Queria ser aquela que faz tudo ser melhor pra mim

A maior parte das minhas pendências está resolvida, e quase sobra só “viver a vida” (como se fosse fácil viver a vida). Nesse entretempo, minha mãe veio comigo, meu namorado veio me ver e nesse fim de semana, finalmente, veio minha irmã.

Não é preciso nem dizer que assim, nem saudades de casa estou (fora os gatos). Sinto falta de umas comodidades. E também um pouco da sensação de  vida pronta, sem tanto perrengue pra resolver.

Sinto felicidade pela liberdade e orgulho da minha coragem. E também muita felicidade de nos finais de semana ver praias tão lindas e de tão rápido e fácil acesso.

Sinto medo dos boletos (que difícil ser adulta) e de algum momento, de fato, sentir solidão. Continuo com o status de zero amigos conquistados nesse Reconcavo Baiano, mas com tanto amor dentro da minha casinha em tão pouco tempo, isso nem me deixa aperreada (e viva a Bahia!).

Quero ter menos medo, mais coragem e bem mais coisas resolvidas.

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Plenitude passageira

Depois do grande evento, minha chefe virou pra mim: não se iluda, ninguém aqui liga muito ou entende responsabilidade social. Organização parceira vira fornecedor e impacto que importa é reputação. Você que tem que fazer valer a pena.

Mas daí eu tô aqui deitada num sábado com meu amor do lado, contas pagas e vida andando.

É raro, mas tão gostosa essa sensação de que só isso me basta.

Num vôo entre São Paulo e Brasília

Vim numa viagem a trabalho cheia de pessoas bem mais importantes do que eu. Em determinado momento minha chefe conta orgulhosa a maneira ousada com que me candidatei para esse emprego:

"Ela disse: todas as minhas experiências me prepararam para essa vaga. Recomendo a mim mesma".

Todos riem. Eu sorrio orgulhosa.

Não fui tão direta assim, mas definitivamente me disse pronta para a função. (Usei um "surpreendentemente" antes de me auto recomendar também).

Vira e volta me questiono se estou tão pronta assim. Cumprirei todas essas expectativas? Porque eles parecem esperar muito de mim. (Acho que eu prometi um pouco, afinal de contas).

Também não sei de onde saiu a coragem de abandonar a minha muito estável função e mudar da minha maravilhosa casa, da minha querida cidade, de meu estimado estado. Tem vezes que olho pra minha vida e penso se é isso aí mesmo. Sou a mesma Alice que choramingava nesse mesmo blog meses atrás?

É que eu realmente precisava de mudança. E mudei radicalmente.

Já mudei, radicalmente também, duas vezes antes. Essas vidas longe de BH sempre se parecem mais ao sonhos, por serem bonitas e distantes. Não se assemelham à vida normal, quem eu sou "de verdade", mas intervalos que tirei da Alice cotidiana e fui descobrir a mim e ao mundo.

Tenho um mês de Bahia, completos, ironicamente, comigo fora dela. Tenho 32 anos e finalmente não sinto que estou devendo a mim mesma. Parece que alcancei em um só suspiro sonhos que nem tinham virado planos. Toda essa minha vida não planejada, no entanto, foi escolhida. Me aconteceu e também fui eu quem a fiz acontecer.

Sei que isso é parte dos meus inúmeros privilégios: poder escolher ser quem eu queria, mesmo me perdendo às vezes (e tendo tanto suporte para o meu reencontro). Venho construindo uma carreira muito feliz, com empregos que impactam positivamente o mundo e ações que eu verdadeiramente acredito. Estou orgulhosa de cada um dos projetos que tenho abaixo de mim.

Me lembro quando aos 17 anos eu verbalizei pela primeira vez que queria estudar Relações Internacionais. Achei que era o curso que mais me poderia fazer conseguir mundar o mundo.

You’re gonna wish you had met me

Aprendi o caminho pro trabalho, pras praias, pro shopping, banco, correios e supermercados. Consigo me alimentar e limpar minha casa direitinho. Acho que matei minha petúnia, mas as outras plantas tão vivinhas. Tô dormindo cedo, acordando sem dificuldades e aprendendo rápido meu trabalho.

Mas ainda não conheci ninguém por aqui. Trabalho em um departamento pequeno de pessoas fechadas e com pouca interação social fora do escritório e é isso aí. Me sugeriram aula de forró, entrar num coral e outras atividades em grupo que dificilmente eu tenho qualquer  interesse de realmente fazer. Para não dizer que não tô fazendo nada, vou entrar num curso de línguas (a decidir se aprendo francês ou me certifico em espanhol).

Tem um grupo de torcedores do meu time também por aqui, mas até o momento tive preguiça de ir.

Por enquanto, a ausência de atividades sociais tá tranquila. Minha mãe acabou de ir embora, em breve meu namorado chega e depois minha irmã ainda vem. Porém, sei que preciso ter gente local. Mas não sei como. Como as pessoas fazem amigos depois dos 30?!