Se você ficar sozinho, pega a solidão e dança

Na segunda eu faltei o trabalho voluntário porque estava sem carro. O motivo parece tudo menos justificável, mas só eu sei o que é ter que pegar dois ônibus às 11 da noite depois do ~trauminha~ do assalto. Agora minha semana parece vazia.

Estabelecer uma rotina específica, cheia, tem sido essencial para o tal equilíbrio que parece que eu encontrei. Não me dá tempo para o auto-desgaste. Mas a simples quebra dele me gera uma culpa magistral. Culpa que só quem estudou no Santo Antônio e tentava ter vida social sabe o que é ter, que é aquela sensação de “eu devia estar estudando agora”. Eu devia ter sido mais útil essa semana.

Também tive aquela sensação de auto-sabotagem que é pensar que andar pra frente é perder o que eu tenho agora. Se eu arranjar o emprego ~dos meus sonhos~ e meu kickboxing? E minha psicóloga? E meu trabalho voluntário? E meus médicos? E minha família? E meus amigos? Meus bichos de estimação? Meu equilíiiiibrio, cadê?

Dou conta dele sozinha? :S

(Camelo já tem resposta, “Se faltar paz, Minas Gerais

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but bitch ain´t one.

O que é maior sacanagem? Virar pra um cara que acabou de chegar em você e mandar um “eu não vou ficar com você” ou conversar com ele 40 minutos e depois negar? Porque a coisa é clara, ninguém te conquista no papo nessas situações em que desconhecidos vêm do nada falar com você. Quando um cara chega em você, você já sabe se ficaria com ele ou não. Tem tipos. Nem precisa ser beleza, a conquista pode estar meramente na blusa que ele tá usando ou no corte do cabelo. O papo serve basicamente pra você filtrar melhor e evitar alguém muito burro ou alguém muito babaca.

Ok. Eu sou sem educação com essas coisas. Não sei lidar com pessoas interessadas por mim e o interesse não ser recíproco. Minha resposta pra amigos interessados sem que eu corresponder é um “er, até daqui muito tempo”. Me afasto, me fecho. Ou quando é impossível, sou fria quando perto. Não gosto de brincar com sentimentos alheios. Não prendo ninguém quando não quero ficar presa.

Tem gente que curte essa lenga lenga de uma legião de carinhas te mascando, te mandando sms, chegando em você infinitamente e a garota lá, num doce infinito. Eu não. Eu não sou assim. De doce, só curto comer.

Se eu respondo a sua sms, é porque eu quero. Se eu te curto frequentemente no facebook e respondo cutucadas, é porque eu quero. Se eu converso com você, é porque eu quero. Porque quando eu quero, eu deixo acontecer.

As coisas não acontecem ~sem querer~ comigo. Eu não posso soltar um “poxa, nem queria ficar com ele, mas não soube dizer não”. Eu sempre sei dizer não. Sei tanto dizer não que às vezes não consigo dizer sim. Talvez eu peque por ser a pessoa menos simpática do universo. E daí pareço não até quando quero dizer sim. Mando as mensagens erradas ou não mando mensagem nenhuma.

Alguém me ensina a flertar direito?

sobre como mais uma vez minha bolsa foi roubada

e de como eu, de novo, salvei o mundo, sozinha. =]

um final de semana não pode ser perfeito. isso é premissa, o resto é conseqüência. tudo tava dando muito certo, sendo muito bom, muito livre e ao mesmo tempo comprometido. sábado e domingo perfeitos? balela. eu já devia ter desconfiado, devia ter confiado nas palavras do mestre “tristeza não tem fim, felicidade sim”.

tava lá voltando de mais uma festa em homenagem ao rei quando dois meliantes abordaram a mim e ao meu semi-irmão. um em cada, perceba. não teve muito como me defender. o babaca que veio em mim, que era maior – obviamente, porque corvadia reina o mundo- , me jogou no chão, levou minha bolsa nova linda e vermelhinha – e meu celular, 10 reais, minha carteira de motorista, meu cartão de banco e uma caixinha de balas diet cheinha, juntos. lamento maior pela bolsa, que era muito lindinha e presente da minha irmã. ok, tudo vai fazer falta. filhos da puta.

