asas pra voar

De todas as coisas que quero para 2013 (dois mil e galo, rererere), só fica aquela de conseguir ser menos quem eu sou, e mais quem eu quero ser.

E ter força de vontade para as coisas pequenas, que são juntando elas todas que se consegue as grandes. E alegria, saúde (extensa a família, odiei essa coisa de ficar indo em hospital sofrendo e amando a conta-gotas), trabalho, algum dinheiro e muito amor. Amor de todos os lados.

Ah sim, e pelo amor de Deus, gente. Menos hipocrisia, mais generosidade, blá blá blá, wiskas sachê, e um 2013 melhor pro Galo, pra mim e pra você.

 

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and I feel fine

Na festa da empresa, o diretor começou a falar que leu muitos livros sobre o fim do mundo, e que de fato vai rolar o fim de uma era e que existirá uma renovação para um mundo novo com uma nova maneira de viver. esse trem muito semelhante a uma era de aquário, onde todo mundo é menos egoísta, se preocupa menos com os outros e mais em ajudar os outros, sendo mais feliz no final, seria até bem bonito.  mas enquanto – e porquê – o mundo não é assim, é tipo operar você mesmo em um novo modo de vida.

ps: esperando ansiosamente 2013 pra desejar a todos um feliz “dois mil e galo”. vocês sabem, sou dessas.

– Podia ser julho.

Em julho a dieta já vai ter progredido muito, vou estar me sentindo mais bonita. E já vou estar terminando a pós, vou estar mais qualificada. E já vou ter mudado de casa, vou estar em territórios novos. E com a mudança, vou ter sido obrigada a organizar minhas coisas, vou ter tudo em ordem. Já vou ter um ano de empresa, recorde de permanência em emprego desde hace mucho, vou ter bem mais experiência.

Podia ser julho, porque até julho eu vou ter: não comido, malhado, estudado, ter ido em aula, ter feito trabalho, feito mudança, encaixotado, desencaixotado, organizado, arrumado, limpado, trabalhado, ter feito hora extra, ter tido reuniões enorme, ficado ansiosa com o trabalho, feito duzentos relatórios.

Custa de repente passar seis meses?

You know they say about us

Minha irmã tava falando de uma moça do trabalho dela que vai pedir demissão porque não agüenta mais a chefe, e complementa:

– Você ia gostar dela.

– Porque ela louca suícida de empregos que nem eu?

– Não, porque ela coloca valores pessoais acima da carreira.

Falando assim não é que eu nem pareço louca suícida de empregos e sim uma pessoa sensata que se respeita?

sem porquê e sem destino

Odeio admitir que falhei. Mas ó, to aqui, uma falha ambulante. Quilômetros de quem eu quero ser. Acho que se eu fosse minha mãe, ficaria ansiosa ao me ver assim. Tanto investimento para… isso. Eu fui cara. Era pra eu ter dado mais certo. Não é possível que só eu veja isso.

Vontade nenhuma de fazer nada. Minha vontade real, é, mais uma vez, chegar em casa e deitar na cama e só sair de lá quando obrigada. Infelizmente a vida tá ai, a toda, me obrigando a sair da cama todos os dias às sete e meia da manhã. E resignadamente levanto. Resignadamente continuo.

Aquela certeza inteira que o plano ia dar certo tá esvaindo-se aos poucos. A era do “nossa, vai ser tudo lindo”, finalmente passou. Do meu pai doente, que eu tinha tirado toda uma lição de “que lindo, reuniu minha família”, agora só predomina meu medo constante de alguém que me é importante morrer. E além de tudo eu tenho uma sensação assustadora de tempo passando. Meu Deus, eu vou fazer 28 anos.

Eu sei que é fase. Eu sei que as coisas tão assim porque eu estou vendo assim. É um jeitinho Poliana ao inverso de ser. Tadinho de quem tenta me ouvir e só recebe negativismo. Sinto muito ~I´m such a pain~. Eu sei que basta meia coisa boa a acontecer pra eu voltar a achar o mundo lindo. Basta algo dar certo. O detalhe é que não tem nada dando exatamente errado, é só a vida sendo vida.

