Eu vejo as pessoas nervosas e me vejo nelas. A agitação, a ânsia, o não saber o que fazer… aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

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Eu não tenho data pra comemorar, então é todo dia.

Um brinde às três ferradas, em não-relacionamentos sem futuro e ausentes de qualquer possibilidade de sucesso. Tim-tim.

Um brinde às três perdidas, que na verdade se contentam em tomar uma, choras as mágoas e simplesmente se sentir entendidas. Tim-tim.

Um brinde a poder falar a verdade, por mais que às vezes doa, porque ela é necessária.

Um brinde ao que é para sempre. Nós. E não a série de não-relacionamentos que parece ser tendência nesse verão-outono-inverno.

Somehow we’ll break through it.

Tell me what you feel, by now I’ve felt it all.

Te acho uma maluca e disso partimos. Você me conta suas coisas e eu só penso “garota, como você é ferrada”. Não tem problema isso, tem? Mas daí você vai falando e eu por dentro vou ecoando. Tudo que você sente eu já senti. Ai eu vou te contando e você vai ecoando, tudo o que eu penso, você já viu as coisas assim. E não importa que eu te julgue, não importe que você seja realmente louca tã-tã da cabeça pronta pra ser internada… no fim do dia eu só quero contar as coisas pra você, porque só pra você vai fazer sentido.

Daqueles exemplos de sempre, tão diferentes, mas tão iguais.

Obrigada.

If I’m tired, I’m tired of telling you.

Eu te ligo, que perigo, mas só porque eu tenho que. Porque se eu deixasse tudo aquili assim, não-dito, corria uma risco grande de desgastar o que esse tempo todo se lutou para manter. Não sei se prezo pela coisa errada, mas ela me trouxe até aqui. Te conto que não existo pelas metades e nem você existe. Nem você e nem eu estamos felizes. Estou cumprindo com o meu plano. Estou terminando.

Você me prêmia com um silêncio arrebatador. Me diz que não tem nada para dizer, além do que já disse. Que não fez por querer, que não fez pra me confudir, que não pode me explicar porque é difícil de entender.

Mas me explica, me explica. Eu preciso saber.

Te dou um sermão de como você engessa as coisas, que faz as coisas erradas, que se fecha em um mundo particular em que você se protege e não se deixa viver, decidindo o que não é ou não é antes mesmo de ser. Te conto uma bobagem e você se prende nela, como sempre. Diz que entendeu a dica do que precisa fazer. Te pergunto o que eu faço e você diz que eu já sei o que você sempre ia querer. Você sempre me quer.

Mas não me quer. Que complicado. E eu digo: “parece que você pensou em mim o dia inteiro!”. E você fala que pensou.

Mas não do jeito que eu penso.

E se apega a si mesmo com uma maneira absurda de ver o mundo com muletas e tornar ele mais suportável. Diz que sair da minha vida vai doer, mas se eu pedir, sai. Eu não posso pedir. Eu não posso pedir. O problema tem que ser seu, não meu. A culpa tem que ser sua.

Você me repete a frase, que ecoa, mas sem vontade nenhuma de terminar qualquer conversa. Eu não estou terminando mais. Ela se prolonga infinitamente e fica leve, leve, como se duas hora antes os silêncios arrebatadores nunca tivessem existido. Você fala, fala e ri. Se abre. Quero desligar e você insiste para não. Mais conversa, mais vontade. Porque é tão bom. O ponto é, o detalhe é… você percebe que de novo eu cai na nossa armadilha? Os bem-te-vis já estão cantando e a conversa começou as onze e meia da noite.

Você percebe, mas não me solta. Você não tem coragem de dizer além do “não, porque eu não quero” e me deixar ir embora machucada, mas livre. Você diz ser livre. Eu não posso ser?

Ai fica decidido que se decide depois. E isso só porque eu disse que tinha que dormir ao menos duas horas. Você não consegue me dizer o que eu deveria fazer me levando minimamente a sério. Queria que a culpa fosse sua, mas vai ser eu que vou ter que fazer.

Pensa em mim todo dia. Mas não gosta de mim. E na hora de desligar reluta a me dizer tchau, porque na verdade tem medo de ser o último. Não foi.

Mas uma hora vai ser. Vou terminar um dia… e não vou levar seis horas de um interurbano retardado para fazê-lo.