e eu ainda por cima tive que bancar a sensata, já que meu semi-irmão, sendo o roceiro que é, nunca havia sido assaltado e ficou meio embasbacado. tive que manter a compostura, sorrir com cara de “rere, não foi nada, ele só disse que ia enfiar uma bala na minha cara” e chamar o ladrão de babaca porque ele preferiu me jogar no chão ao invés de, civilizadamente, me deixar pegar minha cnh e o chip do meu celular (O QUE CUSTA, SENHOR LADRÃO, ME DEVOLVER O QUE VAI SER BLOQUEADO E/OU NÃO VAI LHE TER UTILIDADE?!).

machucados no braço a parte, já cuidei de tudo. sozinha. segunda via (na verdade, provavelmente quinta) da cnh – por caros R$52,35, BO impresso e assinado, cartão novo pedido (de 10 à 15 pra entregar um cartão de débito? VAI À MERDA, BANCO!) e bloqueio do celular feito. tudo por mim. hoje descolo um celular novo. um bem fodido pra neguinho que me roubar da próxima vez se arrepender bastante e não conseguir comprar nem meia pedra que crack com ele.

tudo muito rápido pra ficar logo no passado e eu poder contar pras pessoas só que “ih, troquei de celular, me dá seu número?”, sem ter que contar minha epopéia não-tão-heróica de chegar em casa de viatura depois de correr as ruas da cidade procurando os dois assaltantes (não encontrados).

ok, ainda não consegui fazer isso. eu fico contando do assalto pra geral. fila do banco, no elevador, na polícia civil, no trabalho voluntário… essa mania eterna de dividir a vida com quem nem se interessa (vide esse blog).

mas enfim.

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Pra eu gostar de mim, me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Pra toda vida eu quero estar comigo

um pouco de ultraje para eu ser babaca e reconhecer meu real valor. :P

corrigindo uma injustiça com o mundo.

OK.

o mundo resolveu ser justo e meu tio lindo e sua esposa igualmente fantástica vão me emprestar o carro pra eu ir parar lá na pqp onde é meu trabalho voluntário.

ademais a isso, sai do regime totalmente nesse final de semana e comi salgadinhos, bolos, docinhos e almocei risoto hoje. toda trabalhada na culpa fiz 90 minutos de esteira enquanto o atlético goleava o atlético de teófilo otoni por 7×1.

obrigada pelo apoio, galo.

o mundo pode ser bom.

sente o drama aqui, sente.

tudo que eu queria era um carro emprestado essa semana. porque com um carro emprestado, eu poderia ir pro meu trabalho voluntário e voltar, sem ter que pegar dois ônibus e chegar em casa muito depois das onze da noite. eu poderia ir na minha terapia e voltar, sem ter que pegar o circular e esperar mais de meia hora na rua o próximo passar na volta. eu poderia ir pra rio acima de carro, sem ter que pegar um ônibus que sacoleja e gasta uma infinita hora pra chegar.

mas não.
minha mãe vai viajar com o carro, a nova mulher do meu pai não quis me emprestar o carro e eu vou ser obrigada a usar o transporte público.
sim, essas são as tristezas da minha infeliz vida.

e quem tá achando pouco, desafio à descer de ônibus na praça rui barbosa (vulgo frente à praça da estação) às 10:30 da noite em um dia de semana e esperar outro ônibus pra chegar em casa. u.u

solidariedade com as pessoas de bem, cadê?
carona que é bom, quando tem carro, todo mundo quer, né? :p

“Milagre, a lágrima pára”

Isso ai é uma frase de um poema do Leminski.
No mesmo livro, se acha o seguinte verso:

Tudo me foi dado.
Nada me foi tirado.
O que um dia foi meu
nunca vai ser passado.

Há dias venho conversando com a minha mãe. Conversas com coisas nunca ditas antes, com sinceridades nunca faladas. Sem as repetições eternas, sem o fim que nunca vinha.

Ela me disse centenas de coisas dela, que eu nunca soube, que talvez se eu soubesse antes, teria me ajudado a entender mais cedo. Tem sempre a questão do “se fosse mais cedo, você não estaria pronta pra entender”, então tá, estou aqui respeitando o tempo.

Ontem eu cheguei e pedi para minha mãe ler um texto sobre “empatia positiva”, do Carl Rogers, porque eu acho que nessa casa sobra julgamento e se falta respeito com os problemas alheios. A resposta dela foi um “sei não, viu”? Depois expliquei que não estou pedindo menos pressão, nem menos preocupação, nem uma postura passiva, ou nada disso. Eu só queria um pouco de comunicação. E hoje ganhei.