Ontem enquanto vinha no trabalho ficava pensando em maneiras de recuperar o controle sobre as coisas. Pensei em fazer listas. E lembrei quão pouco eu venho cumprindo-as. Ai eu decidi só ir vivendo, aos pouquinhos.

Pode ser que isso tudo só seja porque eu comecei a dieta hoje e me vêem em frente muitos meses sem chocolate. Ufa, vida.

(Calma, é só bipolaridade latente do blog exercida mais uma vez)

is has been fucked is a good excuse for being fucked up?

Acho difícil ir lá de novo. Decidir, de peito aberto, que “nossa, tô pronta pra esse amor gostoso”. Primeiro que provavelmente não vai ser amor, e também que pelas minhas últimas contas e cacos, no final não é tão gostoso. Não sei bem como saber se tô pronta para outra e como confiar que até mesmo o amor que dá errado vale a pena. Porque não acho que sempre valha. E isso é um papo bem amargo, mas é a vida, não é mesmo? Um pouquinho agridoce.

E é assim que eu talvez, só talvez ache que eu devia aprender mais com as pessoas que namoram. Como é que elas, relacionamento falido após relacionamento falido, acham força de vontade para recomeçar e capacidade de confiar no outro ou até em si mesmas? Como é? De onde vem essa resiliência amorosa de confiar após ser traído, ou depois de traírem? Ou então de ouvir que não estão prontos para um relacionamento, sabendo que aquilo ali é medo? Ou então como conviver com a total rejeição e simplesmente sair por ai, que, ó, o próximo va ser diferente? Ou simplesmente sabendo que com tanto amor tudo deu errado, como saber que não vai dar de novo?

Dentro de mim já apareceram, só ao escrever esse parágrafo, dezenas de questionamentos que fazem menor essa capacidade dessa gente que namora namorar. Mas é pura vontade de diminuir o que eu não sei fazer. Será que se eu fizer essas perguntas para essas pessoas assim elas me respondem sem se sentirem ofendidas? E fica o medo também que talvez o pensar demais as deixe como a mesma certeza que eu: é tudo quebrado. E no caso, o tudo é a gente.

e ainda por cima tem pouco peixe na maré

Uma vez, quando eu era muito mais nova e muito mais boba, eu disse pra um garoto “me espera que eu volto”. E ele me respondeu  perguntando  como eu poderia saber que nada vai mudar nesse tempo. Eu jurei que não ia e parecia mesmo não saber como um sentimento tão intenso poderia eventualmente ficar menor. Obviamente mudou, porque as coisas mudam, ainda mais de longe,  e um dia eu mandei um email que dizia, literalmente, “não deixa de viver por mim porque eu não vou deixar de viver por você”.  O sentimento continuava considerável, ao menos o suficiente pra me importar que houvesse a mesma coisa do lado de lá. Só queria ser justa, veja bem.  Mas mesmo vivendo, mesmo sabendo que eu mandei viver, não vou negar que fiquei um tanto quanto magoada quando o garoto viveu tanto que o que veio depois ficou maior que eu e de repente “o que a gente teve nem importou tanto assim”.

O pior de tudo é que tive noites não dormidas e conversas sofridas antes, durante e depois o email enviado, aquele que dispensava a espera e o amor, cheia de culpa de ter magoado quem um dia me quis tão bem e que também por mim era tão bem quisto.  Isso pra saber que no final o do outro lado não sofreu tanto assim, sendo que fui eu quem foi embora, e fui eu quem dispensou.

E mesmo hoje, muito mais velha e muito mais sábia (em comparação comigo mesma, obviamente), eu mantenho essa tendência besta de ser sempre quem sofre mais, seja eu quem vá embora, ou quem fique, seja eu quem dê as cartas ou somente as receba. E não está nada bem que seja  eu quem sempre sofra um pouco mais.