Desaprendeu a dividir comigo…

eu fico brava. muito mesmo.
fico brava por você não achar que eu seja necessária do seu lado. fico especialmente brava porque eu quero estar lá, mas você não me quer. fico brava porque eu acordei com o seu choro e chorei junto com ele. fico brava porque independente do que eu ache disso tudo, eu só quero que você esteja feliz e a sua dor é a minha dor. fico brava porque eu vou no seu quarto e ofereço o meu abraço e você não quer. não me quer.

eu sou tão boa conselheira. eu já quis tanto chorar no seu colo.
eu estou brava porque eu preciso de você, mas você não precisa de mim.

Errado e eu entendo.

Mais forte.

De Cléo Araújo.

Logo ela, que sempre foi assim, tão certinha de tudo.
A moça centrada. Séria. Crítica. Acima.
Era ela quem sabia qual era o remédio para cachorro com caganeira.
Era ela quem informava que o tamanho da pilha para o controle remoto da TV era AAA.
Era ela quem sempre se lembrava do nome daquela música, daquela banda, como é que era mesmo o refrão? E ela sabia. Que jantava franguinho grelhado com saladinha de cenoura ralada e alface americana. Que dormia cedo. Que não gostava de anel entalado no dedo nem de novela das oito.
Logo ela. Tão certa de si. Tão perfeita, depilada, macia, maquiada, esmaltada, perfumada, arredondada e penteada.
Um dia, e foi de uma hora para outra, se deu conta de que não tinha mais certeza de coisa nenhuma nessa vida. De coisas complexas às mais mundanas ações da rotina, ela simplesmente não sabia mais.
Não tinha ideia do que faria no feriado. Logo ela, a rainha dos calendários, a fonte para se saber quando cairia o Carnaval de 2017.
Era incapaz de escolher entre palmito ou aspargo para acompanhar o filé.
Não conseguia decidir se comprava uma bota de esqui, um peixe beta ou uma casquinha do McDonald’s.
Aí, tomou duas pílulas anticoncepcionais no mesmo dia. Levou uma multa de zona azul. E deixou o queijo brie embolorar na geladeira.
Foi quando começou a perder.
Perdeu o celular, o guarda-chuva, o prazo para o pagamento do IPVA, perdeu até a estréia de “Fringe”. Logo ela, a pessoa mais conectada e agendada do planeta.
Buscou análise. Acupuntura. Pilates. Viagem de navio. Aula de canto. Tomou chá branco, tequila, tomou até um passe em um centro espírita. Começou a ler horóscopo. E fez até um mapa astral. Logo ela, que nunca tinha acreditado em nada nem em ninguém, comprou uma vela de sete dias e deixou queimando em cima da geladeira do lado de uma imagem de Santo Expedito que ela comprou em uma loja de macumba.
Mas que nada… Continuava sem si. Continuava acordando suada de um cochilo com a TV ligada em “Caminho das Índias”. E os sonhos? Os mais estranhos. Num deles, Thom Yorke a sequestrava e a jogava algemada dentro de um porta-malas para fazer dela sua escrava sexual.
Nada mais fazia sentido.
Tudo se resumia àquela obsessão.
Tudo se reduzia àquela vontade, àquele desejo esquisito, errado, fora de hora. Logo ela, a pessoa menos mal intencionada que ela conhecia, agora uma moça sem centro. Descontrolada. Inconsequente. Abaixo.
Tudo se traduzia naquele amargo de foi-não foi na sua boca. Tudo se sublimava naquela necessidade de fazê-lo ouvir o que ela não poderia querer dizer. Tudo a sua volta estava completamente fora de ordem, sem pilha, sem remédio, sem música, sem rumo. E foi aí que ela percebeu. As pupilas dilatadas, as mãos suando frio e o abdômen que se contraía com vergonha do que o corpo todo tentava dizer.
Não havia mais nada que ela pudesse fazer.
Logo ela, que se controlava tanto, agora queria se arrepiar. Logo ela, que se bastava tanto, agora queria apresentar a ele suas axilas, seus tornozelos, a parte de trás dos seus joelhos e suas cicatrizes de catapora. Logo ela, que não se permitia nada, agora queria se deixar.
E ela queria muito.
E ela queria logo.