Ela me disse que a vida inteira ela só quis nos tornar mais fortes, independentes e isso era porque ela se sentia fraca. Ainda me disse que nem sabia que era fraca, mas que só percebeu que era de tanto eu bater na mesma tecla de “porque você não pode fazer as coisas sozinha?”. E daí ficam essas coisas invertidas, nas quais muitas vezes eu sou mais mãe dela do que ela minha.

Mas sabe, essa coisa toda já não me dói mais. Ser forte, independente… é bom, no final das contas. Levar na cara e dar a outra face, cair e levantar, cair e levantar de novo, ter coragem de decidir sozinha – sempre sozinha – e arcar com as conseqüências das decisões. Isso tudo quem me deu foi essa criação. Doeu. Eu vivo pensando que deveria ter sido mais protegida. Eu vivo pensado que deveria ser mais entendida. Mas no fim foi a auto-reflexão que me ofereceu todas as respostas. Todas as soluções vieram aqui, de mim. E no final, dizer que vou chegar onde chegarei – porque agora tenho destino e meta – e que pra isso só dependi de mim, vai ser um orgulho meu. “Milagre, a lágrima pára”. Parou.

Outro dia me disseram “nossa, você tá com uma energia tão positiva” e minha vontade foi responder -e nem sei mesmo se não respondi- um sonoro “EU SEI!”. Vou me tornar daquelas insuportaveis que reconhecem o esforço próprio e tomam elogio como reconhecimento de todo o trabalho envolvido em desenvolver e crescer.

Mas no final, as dores todas… tantas delas escritas aqui com todo o drama que me coube – e ainda me cabe fazer, porque asi soy yo– foram quem me trouxeram aqui. Que me ensinaram, que me guiaram, que me conduziram. Então sou grata, pai, por você ter me magoado tanto. Porque sem isso eu não teria nunca aprendido a me respeitar mais do que respeito à vocês. Obrigada, Nelly, por não ter me oferecido qualquer feedback positivo, porque sem a falta deles talvez eu nem tivesse percebido que no final das contas, os merecia. Obrigada, vocês todos, seus babacas, por terem me quebrado o coração uma centena de vezes, porque sem isso eu não teria me dado conta de como eu posso sim fazer melhor. “O que um dia foi meu, nunca vai ser passado”.

Leminski, seu gênio!

ps: Porra, muito auto-ajuda esse post.
Desculpa-ê.
Tô numa fase reflexiva.
Depois voltamos pros mimimis de sempre e necessários.

(bendita psicologia – ai que quem acha que é baboseira {o que só pode ser coisa de quem não lida com os próprios demônios, só empurra pra frente, guardando mágoa, trauma e rancor… não sou dessas. SOU RESILIENTE, LEMBRA?}),

Voar, isso não dói.

Vida e Obra

Você sabe o que Kant dizia?
Que se tudo desse certo no meio também
Daria no fim dependendo da idéia que se
Fizesse de começo

E depois – pra ilustrar – saiu dançando um Foxtrote

Cacaso – Na corda bamba

os mais aventureiros não abrem os guardas-chuvas.

Liniers, Macanudo.

A Lua no Cinema

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!

Leminski – Distraído Venceremos

I am my own sunshine.

Hoje é o centésimo dia de 2011.
Nesses 100 dias eu já cumpri mais de 80% das minhas metas, o que é pretty good. Sendo que me sobram ainda 8 meses e meio pra eu sair invicta de 2011. Daí no ano novo eu vou sair berrando que nem o Galvão Bueno… “é teeeeetra, é teeeeetra”. Ok, não vou. Mas me sinto bem com os resultados positivos dessa minha caminhada “pra frente”.

Ontem me disseram que eu sou “resiliente”. Cheguei em casa e fui procurar na internet, né. Porque gente digna só assume o analfabetismo pro google. Daí nem me senti muito burra ao desconhecer a palavra, porque resiliência é um conceito da física (área que eu não me importo em reconhecer completo desconhecimento) que foi emprestado pela psicologia (e meu vocabulário de jargão psicológico encontra-se em formação).

Daí, na física, resiliência é a capacidade que um material tem de acumular energia quando exigido ou submetido a estresse sem ocorrer ruptura. O que, quando aplicados à humanos, seria a capacidade de lidar com problemas, obstáculos e dificuldades e superá-los, sem grandes traumas.

Dá vontade de virar pra quem disse e mandar um “tem certeza?”, mas na vibe que eu tô, tô mais a tendente a levar pra vida e aceitar que sim. Supero as paradas todas. Uhu. (daquelas que repete até acreditar).

só falta ser fininha e linda feito a Hepburn.