de qualquer coisa. Mas ignorância se combate é com conhecimento. Aviso a vocês quando postar novos textos. 😘

Eu guardo as minhas cicatrizes

Ontem me engajei empolgadamente em uma discussão sobre a responsabilidade social de um time de futebol dada a construção do seu estádio (contexo: o Atlético construirá seu próprio). Do outro lado, uma pessoa aque gosta de discutir e não o faz com muito respeito. Dado certo momento, eu que estava no ônibus fretado voltando pra casa — PAUSA: agora eu pego o ônibus na porta de casa (literalmente), depois de 2 meses pegando outra linha a 3 quarteirões!!! EITA! — mandei um “cansei de ter meus argumentos desqualificados, vou tirar uma soneca aqui”.

A minha querida opositora ficou uma ONÇA, me xingou toda e saiu do grupo. Eu, como sou muito das trouxas, e ela já foi na minha casa, e fomos tantas vezes em jogos juntas, e saímos tantas vezes , e nos divertimos tanto, fui conversar com ela.

E recebei um:

– Alice, nós não somos amigas.

 

Tá bom de fora para você? Mas que se foda também.

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